Durante o século XVI, o Paraná não
despertava grande interesse nos portugueses que vinham para
o Brasil. Os espanhóis fundaram alguns núcleos
de povoamento que não se desenvolveram. No século
XVII, os bandeirantes descobriram ouro no Paraná e,
para extraí-lo, tentaram escravizar e catequizar os
indígenas locais. O Tratado de Madri, assinado em 1750,
deu à Coroa portuguesa a posse do Paraná, que,
então, integrava a capitania de São Paulo.
No século XVII, descobriu-se na região do
Paraná uma área aurífera, anterior
ao descobrimento das Minas Gerais, que provocou o povoamento
tanto no litoral quanto no interior. Com o descobrimento
das Minas Gerais, o ouro de Paranaguá perdeu a importância.
As famílias ricas, que possuíam grandes extensões
de terra, passaram a se dedicar à criação
de gado, que logo abasteceria a população
das Minas Gerais. Mas apenas no século XIX as terras
do centro e do sul do Paraná foram definitivamente
ocupadas pelos fazendeiros.
No fim do século XIX, a erva-mate dominou a economia
e criou uma nova fonte de riqueza para os líderes
que partilhavam o poder. Com o aparecimento das estradas
de ferro, ligando a região da araucária aos
portos e a São Paulo, já no final do século
XIX, ocorreu novo período de crescimento.
A partir de 1850, o governo provincial de São Paulo
empreendeu um amplo programa de colonização,
especialmente de alemães, italianos, poloneses e
ucranianos, que contribuíram decisivamente para a
expansão da economia paranaense e para a renovação
de sua estrutura social.
O Paraná era parte da província de São
Paulo, da qual se desmembraria apenas em 1853. Nessa época,
a produção de café começou a
ganhar destaque. O rápido desenvolvimento da cultura
cafeeira atraiu milhares de imigrantes das províncias
do Sul, do Sudeste e do Nordeste do país.
O principal conflito ocorrido no Paraná foi a Guerra
do Contestado (1912-1916), um dos eventos mais significativos
da história do Brasil no século XX, no limite
com o estado de Santa Catarina. Ao longo do século
XX, o Paraná destacou-se pela criação
de empresas agrícolas, muitas vezes de capital estrangeiro,
o que acelerou o processo de concentração
de terras e de renda. Durante as décadas de 1970
e 1980, milhares de pequenos camponeses deixaram o campo
em direção às cidades ou a outros estados
e até países. No final do século XX
e início do XXI, o Paraná atraiu muitos investimentos
externos, e indústrias automobilísticas instalaram-se
no estado.
Primeiros tempos
Até meados do século XVII, litoral sul da
capitania de São Vicente, hoje pertencente ao estado
do Paraná, foi esporadicamente visitado por europeus
que buscavam madeiras de lei. No período de domínio
espanhol, foi estimulado o contato dos vicentinos com a
área do rio da Prata e tornou-se mais freqüente
o percurso da costa meridional, cuja exploração
intermitente também seria motivada pela procura de
índios e de riquezas minerais. Do litoral os paulistas
adentraram-se para oeste, em busca de indígenas,
ao mesmo tempo que, a leste, onde hoje estão Paranaguá
e Curitiba, dedicaram-se à mineração.
As lendas sobre a existência de grandes jazidas de
ouro e prata atraíram à região de Paranaguá
numerosos aventureiros. O próprio Salvador Correia
de Sá, que em 1613 assumira a superintendência
das minas do sul do Brasil, ali esteve durante três
meses, enquanto trabalhava com cinco especialistas que fizera
vir de Portugal. Não encontrou, porém, nem
uma onça de ouro. Sob o governo do marquês
de Barbacena, foi para lá enviado o espanhol Rodrigo
Castelo Blanco, grande conhecedor das jazidas do Peru, que
em 1680 escreveu ao rei de Portugal para também desiludi-lo
de vez sobre a lenda das minas de prata.
No fim do século XVII, abandonados os sonhos de
grandes riquezas minerais, prosseguiu a cata do ouro de
aluvião, dito "de lavagem", mediante a
qual os escassos habitantes do lugar procuravam recursos
para a aquisição de produtos de fora. Os índios
que escapavam ao extermínio eram postos na lavoura.
