A vegetação do Estado de Santa Catarina
pode ser dividida em 5 formações vegetais
distintas:
Vegetação Litorânea
Predominantemente herbácea e arbustiva, abrange agrupamentos
e associações vegetais influenciadas pelo
oceano. Totalmente condicionadadas ao fator edáfico,
são agrupamentos típicos, denominados como
mangues, restingas, dunas e praias.
Mangues
Nas baías, nas reentrâncias do mar e desembocaduras
do rios desenvolvem-se os manguezais, onde predominam espécies
arbustivas e pequenas árvores como: Avicennia schaueriana
(siriúba), predominando principalmente nas Ilhas
de São Francisco do Sul, a Rhizophora mangle (mangue-vermelho),
a Laguncularia racemosa (mangue-branco) e os capins praturás
(Spartina densiflora e Spartina alterniflora). Também
encontram-se neste hábitat a uvira ou algodoeiro-da-praia
(Hibiscus tiliaceus) e a samambaia-do-mangue (Acrostichum
danaefolium).
Restingas
Com fisionomias diversas, em terrenos arenosos mais firmes
e menos ondulados e em áreas posteriores às
dunas, a vegetação pode ser caracterizada
de porte herbáceo a porte arbóreo. Nas restingas
catarinenses, predominam as mirtáceas, destacando-se
com porte arbustivo os gêneros Myrcia, com o exemplar
muito freqüente, o cambuí (Myrcia multiflora)
e Eugenia, com o exemplar guamirim (Eugenia catharinae).
De porte arbóreo, destaca-se a Weinmannia paulliniaefolia,
a Lagara hyemalis e Fuchsia regia.
Dunas
Ocorre predominantemente nas dunas semi-fixas a aroeira-vermelha
(Schinus terebinthifolius) e o pau-de-brugre (Lithraea brasiliensis),
juntamente com a capororoca (Rapanea parvifolia), a maria-mole
(Guapira opposita), o guamirim (Gomidesia palustris), a
caúna (Ilex dumosa) e outras.
Praias
Em solos muito arenosos, destacam-se as espécies
salsa-da-praia (Ipomoea pescaprae), a grama-da-praia (Paspalum
varginatum), o pinheirinho-da-praia (Remirea maritima),
o feijão-boi (Canavalia obtusifolia) e outras.
Floresta Ombrófila Densa (Floresta
Atlântica)
Formação vegetal exuberante, complexa e subdividida
em sub-formações, quanto à composição,
estrutura e aspecto fitofisionômico. Ocupa uma grande
parte do estado, margeando o Oceano Atlântico e ao
mesmo tempo estendendo-se em direção ao interior,
no Vale do Itajaí. Ao norte da costa catarinense,
bem como no Vale do Itajaí, as encostas são
muito íngremes, formando vales estreitos e profundos,
cobertos por densa floresta até quase o alto. Nos
topos dos morros há uma vegetação bem
característica, conhecida como “mata nebular”.
A Floresta Atlântica é formada por grupos
arbóreos densos, intercalados por diversos estratos
compostos por árvores, arvoretas e arbustos. A seqüência
segue com o estrato das árvores, arvoretas, arbustos
e por último o estrato herbáceo. Apresenta
ainda uma diversidade de epífitas, representadas
pelas bromeliáceas, orquidáceas, aráceas,
piperáceas, gesneriáceas, cactáceas
e diversas famílias de samambaias (Pteridófitas)
e grande número de lianas lenhosas.
Na subformação das planícies quaternárias,
predominam tipos característicos quanto à
composição e ao aspecto fisionômico.
É representado por espécies como: Tapirira
guianensis (cupiúva), a Ocotea pretiosa (sassafrás),
Nectandra rigida (canela-garuva), Caloplhyllum brasiliense
(guanandi) e Alchornea triplinervea (Tanheiro ). Nas depressões
do terreno e próximo a pequenos cursos de água,
ocorre a Richeria australis (pau-de-santa-rita). Algumas
arvoretas que predominam no estrato médio desta floresta:
Guarea lessoniana (baga-de-morcego), Guatteria dusenii (cortiça),
Pera glabrata (seca-ligeiro).
Nas encostas da Serra do Mar, dominam o estrato das árvores:
Sloanea guianensis (laranjeira-do-mato), Ocotea catharinensis
(canela-preta), Guapira opposita (maria-mole), o Brosimopis
lactescens (leiteiro) e o Chrysophyllum viride (aguaí).
No estrato abaixo dominam a juçara ou palmiteiro
(Euterpe edulis).
Na área compreendida entre os municípios
de Joinville e Campo Alegre, o terreno é irregular
e acidentado, predominado por uma vegetação
caracterizada pela abundância da Nectandra lanceolata
(canela-amarela), a Sloanea lasiocoma (sapopema), e densos
taquarais, onde predomina a Merostachys multiramea (taquara-mansa).
Na encosta centro-norte, baixo vale do Itajaí, predominam
as florestas de encostas, onde as árvores atingem
um desenvolvimento bom devido aos solos profundos. Das árvores
mais importantes destaca-se a Ocotea catharinensis (canela-preta),
com troncos grossos e copas frondosas. Como outras espécies
de importância, a laranjeira-do-mato (Sloanea guinanensis),
o tanheiro (Alchornea triplinervea), o palmiteiro (Euterpe
edulis).
