História de São Francisco de Paula
Lago de São Francisco de Paula - Foto: Msadp06l (Licença-cc-by-sa-4.0)
Lago de São Francisco de Paula - Foto: Msadp06l (Licença-cc-by-sa-4.0)

São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, surgiu no início do século 18, como parada no caminho das tropas de gado do Rio Grande para o centro do país. Os primeiros habitantes de São Francisco de Paula foram os índios Caáguas ou Caaguaras, que estendiam suas aldeias pelas Serras Geral e do Mar e usavam pelegos para se aquecer no rigoroso inverno. Por volta de 1.700, estavam praticamente dizimados por bandeirantes e por doenças. A cidade de São Francisco de Paula teve seu início com o Capitão Pedro da Silva Chaves, que doou uma pequena parte de suas terras para o patrimônio de uma igreja.

O município teve sua sede administrativa inaugurada em 07 de janeiro de 1903 e hoje, carinhosamente chamado de São Chico, é um dos maiores municípios do Rio Grande Sul, com quase 3.300 Km² de área, numa altitude entre 900 e 1.000 metros, com um clima frio no inverno, quando a neve reserva momentos de rara emoção e beleza, e as quatro estações bem definidas.  O ondulado dos campos, bordado de matas de araucária é recortado por vertentes que banham boa parte do Estado. A identidade de São Francisco de Paula pode ser reconhecida em cada serrano, pois os costumes tradicionalistas estão presentes no dia - a - dia da comunidade, nos eventos, na culinária e nas lidas campeiras.

São Francisco de Paula, integrante dos Campos de Cima da Serra, Região das Hortênsias e Rota Romântica, tem hoje uma estrutura de hospedagem, gastronomia, lazer, compras e serviços que não é nem pretende ser grande, quer apenas ser autêntica e boa o bastante para surpreender os visitantes. É no encanto dos pequenos negócios, tocados pela gente da casa, que reside o sucesso de São Chico.
É importante frisar alguns dados que em todos os documentos publicados deixaram de constar:
1- O nome exato é CAAGUARAS, só, pois CAÁGUA- designava a região onde moravam os caaguaras que compreendiam os campos de cima da serra (uma parte de Bom Jesus, Cambará do Sul, Jaquirana (onde temos alguns fósseis)e grande parte de São Chico.
2- Os caaguaras não falavam, comunicavam-se entre si através de grunhidos e gritos, eram muito pacíficos.
3- Eram conhecidos também por COROADOS, porque revestiam a parte de suas cabeças com uma mistura de cera e mel silvestre.
4- Eram os últimos remanescentes dos sambaquis da América do Sul (Pré-história).
5- Foram dizimados pelos bandeirantes e pelos Caiangangues, habitantes das matas da região de Caxias do Sul, muito ferozes, tribo esta que matou o Jesuíta D. Cristóbal de Mendoza, no local da Água Azul, em Sta. Lúcia do Piaí, Caxias do Sul.
6- Os CAAGUARAS que não foram mortos, foram levados pelos Jesuítas para as Missões e lá foram a extinção.

Com as incursões bandeirantes rumo ao Sul do Brasil, terminaram como presas fáceis dos paulistas de Sorocaba que fizeram destes índios mão-de-obra escrava.  Por volta de 1700, estavam praticamente dizimados pelos bandeirantes e por doenças.  No final do século XVIII, com a expansão da mineração na zona das Gerais, paulistas, lagunistas e outros desceram para o Rio Grande do Sul, para buscar mulas para a zona mineradora, já que nosso Estado passou a ser o grande fornecedor de animais de tração, próprios para a atividade extrativa.

Neste contexto, entra São Francisco de Paula, pois o caminho das tropas partia da altura de Palmares do Sul, atravessava o atual território de Santo Antônio da Patrulha, alcançava o planalto pelos Campos de Cima da Serra, indo na direção de Lages, avançando para Sorocaba. Foi com o transitar dos tropeiros por este caminho que teve início o processo de ocupação dos Campos de Cima da Serra, recebendo os primeiros sesmeiros.

O capitão Pedro da Silva Chaves, um português estabelecido em Itu (SP), foi um dos pioneiros. Assim escreve o historiador e professor Ruy Ruben Ruschel: ''Andei estudando um texto do antigo historiador Manuel Duarte e cheguei a interessantes conclusões. A atual área urbana franciscana pertenceu, desde antes de 1742, ao famoso Francisco Pinto Bandeira, que a legalizou em 1752, com o nome de FAZENDA DA CRIA, topônimo que ainda se conserva nos arredores dessa cidade. Conforme constatei, pela análise de outro documento um roteiro de 1745, o dito fazendeiro desloco-se uns 10 km mais para leste, fixando-se nas cabeceiras do Arroio do Pinto, afluente superior esquerdo do Rio Santa Cruz.

Do nome do célebre fazendeiro teria surgido a denominação do rio - Rio do Pinto.  É então que o capitão Pedro da Silva Chaves lhe compra a área em que hoje está inserida a cidade. Mas onde estaria a sede dessa nova fazenda? Seria na mesma zona da '' Fazenda da Cria '' anterior? O certo é que o capitão Pedro da Silva Chaves já possuía outros campos a leste, vindo a adquirir, depois, também, a '' Fazenda do Cerrito'', ao Norte, e outras mais, tornando-se um dos latifundiários mais importantes da região. Ele ou seus herdeiros é que doaram à comunidade a área que hoje contém o centro urbano''.

A cidade de São Francisco de Paula, portanto, teve seu início com Pedro da Silva Chaves, militar português, natural de Lisboa, casado com Gertudres de Godoy, descendente de ilustre família paulista, natural de Itu. Como se depara, ele teria doado uma porção de terra, juntamente com algumas vacas, para o patrimônio de uma capela que ele mesmo construira e que seu filho, o padre José da Silva Leal Lemos, viria a ser o primeiro capelão, ali rezando suas missas.

Fonte: Ascom Prefeitura, Wikipédia e IBGE

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