Os escravos africanos começaram a ser utilizados
no século XVIII e já em 1798 o censo revelava
que seu número, em termos relativos, superava o dos
índios.
A vila de Paranaguá, criada por uma carta régia
de 1648, formou com o seu sertão - os chamados campos
de Curitiba, a quase mil metros de altitude - uma só
comunidade. Prevaleceu em Paranaguá o cultivo das
terras e, nos campos, a criação de gado. Pouco
a pouco, Curitiba, elevada a vila em 1693, transformou-se
no principal núcleo da comunidade paranaense, e para
isso foi fator decisivo a grande estrada do gado que se
estabeleceu entre o Rio Grande do Sul e Sorocaba.
E Castro foi a primeira capital do Paraná, logo
depois assim, foi nomeado Curitiba .
Ciclo das tropas
Monumento ao Tropeiro na cidade da Lapa (PR).A
descoberta das minas de ouro de Minas Gerais teve como uma
de suas conseqüências a grande demanda de gado
eqüino e vacum. Recorreu-se então aos muares
xucros da região missioneira do sul, tocados pela
estrada Viamão-Sorocaba, aberta em 1731. Segundo
Brasil Pinheiro Machado, a construção dessa
estrada foi "acontecimento relevante na história
paranaense. Desligou Curitiba do ciclo litorâneo,
distanciando-a socialmente de Paranaguá e incorporando-a
ao sistema histórico das guerras de fronteira, dando-lhe
oportunidade de uma marcha para o sul, para o norte e para
oeste, de maneira que Curitiba passa a significar o caráter
de toda a região que será a futura província".
Inaugurava-se assim o ciclo das tropas na história
paranaense, que se estendeu até a década de
1870, quando começou a era do transporte ferroviário.
Numerosos habitantes dedicaram-se ao rendoso negócio
de comprar muares no sul, inverná-los em seus campos
e revendê-los nas feiras de Sorocaba. Foi essencialmente
com a disseminação das fazendas de criação
e invernagem que se fez a ocupação do território.
Com base na propriedade das pastagens e no trabalho de escravos
negros e índios, estabelecem-se as famílias
que detêm o poder regional.
Expansão da atividade pastoril
Em princípio do século XIX, com o recrudescimento
da guerra no sul, tornou-se necessária, como parte
da estratégia portuguesa, a ocupação
das terras que pelo Tratado de Madri pertenciam a Portugal,
mas permaneciam abandonadas desde a destruição
das missões jesuíticas pelos bandeirantes.
Com o tríplice objetivo de ocupar o território,
subjugar os índios e abrir caminho para as missões,
em junho de 1810 uma operação militar atingiu
os campos de Guarapuava, que logo a seguir foram doados
em sesmarias. Os índios capturados foram distribuídos
"pelos mais abonados moradores" e três décadas
depois a região estava ocupada. Tratava-se então
de conquistar aos indígenas os campos de Palmas,
o que foi feito em 1839 por duas sociedades particulares,
rivais, que recorreram à arbitragem para evitar choque
armado entre seus componentes. Completou-se assim em meados
do século XIX, e graças à atividade
pastoril, a ocupação dos campos do interior.
Província do Paraná
A Rua XV de Novembro, em CuritibaPor alvará de 19
de fevereiro de 1811, foi criada a comarca de Paranaguá
e Curitiba, pertencente à capitania de São
Paulo. A 6 de julho do mesmo ano a câmara municipal
de Paranaguá dirigiu-se ao príncipe regente
para pedir a emancipação da comarca e a criação
de nova capitania. Dez anos depois, o movimento, liderado
por Floriano Bento Viana, formulou abertamente sua reivindicação
separatista, mas ainda sem obter êxito.
Apesar da atividade política expressa em sucessivas
diligências e petições que tinham em
vista a emancipação político-administrativa,
e mesmo após a independência, continuaram os
então chamados "parnanguaras" submetidos
aos comandantes da tropa local, uma vez que o governo provincial
estava longe e desinteressado daquelas terras. A importância
política e estratégica da região avultava
com os anos e evidenciava-se com acontecimentos que repercutiram
no plano nacional, como as revoluções farroupilha,
de 1835 a 1845, e liberal, em 1842.
Paralelamente, a economia paranaense, a par do comércio
de gado, ganhava incremento com a exportação
da erva-mate nativa para os mercados do Prata e do Chile.
