Historia de Buenos Aires
Palacio Pizzurno, Ministerio de Educacion - Foto: Roberto Fiadone
Palacio Pizzurno, Ministerio de Educacion - Foto: Roberto Fiadone

Em 3 de fevereiro de 1536, o espanhol Pedro de Mendoza, estabeleceu o assentamento ao que deu o nome de Nuestra Señora del Buen Ayre em uma região habitada por aborígenes pampas conhecidos como querandis. Depois de os querandis passarem por fome e conflitos, a localidade foi finalmente arrasada pelos eles em 1541. Em 11 de junho de 1580 Juan de Garay (re)fundou a Ciudad de la Santísima Trinidad y Puerto de Santa María del Buen Ayre, com 76 colonos e 200 famílias guaranis, num local presumivelmente próximo ao de Mendonza. O motivo desta fundação foi explicado pelas palavras de Juan de Matienzo, juiz da Real Audiência de Charcas, que em 1566 mencionou a necessidade de abrir uma porta para a terra, ou seja, dar uma saída ao Atlântico para todo o território que existia desde Potosí até o sul. Nesta ocasião os nativos querandis, comandados por Tububá, foram dizimados até o extermínio de sua cultura.

Originariamente era a capital de um governo que dependia do Vice-reino do Peru. Durante cerca de dois séculos os portenhos sofreram todo tipo de necessidades: o povoado mais austral da América estava afastado de todo o centro comercial importante, não existiam quaisquer dos elementos necessários para manter o estilo de vida europeu e não se podiam fabricá-los na cidade. A Espanha privilegiava os portos sobre o Pacífico e, portanto, marginalizava Buenos Aires, que apenas recebia dois navios de registro por ano; houve anos em que nenhum chegou. Isto levou os habitantes (cerca de 500 em 1610) a burlar a lei e viver do contrabando, que vinha fundamentalmente do Brasil. Este contrabando era pago com a única fonte de riqueza que existia, até princípios do século XVII, que era a venda do couro obtido com a matança de rebanhos (vaquerías) de bovinos sem dono que vagavam pelos campos. O resto, carne, sebo, etc, era jogado fora.

Em 1776 foi nomeada capital do Vice-reino do Rio da Prata. As causas principais desta decisão foram: a necessidade de frear o avance estrangeiro na zona, intentar terminar com o contrabando, e por ser o lugar pelo que se tinha mais fácil acesso a Espanha desde o Atlântico. Começa assim um período de grande prosperidade, pois a cidade foi beneficiada por la Coroa espanhola com um tipo de comércio mais aberto, flexível e liberal, dado pelo Regulamento de Livre Comércio. Podia introduzir mercadorias de qualquer região, e conectar-se com outros portos, sem pedir permissão para as autoridades reais. Desta maneira cortou com sua dependência política e comercial de Lima. A cidade viveu um exponencial progresso entre 1780 e 1800, recebendo além de uma forte imigração, fundamentalmente de espanhóis, e em menor medida de franceses e italianos; e se povoou fundamentalmente de comerciantes e alguns donos de terras estanqueiros. Tinha, em comparação com as demais cidades vizinhas, poucos preconceitos aristocráticos, ou de riqueza

Desde sua criação até 1807 a cidade sofreu várias invasões, em 1582, um corsário inglês tentou um desembarque na ilha Martín García, mas foi rechaçado. Em 1587 o inglês Thomas Cavendish tentou apoderar-se da cidade, sem consegui-lo. Em 1658 se produz a terceira tentativa, ordenado por Luis XIV, rei de França, mas o Mestre de campo, Don Pedro de Baigorri Ruiz, na ocasião governador de Buenos Aires, conseguiu defender com êxito o porto. A quarta tentaviva esteve a cargo do aventureiro Mr. de Pintis, mas o governo local o rechaçou. Em 1699 se produz a quinta invasão a cargo de um bando de piratas dinamarqueses, que foi rapidamente rechaçada. Durante o governo de Bruno Mauricio de Zabala, o francês Étienne Moreau desembarcou na costa oriental do Rio da Prata, onde as tropas espanholas o rechaçaram e mataram.

O governo que sucedeu ao vice-rei, a Primeira Junta, considerou que tinha todos os poderes daquele. O mesmo entenderam os governos que lhe sucederam (Junta Grande, Primeiro e Segundo Triunvirato, e Diretórios). A Primeira Junta pretendeu além de designar aos governadores - intendentes, enviar exércitos e recalcar os direitos da aduana. Isto fez que o resto do vice-reinado sentira que a revolução apenas havia substituído o poder central do vice-rei pelo de Buenos Aires, sem obter nenhuma vantagem. Em 1815 se produziu a primeira rebeldia do interior contra o governo central ao ser designado Carlos María de Alvear como Diretor Supremo. Este foi deposto três meses depois, o que obrigou a insuflar um novo motivo de fervor pela Revolução. Assim surgiu a necessidade de declarar, no Congresso de Tucumán de 1816, o que já era um feito: a independência do vice-reinado com respeito à Espanha. Aquele Congresso se mudou logo para Buenos Aires, e elaborou a constituição de 1819, que não funcionou e foi rejeitada pelos federais. No ano seguinte as forças federais derrotaram ao Diretório e se criou a Província de Buenos Aires, sendo seu primeiro governador Manuel de Sarratea que firmou com os vencedores o Tratado de Pilar.

Fonte: Wikipédia

Conheça mais sobre Buenos Aires
Destinos Argentina
Publicidade