Primeiros tempos
Domingos Jorge Velho, um dos bandeirantes paulistasO
nome São Vicente foi dado por Américo Vespúcio,
em 22 de janeiro de 1502, em viagem que objetivava mapear
o litoral do Brasil. Quando passou por nossa região,
viu duas ilhas (onde hoje estão Santos e Guarujá)
e o estuário, que achou ser um rio. Era dia de São
Vicente, assim tendo sido batizada a localidade.
As primeiras povoações de São Vicente
também não foram oficiais. Ali foi abandonado
o Bacharel de Cananéia. Segundo muitos historiadores,
teria sido ele o português Cosme Fernandes Pessoa,
verdadeiro fundador de São Vicente, a partir de onde
de fato governava e controlava o comércio da região.
segundo documento encontrado pelo português Jaime
Cortesão, o Bacharel já moraria no Brasil
antes até da chegada de Cabral: O degredado é
citado em um documentodatado de 24 de Abril de 1499, descoberto
por Cortesão, o qual reporta-se a uma viagem não-oficial
de Bartolomeu Dias ao Brasil. Outro documento, de 1526,
descreve o povoado de São Vicente, informando que
teria uma dúzia de casas, sendo apenas uma de pedra,
com uma torre para defesa. Cosme Fernandes Pessoa foi acusado
junto ao Rei de Portugal, por dois amigos que em troca receberam
doações em terras, de manter relações
com espanhóis que viviam mais ao sul, com perigo
para o domínio português na região.
Martim Afonso de Sousa partiu para o Brasil com diversos
objetivos. O primeiro deles era o de estabelecer oficialmente
a colonização do Brasil, confirmando o poder
da coroa. De consequência, subtraindo o poder das
mãos de Cosme Fernandes Pessoa. Avisado, o Bacharel
incendiou o local e retirou-se com seu pessoal para Cananéia.
Martim Afonso de Sousa fundou oficialmente o povoado de
São Vicente no local em que se encontravam as ruínas
anteriores, na data de 22 de Janeiro de 1532. Em 1536 o
Bacharel de Cananéia (ou Bacharel Cosme) atacou,
saqueou e queimou o povoado, enforcando o antigo amigo e
traidor Henrique Montes. Esse é o último registro
histórico sobre o Bacharel de Cananéia. Martim
Afonso de Sousa distribuiu sesmarias e efetuou diversas
edificações deixando São Vicente povoada
e organizada.
O Porto de São Vicente foi alvo do primeiro grande
desastre ecológico do Brasil: a terra à beira
mar foi limpa e cultivada. Sendo a terra arenosa e tendo
o solo perdido sua camada protetora, as chuvas levara a
aareia para o mar açoreando o porto de São
Vicente. Martim Afonso de Sousa partira de São Vicente
em 22 de Maio de 1533, deixando a administração
nas mãos de Brás Cubas, o qual, tendo em vista
o açoreamento do Porto, única via de comunicação
com a Metrópole portuguesa e o ataque do Bacharel
de Cananéia a São Vicente, decidiu montar
novo porto na região Enguaguaçu, local mais
protegido, para onde foi transferido o porto em 1536, estabelecendo
ali um povoado. O simples fato do nome do local ser indígena,
e não português, evidencia que a iniciativa
não foi oficial. Brás Cubas atraiu para ali
colonos de áreas próximas e fundou um povoado,
que futuramente receberia o nome de Santos e promoveu melhorias,
como a construção da primeira Santa Casa do
Brasil. São Vicente entra assim em declínio.
Embora haja notícias da existência de mulheres
portuguesas na frota de Martim Afonso de Sousa, não
foram ainda encontrados registros escritos. O primeiro registro
escrito relativo a mulheres portuguesas vindas para o Brasil
data de 1550. Assim as mães eram geralmente mamelucas
ou índias.
A fundação de São Vicente no litoral
paulista iniciou o processo de colonização
do Brasil como política sistemática do governo
português, motivada pela presença de estrangeiros
que ameaçavam a posse da terra. Evidentemente, antes
disso já havia ali um núcleo português,
que, à semelhança de outros das regiões
litorâneas, havia sido constituído por náufragos
e datava, provavelmente, do início do século
XVI. Foi, no entanto, durante a estada de Martim Afonso
de Sousa que se fundou, em 20 de janeiro de 1532, a vila
de São Vicente e com ela se instalou o primeiro marco
efetivo da colonização brasileira.