Eram feitas promessas de emancipação, enquanto
prosseguiam as representações e a luta no
Parlamento. Finalmente, a 28 de agosto de 1853 foi aprovado
o projeto de criação da província do
Paraná, que teria como capital provisória
(que depois seria confirmada) a cidade de Curitiba.
A 19 de dezembro do mesmo ano chegou à capital Zacarias
de Góis e Vasconcelos, primeiro presidente da província,
que desde logo se empenhou em tomar medidas destinadas a
impulsionar a economia local e conseguir recursos para as
ações administrativas que se faziam necessárias.
Procurou encaminhar para outras atividades, mormente de
lavoura, parte da mão-de-obra e dos capitais que
se empregavam no preparo e comércio da erva-mate.
O mais lucrativo negócio da província continuava
a ser, no entanto, a invernada e a venda de muares para
São Paulo. Essa atividade chegou ao ponto mais alto
na década de 1860 e só entrou em declínio
no final do século.
Durante o período provincial, o governo do Paraná
não alcançou a necessária continuidade
administrativa, já que a presidência da província,
de livre escolha do poder central, teve nada menos de 55
ocupantes em 36 anos. Os liberais paranaenses organizaram-se
sob a liderança de Jesuíno Marcondes e seu
cunhado Manuel Alves de Araújo, pertencentes à
família dos barões de Tibagi e Campos Gerais,
na época a mais poderosa oligarquia na região.
Os conservadores eram chefiados por Manuel Antônio
Guimarães e Manuel Francisco Correia Júnior,
de famílias que controlavam o comércio do
litoral.
Crise na sociedade pastoril
A decadência do comércio de muares acarretou
crise em toda a sociedade pastoril do Paraná. O grande
patrimônio indiviso da família patriarcal,
que abrangia vários núcleos familiares, já
não podia prover a subsistência de todos. Filhos
de fazendeiros emigraram para as cidades, para São
Paulo e para o Rio Grande do Sul. Desde o início
do século XIX o Paraná vinha recebendo imigrantes,
dentro da política de preenchimento dos vazios demográficos.
Eram açorianos, alemães, suíços
e franceses, mas em pequeno número e sem condições
de prosperidade.
Em meados daquele século, embora contasse com uma
população de cerca de sessenta mil habitantes,
o Paraná continuava, do ponto de vista humano, um
deserto irregularmente interrompido por dezenove pequenos
oásis situados a distâncias imensas uns dos
outros, distâncias literalmente intransponíveis,
pois, além dos "caminhos históricos",
que dentro em pouco se saberia não serem os "caminhos
econômicos", nada havia que se pudesse chamar
de rede de comunicações.
Esses dezenove oásis eram representados pelas duas
cidades (Curitiba e Paranaguá); pelas sete vilas
(Guaratuba, Antonina, Morretes, São José dos
Pinhais, Lapa, Castro e Guarapuava); pelas seis freguesias
(Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa, Jaguariaíva,
Tibagi e Rio Negro) e pelas quatro capelas curadas (Guaraqueçaba,
Iguaçu, Votuverava e Palmas).
Curitiba tinha, na época, seis mil habitantes, e
Paranaguá, 6.500. A população das vilas,
freguesias e capelas oscilava, em geral, entre mil e cinco
mil habitantes, de forma que a densidade efetiva, nos centros
urbanos incipientes, era bem maior do que a média
estatística (0,3 pessoa por quilômetro quadrado)
faria supor. Em compensação, na maior parte
do território o vazio era absoluto. Eram os campos
gerais, a floresta, e a serra do Mar.
Colonização
Descendentes de ucranianos na cerimônia de
benção dos alimentos na véspera da
Páscoa de 2006, em Curitiba.Na segunda metade do
século XIX estimulou-se um tipo de colonização
orientada para a criação de uma agricultura
que suprisse as necessidades de abastecimento. Providências
conjuntas dos governos imperial e provincial permitiram
o estabelecimento de núcleos coloniais nas proximidades
dos centros urbanos, sobretudo no planalto de Curitiba,
constituídos de poloneses que se instalaram principalmente
na região norte de Curitiba formando bairros como
Santa Cândida, Tingui e outros da região, alemães,
italianos deram origens a bairros nobres como Santa Felicidade
e também a cidades da região metropolitana
como São José dos Pinhais e Colombo que foi
a maior colônia italiana do Paraná no final
do século XIX até o século XX e, em
grupos menores, suíços, franceses e ingleses.
