As ruínas jesuítas de São Miguel
das Missões. Patrimônio da Humanidade desde
1983 no estado do Rio Grande do Sul.Em 1627, jesuítas
espanhóis criaram missões, próximas
ao rio Uruguai, mas foram expulsos pelos portugueses, em
1680, quando a coroa portuguesa resolveu assumir seu domínio,
fundando a Colônia do Sacramento. Os jesuítas
portugueses estabeleceram, em 1687, os Sete Povos das Missões.
Em 1737, uma expedição militar portuguesa
comandada pelo brigadeiro José da Silva Paes foi
enviada para garantir aos lusitanos a posse de terras no
Sul, objeto de disputa entre Portugal e Espanha.
Ponto geográfico estratégico para a fixação
do domínio lusitano, a Barra do Rio Grande de São
Pedro constituía-se no local ideal para que lá
se instalasse um reduto militar com acesso marítimo
ao interior, e em meio caminho entre Laguna e a Colônia
do Sacramento.
Em 1737, o Brigadeiro José da Silva Paes transpôs
a Barra do Rio Grande de São Pedro, ali fundando
o presídio do Rio Grande, e erguendo o Forte Jesus,
Maria e José. A foz da Lagoa dos Patos, no Oceano
Atlântico, considerada erroneamente como rio, foi
a origem do nome da primeira povoação do Rio
Grande do Sul, a atual cidade do Rio Grande.
Batalha dos Farrapos, óleo sobre tela de José
Washt Rodrigues.Em 1742, os colonizadores fundaram a vila
de Porto dos Casais, depois chamada Porto Alegre. As lutas
pela posse das terras, entre portugueses e espanhóis,
tiveram fim em 1801, quando os próprios gaúchos
dominaram os Sete Povos, incorporando-os ao seu território.
Em 1807, a área foi elevada à categoria de
capitania. A cidade de Viamão antecedeu Porto Alegre
como sede do governo. Grupos de imigrantes alemães
começaram a chegar a partir de 1824 e de italianos
após 1875.
O Rio Grande do Sul, em meados de 1880, apresentava uma
economia de caráter fundamentalmente agropecuário,
dividida em duas matrizes socioeconômicas: a atividade
ligada à pecuária e ao charque na região
da Campanha (sul do estado) e a agricultura e o artesanato
colonial na Serra (norte do estado). Contudo, a produção
de ambas as matrizes dirigia-se para um destino comum: abastecer
o mercado interno brasileiro de alimentos, dando ao Rio
Grande do Sul a famosa denominação de “celeiro
do Brasil”. O estado estava integrado assim em uma
divisão regional do trabalho do Brasil: como estado
periférico, produzia alimentos e matérias-primas
(como o couro) para a atividade agroexportadora no Brasil
central. Como o estado produzia bens de baixo valor em um
mercado altamente competitivo, a acumulação
de capital era relativamente mais baixa no Rio Grande do
que no resto do Brasil. Podem-se encontrar nas cidades os
famosos CTGs (Centro de Tradições Gaúchas)
onde cultivam-se as tradições do estado.
"O Laçador", famosa estátua gaúcha
encontrada em Porto Alegre.Contudo, o setor mais progressista
da economia sul-rio-grandense daquela época já
se tornava a agricultura colonial, a qual apresentava um
grande potencial de capitalização, incentivando
assim o desenvolvimento das atividades comerciais e industriais
no estado.
Durante o século XIX, o Rio Grande do Sul foi palco
de revoltas federalistas, como a Guerra dos Farrapos (1835-45),
e participou da luta contra Rosas (1852) e da Guerra do
Paraguai (1864-70). As disputas políticas locais
foram acirradas no início da República e só
no governo de Getúlio Vargas (1928) o estado foi
pacificado.
A economia gaúcha na República Velha não
apresentou uma brusca ruptura em relação às
suas características no período do Império.
Isto é, o Rio Grande do Sul continuou inserido na
divisão regional do trabalho, na economia brasileira:
encarregava-se primordialmente de abastecer o mercado interno
nacional, com especial atenção à região
agroexportadora cafeeira, de bens de base primária,
como o charque, produtos agrícolas coloniais e o
couro, usados como alimentos e matérias-primas. Porém,
o crescimento econômico estadual enfrentava barreiras
muito restritivas nessa época: do lado da pecuária,
por essa atividade ter sido explorada de maneira meramente
extensiva, o crescimento era limitado pela expansão
de apenas dois fatores – terra e gado – os quais,
por serem mas específicos do que fatores produtivos
como capital e mão-de-obra, eram relativamente mais
escassos. Do lado da agricultura, mas afetando também
a pecuária, o crescimento da produção
rio-grandense estava vinculado à expansão
da demanda interna brasileira por bens primários,
sendo por isso limitado às necessidades do mercado
interno brasileiro.