O Folclore do Sudeste do Brasil possui uma riqueza imensurável

 07/01/2019  |  Postado por: Ramon Andrade
São Paulo - Caiapó - Foto: Nair Benedito
São Paulo - Caiapó - Foto: Nair Benedito

O folclore da região Sudeste do Brasil, é incrivelmente rico. Sua cultura popular tem inumeros mitos regionais, bem como, seus costumes folclóricos os quais incluem danças, seres misteriosos e grandes festas populares . Além do Rio de Janeiro e São Paulo, duas importantes cidades turísticas, Minas Gerais e Espírito Santo também são focos culturais importantes, com várias danças típicas e mitos, que são bem característicos da região.

Existe também uma forte influência da cultura afro no folclore nessa região, em razão da época da escravidão,  onde os negros trabalhavam e residiam no mesmo local, fazendo com que, os seus costumes e ritos acabaram sendo incorporados pela cultura popular.

Vamos conhecer a seguir, um pouco dos principais folclores do Sudeste Brasileiro:

(( Espirito Santo ))

Alardo
Com o nome de Bate-flechas ou dança das flechas, a expressão folclórica, de intenção religiosa, louva São Sebastião e São João Batista. O grupo, formado por homens e mulheres, sem número determinado, se apresenta em terreiro, e pode ser integrado também pelos assistentes. Em geral, a roupa é a comum, mas há os que se vestem como índios, com saias de palmito, penachos coloridos, colares de contas, adornos de pena nos braços e tornozelos.

O instrumental se assemelha ao de uma pequena banda musical, mas alguns conjuntos adotam apenas os tambores. Cada dançador porta duas flechas que servem para embelezar as evoluções e funcionam como marcadoras de ritmo, acompanhando as batidas de pés.

Ticumbi
O Ticumbi é um folguedo existente no Norte do Espírito Santo há mais de 200 anos. A cada ano os grupos elegem um tema, representado em seus cânticos, bailados e evoluções. Os passos da brincadeira são coreografados. A dramatização do auto é simples: o 'Reis de Congo' e o 'Reis de Bamba', duas majestades negras, querem fazer, separadamente, a festa de São Benedito. Há embaixadas de parte a parte, com desafios atrevidos declamados pelos 'Secretários' que desempenham o papel de embaixadores.

Por não ser possível qualquer acordo ou conciliação, trava-se a guerra - agitada luta bailada entre os dois rivais. Como é tradição, o 'Reis de Congo' consagra-se vencedor, submetendo o 'Reis de Bamba' e seus vassalos ao batismo. O auto termina com a festa em homenagem a São Benedito, quando então, os componentes cantam e dançam o Ticumbi.

Para apresentar o Ticumbi, o grupo se veste a caráter. Os integrantes usam longas batas brancas e rendadas, com traspasse de fitas coloridas e calças compridas brancas com friso lateral vermelho. A cabeça é coberta por um lenço branco, um vistoso capacete enfeitado de flores de papel de seda e fitas longas de várias cores. Os reis usam coroas de papelão, ricamente ornamentadas com papel dourado ou prateado, peitoral vistoso com espelhinhos e flores de papel brilhante, capa comprida, e, na mão ou na cinta, longa espada.

O ritmo das encenações é regido por pandeiros e chocalhos de lata, chamados de 'ganzás' ou 'canzás'. A viola dá o tom no momento que os guerreiros cantam

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(( Minas Gerais ))

Congado
O congado reúne os Grupos de Moçambique, Catopés, Congo, Marujada, Caboclos, Vilão e Candombe. Escravos trazidos da África buscavam, através de rituais, extrapolar seus sentimentos e culto a sua fé. O Congado nasceu da fusão destes ritos com a religião católica, imposta aos negros pela Igreja, surgindo novas histórias que envolviam, sobretudo, Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Ifigênia, Nossa Senhora das Mercês e Nossa Senhora da Aparecida

Cavalhada
Herança das tradições da Cavalaria Medieval, a cavalhada representa os combates, torneios, lendários e gestas oriundas das guerras travadas entre mouros e cristãos. Geralmente participam dois grupos, a cavalo, com os cavaleiros vestidos e azul e vermelho, cada um representando os grupos antagônicos.

