O Rio Grande do Sul pode ser considerado homogêneo
em relação à distribuição
das cidades em seu território, com exceção
da Grande Porto Alegre, que concentra 4.200.000 habitantes
aproximadamente
A "Cascata do Caracol", em Canela.Ao analisarmos
as 22 regiões do estado, constata-se que sete apresentam
crescimento acima da média estadual, estando seis
delas situadas no eixo Porto Alegre-Caxias do Sul. Isto
indica uma concentração populacional cada
vez mais intensa nas regiões em torno deste eixo.
A região do Paranhana-Encosta da Serra, com 2,94%,
seguida do Litoral, com 2,83% são as que possuem
as taxas mais altas do estado. Quinze cresceram a taxas
inferiores à média ou apresentaram taxas negativas.
As Missões, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial
e Médio Alto Uruguai apontam para uma perda significativa
de população com taxas entre 0,04% e 0,86%.
O crescimento vegetativo está em torno de 1.1% ao
ano, tem uma população referente a 10.978.587
em 2006 e é, segundo o IBGE, composto por:
Etnias
O Rio Grande do Sul é um dos estados mais europeizados
do Brasil, e tem sua população derivada sobretudo
da imigração e colonização européia
do século XIX. Os principais imigrantes foram os
portugueses, italianos e alemães, somados aos ameríndios
e escravos africanos. Podemos citar entre os grupos de imigrantes
minoritários: espanhóis, poloneses, russos,
judeus, árabes, japoneses, argentinos, uruguaios,
entre outros.
Cor/Raça Porcentagem[5]
Brancos 84,7%
Negros 5,2%
Pardos 10,4%
Amarelos ou Indígenas 0,4%
Milicianos, portugueses e espanhóis
Château d'Eau e Catedral de Cachoeira do SulAnteriormente,
no século XVIII, o Rio Grande do Sul era uma região
disputada entre portugueses e espanhóis. A ocupação
iniciou-se de fato com os milicianos, que eram tropeiros
de São Paulo e Minas Gerais, sendo reforçada
com a vinda de casais açorianos na década
de 1750. Essa imigração açoriana foi
promovida pela Coroa Portuguesa, para estabelecer o domínio
português na região.
Os espanhóis introduziram a criação
de gado, que rapidamente tornou-se a economia predominante
no Rio Grande do Sul. A população se concentrava
nos pampas, tendo havido uma fusão de costumes espanhóis,
portugueses e indígenas, que deram origem ao tipo
regional gaúcho. Embora o gaúcho fosse mais
português que espanhol, a influência cultural
vinda dos países vizinhos tornaram os gaúchos
dos pampas bastante hispanizados, a ponto de falarem um
dialeto que misturava elementos espanhóis e portugueses.
Povos ameríndios
No estado existiu a presença de três grandes
grupos indígenas: guaranis, pampeanos e gês.
Antes e mesmo depois da chegada dos europeus, esses grupos
indígenas empreenderam movimentos migratórios
característicos de seu modo de vida semi-nômade.
Os guaranis ocupavam as margens da laguna dos Patos, o litoral
norte do Rio Grande do Sul, as bacias dos rios Jacuí
e Ibicuí, incluindo a região dos Sete Povos
das Missões. Apesar da variedade de dialetos, o tupi-guarani
era o tronco lingüístico comum a esses grupos
indígenas. Os pampeanos constituíram um conjunto
de tribos que ocupavam o sul e o sudoeste do estado. Os
gês possivelmente eram os mais antigos habitantes
da banda oriental do rio Uruguai. É provável
que essas tribos começaram a se instalar na região
por volta do século II a.C. Os gês do atual
Rio Grande do Sul foram dizimados pelos bandeirantes, guaranis
missioneiros, colonizadores portugueses e ítalo-germânicos.
Ainda hoje existem pequenos grupos que vivem nas reservas
de Nonoai, Iraí e Tenente Portela, e que lutam para
manter suas identidades. São eles os mbyás-guaranis
e os caingangues (ou kaingang).