O nome de São Vicente se estendeu à capitania
hereditária doada ao mesmo Martim Afonso de Sousa
pelo Rei de Portugal. Assim o primeiro nome de São
Paulo foi Capitania de São Vicente.
A despeito das inumeráveis dificuldades para transpor
a serra do Mar, os campos do planalto logo atraíram
os povoadores, o que tornou São Paulo uma exceção
no tipo de colonização dos portugueses dos
primeiros tempos, que se fixavam sobretudo no litoral. Assim,
em 1553, os jesuítas criaram a vila de Santo André.
No ano seguinte, os padres da Companhia de Jesus fundaram
em Piratininga um colégio para os índios,
berço da vila de São Paulo.
A faixa litorânea, estreita pela presença
da serra, não apresentava as condições
necessárias para o desenvolvimento da grande lavoura.
Por sua vez, o planalto deparava com o sério obstáculo
do Caminho do Mar, que, ao invés de ligar, isolava
a região de Piratininga, negando-lhe o acesso ao
oceano e, portanto, a facilidade para o transporte. Em conseqüência,
a capitania ficou relegada a um plano econômico inferior,
impedida de cultivar com êxito o grande produto agrícola
do Brasil colonial, a cana-de-açúcar, e de
concorrer com a principal zona açucareira da época,
representada por Pernambuco e Bahia.
A cidade de Ubatuba.Estabeleceu-se em Piratininga uma policultura
de subsistência, baseada no trabalho forçado
do índio. Os inventários dos primeiros paulistas
acusavam pequena quantidade de importações
e completa ausência de luxo, a pobreza mesmo. O isolamento
criou no planalto uma sociedade peculiar. Chegar a São
Paulo requeria fibra especial na luta contra as dificuldades
do acesso à serra, os ataques dos índios,
a fome, as doenças, o que levaria a migração
européia a rigoroso processo seletivo. Tais condições
de vida determinariam a formação de uma sociedade
em moldes mais democráticos que os daquela que se
estabelecera mais ao norte da colônia.
Concorreu em boa parte para tanto a proliferação
de mamelucos oriundos do inevitável e intenso cruzamento
com as índias da terra, pertencentes às tribos
tupis que dominavam o litoral brasileiro. Em São
Paulo, especialmente, o hibridismo luso-tupi na sua feição
étnico-cultural não se atenuaria tão
rapidamente como ocorreu em outras regiões em que
o fluxo de negros e o contato mais fácil com a metrópole
veio diluí-lo. Mais do que em qualquer outro lugar,
o português saberia, à sombra de uma excepcional
capacidade de adaptação, integrar certos traços
culturais dos tupis que lhe permitiriam sobreviver -- e
mais, tirar proveito do sertão hostil.
Exploração e ocupação
No início do século XVI o litoral paulista
é visitado por navegadores portugueses e espanhóis,
mas somente em 1532 se dá a fundação
da primeira povoação, São Vicente na
Baixada Santista por Martim Afonso de Sousa.
A procura de metais preciosos levou os portugueses a ultrapassarem
a Serra do Mar, pelo antigo caminho índigena do Peabiru
e em 1554, no planalto existente após a Serra do
Mar, é fundada a vila de São Paulo de Piratininga,
pelo padre jesuíta espanhol José de Anchieta.
Já nesta data o futuro território paulista
seria dividido em duas entidades administrativas: a Capitania
de São Vicente, abrangendo a Baixada Santista e o
Planalto de São Paulo e a Capitania de Santo Amaro,
compreendendo atualmente as regiões do Vale do Paraíba
e Litoral Norte.
Até o final do século XVI são fundadas
outras vila no entorno do planalto, como Santo André
e Santana de Parnaíba, garantindo assim a segurança
e subsistência da vila de São Paulo.
As bandeiras
Dificuldades econômicas, tino sertanista, localização
geográfica (São Paulo era um importante centro
de circulação fluvial e terrestre), espírito
de aventura, seriam poderosos impulsos na arrancada para
o sertão. Desde os primeiros tempos da colonização
eram constantes as arremetidas, num bandeirismo defensivo
que visava a garantir a expansão paulista do século
XVII. Este seria o grande século das bandeiras, aquele
em que se iniciaria o bandeirismo ofensivo propriamente
dito, cujo propósito era em grande parte o lucro
imediato proporcionado pela caça ao índio.