Realizada ao ar livre, mobiliza muitas pessoas entre reis, rainhas, príncipes e princesas, embaixadores, capitães e tenentes, nobres, damas, cavaleiros e lacaios, todos ricamente vestidos e portando espadas, pistolas e lanças

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(( São Paulo ))

Caiapó
Folguedo formado por grupos de homens fantasiados de índios com seus cocares, arcos e flechas que se apresentam na forma de uma dança-cortejo. O objetivo é realizar uma dramatização do embate entre os bandeirantes e os índios. As evoluções são comandadas pelo mestre que usa um apito.

Apesar da referência indígena, essa manifestação cultural não tem nenhuma relação com os caiapós, grupo indígena do norte do Brasil. No estado de São Paulo é representado em poucas cidades, como São José do Rio Pardo, Piracaia e Ilhabela, principalmente no período carnavalesco.

Fandango
Refere-se a alguns tipos de danças de grupos cujo ponto de semelhança é o bater dos pés . Geralmente, é executado apenas por homens que calçam esporas de grandes rosetas. É executado em forma de sapateado intenso. São formadas duas alas que ficam frente a frente e os participantes executam suas evoluções acompanhadas de violas, sanfonas e pandeiros.

Existem vários grupos de fandango formados ao longo da rota do tropeirismo, como Capela do Alto, Sorocaba e Tatuí. O festival de Folclore em Olímpia também é palco de diversas apresentações de grupos. No litoral sul de São Paulo, também costuma ser a denominação para bailes de arrasta-pés. No litoral norte é chamado de chiba.

Os estilos mais conhecidos dessa dança são:

-Fandango de tamancos
É executado entremeando os fortes sapateados e palmeados com os queromanas, as modas que relatam aspectos da vida rural, com possibilidades para improvisos. O acompanhamento se dá com pé de bode (sanfona de oito baixos) e/ou violas. A maior característica é o uso de tamancos de madeira de laranjeira, cujos calcanhares possuem pequenas fendas que reverberam o som do sapateado.

Sua origem vem da Península Ibérica e servia de diversão nas pousadas dos tropeiros no interior paulista. Podemos ver exemplos dessa modalidade, dentro do Estado de São Paulo, em Olímpia, em Ribeirão Grande em Capão Bonito.

-Fandango de chilenas
As chilenas são esporas não dentadas, atadas à botas dos tropeiros paulistas, tendo apenas a função de enfeitar o calçado e servir como instrumento de percussão, tal como um guizo, durante o sapateado. Também tem origem espanhola e era muito praticado pelos tropeiros. O sapateado é acompanhado por violas, assim como outras modalidades de fandango. A dança lembra gestos e nomes que fazem referência ao cotidiano dos tropeiros.

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(( Rio de Janeiro ))

Cirandas de Paraty
Baile popular que acontece na vila de pescadores de Tarituba, distrito de Paraty. Dança onde os homens sapateiam com tamancos de madeira e as mulheres rodopiam com suas saias rodadas. As cirandas são compostas de um conjunto de danças: “Chiba Cateretê”, “Flore do Mar”, Caranguejo”, “Ciranda” e “Tontinha”.

Esfinge Carioca
Uma lenda indígena diz que o gigante da Pedra da Guanabara foi um índio que assassinou uma jovem índia. Como castigo, Nhanderú o transformou em pedra e o obrigou a vigiar a Baía. Alguns pescadores afirmam que, às vezes, levanta-se e vai passear. Para tal empreendimento, chama as nuvens e cobre os morros para ninguém notar a sua ausência

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Por: Ramon Andrade
Salvador / BA
Diretor Geral do Visite o Brasil.
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São Paulo - Fandango - Grupo folclórico de chilenas -Aldeia da Serra-Sp
São Paulo - Caiapó - Foto: Nair Benedito
Rio de Janeiro - Esfinge carioca - Foto: Slideshare.net
Rio de Janeiro - Ciranda de Paraty-Rj - Foto: Ricardo Gaspar
Minas Gerais - Congado - Foto: Minas em Foco-Mg
Minas Gerais - Cavalhada - Foto: Fernando Helbert (Prefeitura de Ouro Preto-Mg
Espirito Santo - Ticumbi - Foto: Secult-Es
Espirito Santo - Alardo- Foto: Secult-Es
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