História de Tibau do Sul
Praça Monsenhor Antonio Barros - Foto: Manoel188 (Licença-cc-by-sa-3.0)
Praça Monsenhor Antonio Barros - Foto: Manoel188 (Licença-cc-by-sa-3.0)

Antigamente a Lagoa Guaraíras era uma lagoa comum isolada do mar. Com aguas doces e calmas, era riquíssima em peixes e espécies da fauna local como o peixe boi marinho. Era rodeada por vilarejos de índios potiguaras. A lagoa desaguava através de um riacho, para a vizinha lagoa de Papeba, cujo despejo formava um rio, identificado naquele Mapa de Marcgrave como o tarairi (Trairi). Este, por sua vez, desaguava no mar, na atual praia de Barra de Tabatinga, que fica no município de Nísia Floresta-(RN).

Quando chovia muito, a lagoa trasbordava, causando inundações nas vilas ao seu redor. Então por volta do século XVII, os Holandeses que moravam em uma de suas ilhas e que conseguiam conviver de forma totalmente pacifica com os Índios nativos, decidiram em conjunto construir o primeiro canal de ligação com o mar.

Não se sabe muito sobre o antigo canal holandês, só que tinha largura suficiente para dar passagens as enormes Naus dos flamengos, e que media aproximadamente 800 metros do mar. Provavelmente, era beirado por pedras, semelhantes as que cercam hoje a ilha do flamengo. Analisando projetos semelhantes da mesma época, posso prever que além do canal, os holandeses tenham também construído diques com a intenção de manter a geografia do lugar estável e algum sistema de comportas que impedisse a mistura da agua doce com a salgada, arruinando a biologia da lagoa.

Com a morte dos holandeses e índios assassinados pelos portugueses que furiosos vieram tomar de volta a 'sua terra'. O canal ficou esquecido e foi tomado por uma duna de areia, o que o fez desaparecer completamente permanecendo assim por quase 3 séculos. Em 1890 ouve uma tentativa de reabrir o primitivo canal, obedecendo a um plano elaborado pelo engenheiro Thompson Viegas. As obras deixaram o canal parcialmente reaberto.

Em 1923 foi construído finalmente o desejado canal, sob a responsabilidade do engenheiro Júlio de Melo Rezende. O canal com 10 metros de largura e 800 metros de cumprimento. A profundidade, maior do que a do canal antigo dos holandeses e as técnicas de construção o deixaram fraco demais para resistir a força da água das chuvas.

Segundo o autor Hélio Galvão (Novas Cartas da Praia), o povoado de Tibau, existente à beira do canal, foi construído por aquela cheia de 1924: 'Uma noite de abril, as águas irromperam, incoercível, e levaram o povoado todo, deixando a ponta da rua em que ficava a igreja, e as casas que lhe ficavam abaixo. Foi uma noite de terror. Todas as famílias desabrigadas, debaixo de árvores e moitas'.

Em poucas horas o canal original que tinha 10 metros de largura, passou para mais de 200 metros, destruindo toda a cidade e transformando para sempre a hidrografia e geografia do lugar. A vila inteira tinha sumido da noite para o dia. Foi algo realmente assustador e trágico, apesar de não haverem registros de mortes.

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