O encanto das rendas artesanais do Nordeste

 06/01/2018  |  Postado por: Ramon Andrade
Rendeira do Nordeste - Foto: Revista Desafios
Rendeira do Nordeste - Foto: Revista Desafios

Deve-se salientar no que se refere ao impulso dessa produção, que foram as ações que inovaram o design das rendas e as introduziram no  circuito de moda nacional e internacional. Antigamente era fazer apenas bico e renda em metro, hoje, as rendeiras confeccionam  vestidos de noiva, blusas e acessórios, à exemplo de mantas, colares e brincos.

A arte de confeccionar renda no Brasil teve início no século XVII no estado do Ceará e era produzida por mulheres de colonos portugueses. Durante aquela época, fazer renda era uma atividade normal em alguns países europeus, pricipalmente em Portugal.A renda brasileira do Ceará se tornou conhecida na Europa, nos idos do século XVIII, quando os turistas estrangeiros começaram a levar em suas bagagens delicadas, diversos produtos de renda como: toalhas de mesa, lençóis, blusas e outras peças produzidas pelas rendeiras cearenses.

Até os dias de hoje, em Portugal como também no Ceará, a confecção artesanal de renda, basicamente é produzida pelo publico feminino. A arte na produção de peças de renda, que tem garantido a sobrevivência de diversas famílias, geralmente é praticada por mulheres de pescadores, em suas próprias casas, à beira da praia ou em qualquer outro lugar.

Existe uma lenda sobre a origem dessa arte que diz o seguinte: Um jovem pescador usando pela primeira vez uma rede de pescar tecida pela sua noiva, apanhou do fundo do mar uma belíssima  alga petrificada, que ofereceu à sua eleita. Algum Temp depois, partiu rumo a guerra. A noiva, saudosa e com pensamento voltado para o noivo, um dia, teceu outra rede que reproduziu o modelo da alga; os fios dessa rede eram terminados por pequenos chumbos.

Assim foi descoberta a renda chamada “a piombiini” ou de chumbos; os chumbos  foram posteriormente substituídos por bilros. Dessa forma, de um pensamento amoroso teria surgido a renda de bilros.” ( Rendas e Bordados do Maranhão – FUNC-MA)

No principal centro de atividade industrial complementar, localizado no município de Aracatí-CE, as rendeiras ainda mantém a técnica tradicional adquirida por intermédio  dos portugueses, das antigas mestras e discípulas da região do Pui, autêntico foco na arte da confecção de rendas, conhecido na França desde o século XV.

A profissão de rendeira proporciona uma profunda viagem ao imaginário feminino, afinal são mulheres que tecem o seu dia a dia com finíssimos fios. Emana uma força da tradição de tramar as linhas de uma forma absolutamente real. E o fio que conecta essas mulheres, entre gerações de uma mesma família, é que parece torná-las o que são: mulheres que lutam bravamente e que, ao  mesmo tempo, desempenham um ofício minucioso e delicado.

A produção das rendas é uma indústria regional no Brasil e totalmente realizada por mulheres. A antiga indústria caseira dá sinais de declínio, contudo ainda,  dispersa pelo interior. Nas grandes famílias cearenses, a determinadas horas do dia, na sala de frente, lá estão elas, as rendeiras enquanto que os  maridos estão ocupados em outros afazeres. Todas as mulheres da casa se entregam totalmente ao serviço das rendas, realizando ocupação honesta e inteligente.

As rendas são sempre confeccionadas em cima de uma almofada recheada com palha de carnaúba, onde é inserido um desenho que serve como molde para o trançado dos bilros. Para bordar, as rendeiras utilizam pedaços de madeira colados a um coco típico da região conhecido como 'tucum'.

Com paciência e absoluta maestria, as mulheres rendeiras seguem produzindo a renda do  mesmo jeito que outras gerações da família já faziam, mas elas atualizaram enriquecendo essa arte, acrescentando os fios de seda, a tradicional linha de algodão.

Deve-se salientar outro importante fator no que se refere ao impulso dessa produção, que foram as ações que inovaram o design das rendas e as introduziram no  circuito de moda nacional e internacional. O trabalho das rendeiras antigamente era fazer apenas bico e renda em metro, com o passar do tempo e investimento na melhoria da técnica, as rendeiras começaram a confeccionar  vestidos de noiva, blusas e acessórios, à exemplo de mantas, colares e brincos.

Considerando-se as variadas zonas de produção de renda, destacam-se como linhas mais utilizadas, a linha de novelo, a linha de carretel, a linha de algodão, de linho  ou seda, do fio extraído da fibra da palmeira 'tucum' (principal espécie: Astrocaryum vulgare, Mart. de 10 a 15 metros de altura, espalhada por todo o Brasil) e,  também, fios de bananeiras (Musa paradisíaca L., com suas subespécies) . O trabalho das rendeiras consiste em 'trocar os bilros' sobre um saco cilíndrico, de modo  a comporem o 'ponto' e com este prosseguir segundo a indicação dos 'furos' no 'papelão'.

A indústria das rendeiras exige especialização nessa arte, onde é necessário que se saiba a maneira por que é feito o papelão, onde decorre toda a 'ciência' da renda, exigindo para tal mister especialistas que o 'picam'. Cabe à habilidade da rendeira executar exatamente à risca, com perfeição e asseio, o modelo que ora lhe foi proposto.

As pequenas indústrias complementares das rendas no Nordeste, são encontradas nas localidades banhadas pelo mar, não muito distantes da costa e, como também, nos arredores das grandes cidades litorâneas, influindo, para formar a conhecida denominação 'rendas do mar' ou 'rendas de praia'.

Fontes de pesquisa:
https://arteculturaespiritualidade.blogspot.com.br/2012/05/rendeiras-do-ceara.html
https://jeffcelophane.wordpress.com/2011/03/09/rendeiras-as-mulheres-que-tecem-o-dia-a-dia-com-finos-fios/
http://www.terrabrasileira.com.br/folclore3/m47rendeir.html 

Por: Ramon Andrade
Salvador / BA
Diretor Geral do Visite o Brasil.
TAGS:  peças de renda,   rendeiras,  
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