Da vila de São Paulo partiram as bandeiras de apresamento
chefiadas por Antônio Raposo Tavares, Manuel Preto,
André Fernandes, entre outros.
As condições peculiares de vida no planalto
permitiram que os paulistas, durante os dois primeiros séculos,
desfrutassem de considerável autonomia em setores
como defesa, relações com os índios,
administração eclesiástica, obras públicas
e serviços municipais, controle de preços
e mercadorias. As câmaras municipais, compostas por
"homens bons" da terra, raramente se continham
dentro de suas legítimas atribuições;
em São Paulo, especialmente, sua independência
quase fez esquecer o governo lusitano.
Do bandeirismo de apresamento passou-se ao bandeirismo
minerador, quando a atividade de Borba Gato, Bartolomeu
Bueno da Silva, Pascoal Moreira Cabral e outros foi recompensada
com o encontro dos veios auríferos em Minas Gerais
e Mato Grosso. Dura provação foi o efeito
do descobrimento do ouro sobre São Paulo e outras
vilas do planalto: todos buscavam o enriquecimento imediato
representado pelo metal precioso. Como disse José
Joaquim Machado de Oliveira, "não havia paulista
que, mais ou menos, deixasse de afagar o pensamento de descobrir
minas".
Assim, o povoamento dos sertões brasileiros fez-se
com sacrifício dos habitantes de São Paulo
e em detrimento da densidade populacional da capitania.
Essa ruptura demográfica, aliada a fatores geográficos
já mencionados (a serra do Mar), ocasionou uma queda
da produtividade agrícola, bem como o declínio
de outras atividades, o que acentuou a pobreza do povo no
decorrer do século XVIII. A capitania, que então
abrangia toda a região das descobertas auríferas,
foi transferida para a coroa e ali instalou-se governo próprio
em 1709, separado do governo do Rio de Janeiro e com sede
na vila de São Paulo, elevada a cidade em 1711.
O ciclo do ouro e decadência da capitania
No final do século XVII, bandeirantes paulistas descobrem
ouro na região do Rio das Mortes, nas proximidades
da atual São João del Rei.
Estação da LuzA descoberta das imensas jazidas
de ouro provoca uma corrida em direção às
Minas Gerais, como eram chamadas na época os inúmeros
depósitos de ouro por exploradores advindos tanto
de São Paulo quanto de outras partes da colônia.
Como descobridores das minas, os paulistas demandavam exclusividade
na exploração do ouro, porém foram
vencidos em 1710 com o fim da Guerra dos Emboabas, perdendo
o controle das Minas Gerais. O ouro extraído de Minas
Gerais seria escoado via Rio de Janeiro.
Como compensação, a vila de São Paulo
é elevada à condição de cidade
em 1710.
O êxodo em direção às Minas
Gerais provocou a decadência econômica na Capitania,
e ao longo do século XVIII esta foi perdendo território
e dinamismo econômico até ser simplesmente
anexada em 1748 à Capitania do Rio de Janeiro.
Alguns autores têm contestado essa versão
da decadência da província. O principal argumento
que leva historiadores a defenderem tal tese é a
estabilização do número de vilas que
surgidas no período. Porém, o número
de habitantes não teria diminuído, apenas
se concentrado nas vilas já existentes, e sua população,
não obstante não lucrar diretamente com as
minas, dominavam o formecimento de mantimentos, principalmente
ligados á pecuária. A principal justificativa
para a anexação a provínci a do Rio
foi a Segurança das Minas, ja que São Paulo
seria seu escudo natural contra invasões oriundas
da Argentina ou outras colônias espanholas (ironicamente
o mesmo argumento utilizado para sua restauração
anos depois).
A restauração e a Província de São
Paulo
Em 1765, pelos esforços do Morgado de Mateus é
reinstituída a Capitania de São Paulo e este
promove uma política de incentivo à produção
de açúcar para garantir o sustento da capitania.
A capitania é restaurada entretanto com cerca de
um terço de seu território original, compreendendo
apenas os atuais Estados de São Paulo e Paraná.
Assim, são fundados no leste paulista, região
propícia para tal cultivo, as vilas de Campinas,
Itu e Piracicaba, onde logo a cana-de-açúcar
desenvolve-se. O açúcar é exportado
pelo porto de Santos e atinge seu auge no ínicio
do século XIX.