Esses contingentes de imigrantes imprimiram à fisionomia
étnica do Paraná uma notável variedade
e em alguns lugares do Paraná, por exemplo, na cidade
de Castro e arredores se fala somente o holandês e
em algumas outras regiôes do estado se fala somente
o alemão, italiano, ucraniano, polonês e até
o japonês sem contar as línguas nativas de
tribos indígenas.
O número de escravos diminuiu muito, a partir da
metade do século, sobretudo em virtude de venda ou
arrendamento para outras províncias. Um relatório
do presidente do Paraná, em 1867, assinalou que o
imposto arrecadado sobre escravos que seguiam para São
Paulo "era quase igual ao imposto sobre animais".
A vinda de colonos atendia assim ao problema, agravado
pela evasão da mão-de-obra escrava, da escassez
e carestia dos produtos agrícolas. Nas últimas
décadas do século XIX, a construção
de estradas de ferro e linhas telegráficas empregou
colonos trazidos por sociedades de imigração.
Nesse período e no início do século
XX, estabeleceram-se no Paraná mais de quarenta núcleos
coloniais.
República
Desde o manifesto de 1870 ocorreram no Paraná manifestações
esporádicas, e sem organicidade, de simpatia pela
república. Mesmo depois da fundação
dos jornais Livre Paraná, em Paranaguá, e
A República, em Curitiba, e da criação
de clubes republicanos nas duas cidades, o movimento não
chegou a se aprofundar. Alguns paranaenses se destacaram
na campanha republicana, mas fora da província. Na
Assembléia Provincial, contavam os republicanos com
um só deputado, Vicente Machado da Silva Lima, eleito
pelo Partido Liberal, e que foi figura de projeção
nos primeiros anos do novo regime.
O estado sofreu as conseqüências das várias
crises políticas que marcaram os primeiros tempos
da república e somente em abril de 1892 viu promulgada
sua constituição estadual, que vigorou até
a vitória do movimento revolucionário de 1930.
Durante a revolução federalista, o Paraná
foi palco de renhidos combates, já que em seu território
se deu o encontro de tropas federalistas e legalistas. Abandonado
o estado pelos federalistas, fez-se o acerto de contas.
Os "picapaus" assumiram então o poder e
desencadearam a repressão contra os "maragatos".
Apesar de eventuais conciliações, tal divisão
durou até 1930.
A província do Paraná deveria ter os mesmos
limites da antiga comarca, em conseqüência do
que se prolongou até a segunda década do século
XX uma complicada questão de fronteiras com Santa
Catarina, surgida desde a descoberta e ocupação
dos campos de Palmas. Com base na carta régia de
1749, Santa Catarina considerava seu o "sertão"
que correspondia à costa, enquanto o Paraná
se apoiava no princípio do uti possidetis. Com a
república, ambos os estados exerceriam sua competência
de distribuir terras num mesmo território.
Por três vezes Santa Catarina obteve ganho de causa
no Supremo Tribunal Federal, mas o Paraná embargou
as decisões. Nessa área é que se iria
travar a campanha do Contestado. Finalmente, em 1916, por
decisão arbitral do presidente da república,
fez-se a partilha da região em litígio, com
o que ficou encerrada a questão.
Questões agrárias
Em 1920, o Paraná ocupava o 13º lugar em população
no Brasil, com cerca de 700 mil habitantes; em 1960, o estado
havia passado para o quinto lugar, com mais de 4,2 milhões
de habitantes. Esse aumento não se deveu apenas ao
crescimento natural, mas a intensas correntes migratórias
internas, pelas quais se deslocaram habitantes de outros
estados para áreas até então incultas
do Paraná.
Desde o final do século XIX, lavradores paulistas
e mineiros iniciaram a formação de fazendas
de café no norte do estado, rico em terras roxas.