Escravos africanos
As pessoas escravizadas de origem africana começaram
a ser levadas em maior número ao estado do Rio Grande
do Sul a partir do final do século XVIII, com o desenvolvimento
das charqueadas e chegaram a representar metade da população
rio-grandense em 1822. Eram em sua maioria originários
de Angola. O Rio Grande foi o segundo estado brasileiro
em número de escravos na primeira metade do século
XIX, perdendo apenas para a Bahia. Todavia, grande parte
dessa população afro-gaúcha iria morrer
durante a Guerra do Paraguai e a Guerra dos Farrapos, chegando
a cair de 50% em 1822, para 25% do total da população
da província em 1858. Outro fator importante para
a dimuição da participação dos
negros na população gaúcha, durante
o século XIX, foi o tráfico interno. Com o
bloqueio inglês do tráfico negreiro no Oceano
Atlântico, foi natural a transferência de escravos
de estados com economias que não necessitavam de
muita mão de obra, como a gaúcha, para estados
cafeeiros, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Imigrantes alemães
Parque Histórico da cidade de Lajeado.A população
do Rio Grande do Sul não passava de 100 mil pessoas
no ano da Independência do Brasil, composta por estancieiros
e seus escravos, sendo a grande maioria concentrada na região
dos pampas ou na região de Porto Alegre. Preocupado
com a escassez de habitantes e a cobiça dos países
vizinhos sobre o Sul do Brasil, o Imperador Dom Pedro I
resolveu atrair imigrantes para a região. Casado
com a princesa austríaca Dona Leopoldina, o imperador
optou pelos imigrantes alemães, conhecidos por serem
trabalhadores e guerreiros. O major Antonio Schaffer foi
mandado para a Alemanha e ficou responsável por encontrar
pessoas que estivessem dispostar a imigrar para o Brasil.
Nos arredores de Hamburgo, o major agrupou 9 famílias,
ao todo 39 pessoas que, após vários dias de
viagem, chegaram ao Rio de Janeiro e mais tarde foram encaminhadas
para o Rio Grande do Sul. Os primeiros alemães chegaram,
ao que seria atualmente a cidade de São Leopoldo,
a 25 de julho de 1824. Foram-lhes prometidos 50 hectares
de terra para cada família, além de porcos,
cavalos e sementes para que pudessem se desenvolver. Apenas
as terras foram dadas, sendo os alemães prontamente
abandonados à própria sorte nos primeiros
anos. A região era coberta por florestas e os imigrantes
tinham que construir suas própias casas e desenvolver
a terra para sua sobrevivência. Nos primeiros 6 anos,
entraram no Rio Grande do Sul 5.350 alemães. Apesar
de abandonados pelo governo brasileiro, os colonos se expandiram
por toda a região do Vale do Rio dos Sinos, mantendo-se
distantes dos estancieiros gaúchos que estavam à
procura de mão-de-obra barata para criar o gado.
Nos primeiros 50 anos de colonização, foram
introduzidos mais de 30 mil alemães no Rio Grande
do Sul. Eles se agruparam em diversas colônias rurais,
dependendo da região de origem. Porém, com
o passar do tempo, houve a mistura de alemães das
mais diversas partes da Alemanha. As colônias nasceram
principalmente na beira de rios, e ali nascia um novo Rio
Grande do Sul, totalmente diferente do mundo gaúcho.
Os colonos alemães criaram em terras brasileiras
o ambiente que deixaram na Alemanha, mantendo a língua
alemã e as tradições germânicas.
Mas, com o decorrer da colonização, inevitavelmente
os colonos alemães passaram a ter contato com a população
gaúcha, ocorrendo o fenômeno do abrasileiramento
desses imigrantes.
Na região do Vale dos Sinos, os alemães deram
os primeiros passos da indústria brasileira. Ali
foram criadas fábricas de sapatos, têxtil e
de algodão, principalmente para o mercado regional.