A capitania ganha peso político durante a época
da Independência através da figura de José
Bonifácio, natural de Santos e em 7 de setembro de
1822 a Independência é proclamada às
margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, por Dom
Pedro I.
Em 1824 a capitania transforma-se em província.
O Ciclo do Café
Imigrantes italianos trabalhando com o café em São
PauloJá em 1817 é fundada a primeira fazenda
de café de São Paulo, no vale do Paraíba,
e após a Independência o cultivo de café
ganha força nas terras do Vale do Paraíba,
enriquecendo rapidamente cidades como Guaratinguetá,
Bananal, Lorena e Pindamonhangaba.
Nas fazendas cafeeiras do Vale do Paraíba era utilizada
em grande escala a mão de obra escrava e os grãos
escoados via Rio de Janeiro. Assim sendo, o Vale enriquece-se
rapidamente, gerando uma oligarquia rural, porém
o restante da província continua dependente da cana-de-açúcar
e do comércio que vai se estabelecendo na cidade
de São Paulo, impulsionado pela fundação
de uma faculdade de Direito em 1827.
Entretanto, a exaustão dos solos do Vale do Paraíba
e as crescentes dificuldades impostas ao regime escravocrata
levam a uma decadência no cultivo do café a
partir de 1860 naquela região. O Vale vai se esvaziando
economicamente enquanto o cultivo do café migra em
direção ao Oeste Paulista, adentrando primeiramente
na região de Campinas e Itu, substituindo o cultivo
da cana-de-açúcar realizado até então.
A migração do café rumo ao oeste provoca
grandes mudanças econômicas e sociais na Província.
A proibição do Tráfico negreiro em
1850 leva a necessidade de busca de nova forma de mão-de-obra
para os novos cultivos. A imigração de europeus
passa a ser incentivada pelo governo Imperial e provincial.
O escoamento dos grãos passa a ser feito via porto
de Santos, o que leva a fundação da primeira
ferrovia paulista, a São Paulo Railway, construída
por capitais ingleses e do Visconde de Mauá, ligando
Santos à Jundiaí, passando por São
Paulo, que começa a se transformar em importante
entreposto comercial entre o litoral e o interior cafeeiro.
O café.O café vai adentrando paulatinamente
o oeste paulista, passando por Campinas, Rio Claro, Porto
Ferreira e em 1870 este encontra a área de maior
propício ao seu cultivo, as férteis terras
roxas do nordeste paulista, próximas a Ribeirão
Preto e São Carlos, onde surgirão as maiores
e mais produtivas fazendas de café do mundo.
Atrás de novas terras para o café, exploradores
adentram o até então desconhecido quadrilátero
compreendido entre a Serra de Botucatu e os rios Paraná,
Tietê e Paranapanema, onde fundarão cidades
como Bauru, Marília, Araçatuba e Presidente
Prudente no final do século XIX e início do
século XX.
As divisas atuais paulistas são fixadas com a emancipação
do Paraná em 1853. O sul paulista (Vale do Ribeira
e região de Itapeva) não atraem o cultivo
do café e sofrem com litígios de divisa entre
São Paulo e Paraná, sendo portanto postas
à margem do desenvolvimento do resto da província,
tornando-se, até nossos dias, as regiões mais
pobres do território paulista.
O enriquecimento provocado pelo café e a constante
chegada de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis,
japoneses e árabes à Província, além
do desenvolvimento de uma grande rede férrea, trazem
prosperidade a São Paulo.
República Velha e a política do café-com-leite
Ao se instalar a república, afirmava-se claramente
o predomínio econômico do novo estado. Se o
Brasil era o café, o café era São Paulo.
Essa realidade repercutiu na esfera nacional, daí
a homogeneidade de 1894 a 1902, em três quatriênios
consecutivos, com os presidentes Prudente de Morais, Campos
Sales e Rodrigues Alves.
São Paulo ingressou com dois trunfos na era republicana:
a riqueza representada pelo café e o sistema de mão-de-obra
livre, que fora introduzido antes da abolição
da escravatura e já se adaptara e integrara no modo
de produção da agricultura paulista. De outro
lado, a autonomia local conferida pelo novo regime federativo,
que em face dos amplos direitos conferidos aos estados resultava,
na prática, numa verdadeira soberania, veio reforçar
política e administrativamente as vantagens conferidas
pelos dois fatores acima mencionados.
