Historia de Medina
Cairo Ibn Tulun Mesquita - Foto: Berthold Werner (Licença-cc-by-sa-3-0)
Cairo Ibn Tulun Mesquita - Foto: Berthold Werner (Licença-cc-by-sa-3-0)

A primeira menção à cidade remonta ao século VI a.C., aparecendo em textos assírios (Crônica de Nabonido) como Iatribu. Na época de Ptolomeu, o oásis era conhecido como Lathrippa. Os primeiros povos a se instalar no oásis de Medina foram as tribos de Banu Matraweel e Banu Hauf que traçam sua linhagem de Sem, filho de Noé. Estas tribos foram as primeiros a plantar árvores e cultivar na cidade. Quando as tribos iemenitas Banu Aus e Banu Khazraj chegaram, havia cerca de 70 tribos árabes e 20 tribos judaicas em Medina.

Tribos judaicas
Os judeus chegaram à cidade no século II, na sequência das Guerras judaico-romanas. Houve três importantes tribos judaicas que habitaram a cidade até o século VII: a Banu Qaynuqa, a Banu Qurayza e a Banu Nadir. Ibn Khordadbeh relatou mais tarde que durante a dominação do Império Sassânida na região de Hejaz, os Banu Qurayza atuaram como coletores de impostos para o xá. Durante a guerra entre judeus e romanos no século III, muitos judeus fugiram de Jerusalém e migraram para o local de seus ancestrais, Yathrib (atual Medina). Nero enviou força romana maciça sob comando de Petra Lenidas para massacrar todos os judeus de Medina em 213 d.C.

A situação mudou após a chegada do Iêmen de duas tribos árabes, chamadas Banu Aus (Banu Aws) e Banu Khazraj. No início, essas tribos eram dependentes dos judeus, mas, posteriormente, elas se revoltaram e se tornaram independentes. Por volta do final do século V, os judeus perderam o controle da cidade para os Banu Aus e Banu Khazraj. A Enciclopédia Judaica relata que eles agiram da seguinte forma 'solicitaram ajuda do lado externo e massacraram traiçoeiramente, em um banquete, os principais judeus'. Assim, as tribos Banu Aus e Banu Khazraj finalmente tomaram o controle em Medina. A maioria dos historiadores modernos aceita a alegação de fontes muçulmanas que, após a revolta, as tribos judaicas se tornaram clientes (subordinadas) aos Aus e Khazraj. De acordo com William Montgomery Watt, a clientela das tribos judaicas não é corroborada pelos relatos históricos do período anterior a 627, e sustentou que os judeus mantiveram a independência política.

Algumas vezes, as tribos Banu Aus e Banu Khazraj brigaram entre si, sendo que na época da Hégira (migração de Maomé e seus seguidores para Medina), eles estavam em luta por 120 anos e se consideravam inimigos mortais. As tribos Banu Nadir e Banu Qurayza eram aliadas da tribo Banu Aus, enquanto a tribo Banu Qaynuqa era aliada da tribo Khazraj. Eles lutaram um total de quatro guerras. A última e mais sangrenta batalha foi a de Bu'ath, travada alguns anos antes da chegada de Maomé. O resultado da batalha foi inconclusivo e a contenda continuou. Abd-Allah ibn Ubayy, um chefe Khazraj, se recusou a participar da batalha, o que lhe valeu a reputação de equidade e paz. Até a chegada de Maomé, ele era o habitante mais respeitado de Yathrib.

A chegada de Maomé
Em 622, Maomé e os muhajirun deixaram Meca e chegaram a Yathrib, um evento transformaria o panorama político e religioso completamente; a longa inimizade entre as tribos Aus e Khazraj foi reduzida uma vez que muitos habitantes destas duas tribos adotaram o Islamismo. Maomé, ligado a tribo Khazraj através de sua bisavó, logo virou o chefe e uniu os muçulmanos convertidos de Yathrib sob o nome de Ansar (os 'patronos' ou 'os ajudantes'). Após a chegada de Maomé, a cidade aos poucos passou a ser conhecida como Medina (literalmente 'cidade' em árabe). Alguns consideram esse nome como um derivado da palavra aramaica Medinta, que os habitantes judeus teriam usado para a cidade.

De acordo com Ibn Ishaq, os muçulmanos e os judeus da região assinaram um acordo, a Constituição de Medina, que comprometeu as tribos judaicas à cooperação mútua com os muçulmanos. A natureza deste documento, como registrado por Ibn Ishaq e transmitido por Ibn Hisham, é objeto de controvérsia entre os historiadores modernos, muitos dos quais consideram que este 'tratado' é, possivelmente, uma montagem de acordos, orais e não escritos, de diferentes datas, e que não está claro exatamente quando eles foram feitos.

Fonte: Wikipédia

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