Imigrantes italianos
Catedral de Bento Gonçalves.Em 1870, o governo do
Rio Grande do Sul criou colônias na região
das Serras gaúchas e esperava-se atrair 40 mil imigrantes
alemães para que ocupassem a região. Porém,
as notícias de que os alemães estavam enfrentando
problemas no Brasil fizeram com que cada vez menos imigrantes
viessem da Alemanha. Isso obrigou o governo a procurar por
uma nova fonte de imigrantes: os italianos. Em 1875, chegou
o primeiro grupo, oriundo da Lombardia, que se estabeleceu
em Nova Milano. Mais grupos, vindos principalmente da região
do Vêneto, mas também do Trentino e do Friuli,
se instalaram na região onde atualmente estão
as cidades de Garibaldi, Bento Gonçalves, Farroupilha
e Caxias do Sul. Depois alguns grupos se deslocaram para
as regiões de Encantado, Guaporé, Serafina
Corrêa e Casca, e, posteriormente, para a região
de Santa Maria, Vale Vêneto, Nova Treviso e Silveira
Martins. Ali eles passaram a viver da plantação
de milho, trigo e outros produtos agrícolas, porém,
a introdução do cultivo de vinho na região
tornou a vinicultura a principal economia dos colonos italianos.
De 1875 a 1914, cerca de 100 mil italianos foram introduzidos
no Rio Grande do Sul. A colonização italiana
foi efutuada no alto das serras, pois as terras baixas já
estavam ocupadas pelos alemães. Assim, nas regiões
altas do Rio Grande do Sul, a cultura de origem italiana
predomina.
Comunidade judaica
A comunidade judaica do Rio Grande do Sul é a terceira
maior do Brasil, depois das de São Paulo e Rio de
Janeiro. A comunidade judaica gaúcha forma uma minoria
inserida e integrada na sociedade rio-grandense. Este grupo
social está concentrado, em sua grande maioria, em
Porto Alegre, e é composto de um grande número
de profissionais liberais, empresários e diversos
membros que se destacam nas áreas culturais, artística
e acadêmica. Existem comunidades organizadas no interior
do Estado, as maiores se encontram nas cidades de Santa
Maria, Passo Fundo, Erechim e Pelotas.
Línguas minoritárias
Além do português, no Rio Grande do Sul também
são faladas outras línguas como o kaingang
ou o mbyá-guaraní, de povos autóctones.
Considerável parte do povo gaúcho, em geral
os descendentes de imigrantes alemães e italianos,
dentre outros, também falam os seguintes idiomas:
Faixa Etária Estado (por 1000 hab)
De 10 a 14 anos 98,8
De 15 a 19 anos 97,0
Acima de 19 anos 90,4
Taxa de Analfabetismo no estado 4,8
De 7 a 14 anos 98,0% está na escola
latifundiários gaúchos que habitavam os pampas.
Até 1850, os alemães ganhavam facilmente as
terras e se tornavam pequenos proprietários, porém,
após essa data, a distribuição de terras
no Brasil tornou-se mais restrita, impedindo a colonização
de ser efetuada nas proximidades do Vale dos Sinos. A partir
de então, os colonos alemães passaram a se
expandir, buscando novas terras em lugares mais longes e
levando a cultura da Alemanha para diversas regiões
do Rio Grande do Sul.
A colonização alemã se expandiu nas
terras baixas, parando nas encostas das serras. Quem colonizou
as serras do Rio Grande do Sul foram outra etnia: os italianos.
Imigrantes vindos da Itália começaram a se
estabelecer nas Serras Gaúchas a partir de 1875.
A oferta de terras era mais retrista, pois a maior parte
já estava ocupada pelos gaúchos ou por colonos
alemães. Os italianos trouxeram seus hábitos
e introduziram na região a vinicultura, ainda hoje
a base da economia de diversos municípios gaúchos.