A esse tipo de ocupação veio juntar-se a colonização
dirigida, tanto oficial como particular. Ocorreram também
novas levas de colonos imigrantes, notadamente japoneses,
italianos e alemães, e com a experiência de
empreendimentos semelhantes na Austrália e na África,
em 1924, Lord Lovat visitou o Paraná e três
anos depois obteve do governo uma concessão de 500
mil alqueires de terra no norte do estado. Fundou então
a Paraná Plantation Ltd. que, ao lado da Companhia
de Terras do Norte do Paraná e da Companhia Ferroviária
do Norte do Paraná, executou o plano de colonização
dessa zona. O eixo da operação foi Londrina,
que a partir daí cresceu em ritmo vertiginoso.
Na região dos rios Iguaçu e Paraná,
as matas eram há muito exploradas por empresas que
comercializavam madeira e mate. Desde a década de
1920 ocorria ali a ocupação espontânea
por colonos gaúchos e catarinenses, em geral descendentes
de alemães e italianos. Após a revolução
de 1930, anuladas numerosas concessões de terras,
passou-se, por iniciativa do governo estadual e de particulares,
à ocupação organizada, dirigida para
a agricultura variada e a criação de animais
de pequeno porte.
Revolução de 1930 e intervenção
Deflagrada a revolução em outubro de 1930,
já no dia 5 do mesmo mês seus partidários,
com apoio de forças militares, apossaram-se do governo
estadual paranaense, instalaram um governo provisório
e substituíram as autoridades no interior. As finanças
públicas estavam em completo desequilíbrio
e a economia em crise. Havia ainda a grave questão
das terras devolutas do estado. O general Mário Tourinho,
primeiro interventor, foi substituído no governo
por Manuel Ribas. Este, eleito em 1935, foi confirmado como
interventor pelo Estado Novo, em 1937, e permaneceu no cargo
até 1945.
Na década de 1960, todas as terras do Paraná
já estavam ocupadas, mas, em seu processo de ocupação,
a par do colono que comprava um ou mais lotes, surgiu também
a figura do "posseiro", que tendia a se instalar
no terreno que julgava do estado ou sem dono. Passou a ocorrer
também a venda múltipla, a compra do "não
dono" e a "grilagem" em grande escala. Assim,
a época foi também de conflitos e lutas agrárias,
que se prolongaram por toda a segunda metade do século
XX, sem qualquer solução duradoura no meio
dos avanços da economia e da sociedade.
História recente
À medida que o governo estadual procurava tornar
o Paraná o celeiro agrícola do país
e um produtor de madeira capaz de levar a efeito amplos
reflorestamentos, os conflitos fundiários não
só continuaram como cresceram em intensidade. Centenas
de milhares de pequenos proprietários rurais e trabalhadores
sem terra encenaram um êxodo rural que provocou um
esvaziamento demográfico em mais de cinqüenta
municípios.
Mais tarde, porém, a soja aumentou sensivelmente
o espaço que ocupava. Em 1980, a colheita de soja
atingia o recorde de 2.500kg por hectare, maior do que a
marca norte-americana até então alcançada,
enquanto a de trigo colocava o Paraná no primeiro
lugar nacional, com 57% da produção de todo
o país. Também a indústria dava saltos
expressivos, como a instalação, em 1976, de
uma fábrica de ônibus e caminhões em
Curitiba e o início do funcionamento, em 1977, da
refinaria Presidente Getúlio Vargas. Realizaram-se
ainda nessa época os primeiros grandes melhoramentos
que fizeram da capital paranaense um modelo de novas soluções
urbanísticas: inaugurou-se a primeira parte das ciclovias
da cidade e surgiu o sistema de ônibus expressos.
Aumentaram, no entanto, as disputas de terra, até
mesmo em reservas indígenas, assim como denúncias
de graves perturbações ambientais causadas
pelo crescente número de barragens para construção
de usinas hidrelétricas--nos rios Iguaçu,
Paranapanema, Capivari e Paraná. Em 1982, o desaparecimento
do salto de Sete Quedas, imposto pela necessidade de formar
o imenso reservatório da represa de Itaipu, provocou
intenso movimento de protesto.
Nos últimos anos do século XX, o estado do
Paraná exibia um bom quadro social e econômico,
com estabilização populacional e modernização
agrícola e industrial, com destaque para a instalação
de montadoras de veículos automotores no estado,
ao mesmo tempo em que a economia paranaense procurava tirar
partido das oportunidades oferecidas pelo Mercosul.