Na parte caracterizada por florestas de encostas íngremes,
a composição é bastante complexa, predominando
a Ocotea catharinensis (canela-preta), associada à
Chrysophyllum viride (aguaí) e ao palmiteiro (Euterpe
edulis). Nas enconstas íngremes (aparados da serra),
nas Serras da Peroba, da Pedra e outras, e em morros, encontra-se
uma vegetação caracterizada pela presença
do Baguaçu (Talauma ovata), maria-mole (Guapira opposita),
peroba-vermelha (Aspidosperma olivaceum), bicuíba
(Virola oleifera), além de adensamentos de palmiteiros.
Na área entre Jaguaruna-Tubarão e o extremo
sul, predominam planícies de sedimentação
marinha e terrestre, onde se presencia uma vegetação
característica , adaptada às condições
edáficas do local. Algumas espécies se sobressaem
como Ficus organensis (figueira-de-folha-miúda),
Myrcia dichrophylla e Myrcia glabra (guamirins). Nos topos
mais elevados, onde o solo é raso e o terreno bastante
inclinado, encontra-se uma vegetação típica
e uniforme, tendo como representantes: Clusia criuva (mangue-de-formiga),
Lamanonia speciosa (guaraperê), Ilex theezans (congonha),
e outras.
Ao longo dos aparados da Serra Geral e nas cristas da Serra
do Mar, com altitudes acima de 1.200 m, presencia-se uma
vegetação que foi formada por correntes eólias
quentes, úmidas e ascendentes da costa atlântica,
caracterizadas pela baixa altura, pela tortuosidade dos
troncos, esgalhamento rijo, galhos repletos de musgos e
encobertas por fortes neblinas.
Floresta Ombrófila Mista (Floresta
com Araucária)
Uma grande parte de Santa Catarina está coberta por
florestas onde o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia)
predomina no estrato superior e caracteriza a região.
Nesta floresta, o estrato superior é composto pelo
pinheiro-do-paraná, seguido por um estrato abaixo
dominado pelas Lauráceas formando uma cobertura densa.
Nas imediações da Bacia Pelotas-Canoas, a
vegetação caracteriza-se por manchas de florestas
intercaladas por campos. Suas concentrações
maiores se localizam perto dos grandes rios, vales e encostas,
enquanto que nos terrenos ondulados predominam os campos
e capões. Na zona dos Campos de Lages, predominam
as canelas, Ocotea pulchella (canela-lajeana), Nectandra
lanceolata (canela-amarela), Nectandra grandiflora (canela-fedida)
e Cryptocarya aschersoniana (canela-fogo).
Há um pequeno grupo de árvores que crescem
nas submatas dominadas pela canela-lajeana, como o camboatá
(Matayba aelaegnoides), o miguel-pintado (Cupania vernalis),
a pimenteira (Capsicodendron dinisii) e outras. No extremo
oeste, no estrato abaixo do pinheiro-do-paraná, encontram-se
o angico-vermelho (Parapiptadenia rigida), a grápia
(Apuleia leiocarpa) e outras.
De 700 a 1.200 metros de altitude, verifica-se o predomínio
de espécies que preferencialmente ocorrem em solos
rasos e próprios de encostas abruptas. Às
vezes intercalando-se à vegetação arbórea
rala, há extensos campos secundários, formados
por gramíneas. Essa área é denominada
de faxinal, composta por uma vegetação típica,
rala, com árvores menores e irregulares, acompanhados
por taquarais e carazais no estrato abaixo. Algumas espécies
características desta formação são
guamirins (Myrceugenia cuosma), vassourão-branco
(Piptocarpha angustifolia), capororocas (Rapanea umbellata),
orelha-de-gato (Symplocos spp.), pau-toucinho (Vernonia
discolor), pessegueiro-brabo (Prunus sellowii).
Campos
Ocorrem em Santa Catarina campos limpos e campos
sujos. Nos campos predominam agrupamentos herbáceos
formados por Gramíineas, Ciperáceas, Leguminosas
e Verbenáceas que caracterizam a fisionomia. Predominam
certas espécies como: Baccharis gaudichaudiana (carqueja-do-campo)
e Baccharis uncimella (vassoura-lajeana). Entre as gramíneas
mais comuns: capim-caninha (Andropogon lateralis), capim
forquilha (Paspalum notatum), capim-pluma (Andropogon macrothrix),
capim-serenado (Eragrostis polytricha), e o capim-barba-de-bode
(Aristida pallens).
Ao longo dos Rios Negro e Iguaçu, caracterizam-se
os campos edáficos ou de inundação,
os terrenos são baixos e planos. Predominam as gramíneas,
ciperáceas, verbenáceas e compostas.
Na floresta nebular, encontram-se manchas de campos com
características próprias, os campos de altitude.
Além das ciperáceas e gramíneas, ocorrem
turfeiras, formadas por musgos .
Floresta Estacional Decidual
Acompanhando o Rio Uruguai, de 600 a 800 metros
de altitude, apresenta-se uma floresta totalmente isenta
de pinheiro-do-paraná e com estrutura distinta, compostas
por árvores deciduais como Apuleia leiocarpa (grápia),
a Parapiptadenia rigida (angico), a timbaúva (Enterolobium
contortisiliquum) e outras. Sob esta cobertura, caracteriza-se
uma formação densa formada por árvores
perenifólias, predominando as canelas.O estrato das
arvoretas é uniforme, predominando a laranjeira-do-mato
(Actinostemon concolor) e a sororoca (Sorocea bomplandii).