Assim equipado, beneficiando-se da fraqueza institucional
decorrente da Proclamação da República,
São Paulo aliou seu poder econômico à
força eleitoral de Minas Gerais e instaurou a política
do café-com-leite, que teve por conseqüência
uma mudança no federalismo no Brasil, sendo até
hoje visíveis os resultados. Para isso, concorreu
também a visão empresarial de seus homens
de negócios, cafeicultores principalmente, que, ainda
no império, haviam aprendido a usar com presteza
e vigor o poder político em defesa de seus interesses
econômicos. Perceberam de imediato a oportunidade
da introdução do imigrante estrangeiro e a
subsidiaram com recursos da província, uma vez que
o governo imperial dispensava maiores atenções
ao estabelecimento de núcleos coloniais do que à
imigração assalariada. Com a nova situação
criada pela instituição do regime republicano,
puderam ampliar seus meios de ação. Daí
por diante, até a crise de 1929, não perderam
de vista a expansão e defesa do produto que sustentava
a economia da região.
Apesar das dissensões internas e de várias
dissidências, o Partido Republicano Paulista (PRP)
conseguiu manter grande coesão em face da União,
o que lhe permitia levar avante uma política que
satisfazia, em geral, aos interesses dominantes e que, inegavelmente,
contribuiu para o prestígio de São Paulo dentro
da federação.
Não foram, entretanto, tranqüilos os primeiros
momentos republicanos em São Paulo. Eles refletiam
as agitações e desacertos que ocorriam no
âmbito federal. Como nos demais estados, estabeleceu-se
uma junta governativa provisória. Em seguida foi
nomeado governador Prudente de Morais, que logo renunciou.
O governo do estado passou então para Jorge Tibiriçá,
indicado por Deodoro.
Em 1890 inaugurou-se a era das dissensões políticas
dentro do PRP, com a oposição exercida pelo
Centro Republicano de Santos, que, em manifesto de 24 de
agosto de 1890, lançou a candidatura de Américo
Brasiliense de Almeida e Melo. Agitou-se a faculdade de
direito, enquanto as principais figuras republicanas de
São Paulo, como Prudente de Morais, Campos Sales,
Bernardino de Campos e Francisco Glicério de Cerqueira
Leite, entre outros, inquietaram-se com o autoritarismo
do marechal Deodoro. Este destituiu Jorge Tibiriçá
e delegou o poder, em 1891, a Américo Brasiliense,
que Deodoro considerava o único capaz de organizar
São Paulo.
Agravaram-se os descontentamentos. Amargas polêmicas
foram travadas entre Campos Sales, pelo Correio Paulistano,
e Francisco Rangel Pestana, que usava como porta-voz O Estado
de S. Paulo. Nesse ambiente instalou-se, em 8 de junho de
1891, a Assembléia Constituinte e, em julho, Américo
Brasiliense, já escolhido presidente do estado, promulgou
a primeira constituição paulista.
Os ânimos pareciam serenar, quando o golpe de Deodoro
da Fonseca fez renascer a agitação. A capital
e o interior viviam apreensivos, sob a ameaça de
subversão da ordem pública, que se generalizava
pelo país. Para evitar a guerra civil, Deodoro renunciou
e assumiu a presidência da república o vice-presidente,
Floriano Peixoto, que recebeu então apoio político
e financeiro de São Paulo contra as revoltas que
se alastravam pela nação. Em troca, São
Paulo assumiu a hegemonia da federação, com
a eleição de Prudente de Morais, em 1894,
que dava início à série de presidentes
civis.
Enquanto isso, no estado, Américo Brasiliense passou
o governo ao major Sérgio Tertuliano Castelo Branco,
que logo o transmitiu a quem de direito: o vice-presidente,
José Alves de Cerqueira César. Este, diante
do espírito de motim e de reação monárquica
que reinava, dissolveu a Assembléia Legislativa,
convocou imediatamente outro Congresso e depôs todas
as câmaras municipais do estado. Realizaram-se eleições
de deputados e senadores para o segundo legislativo estadual,
que se instalou em 7 de abril de 1892. Demonstrando sempre
decisão e firmeza, Cerqueira César convocou
o eleitorado para escolher novo presidente do estado, a
qual recaiu sobre Bernardino de Campos, o primeiro governante
paulista eleito pelo sufrágio direto.
Revolução de 1932
Ver artigo principal: Revolução Constitucionalista
de 1932.
A década de 1930 em São Paulo caracterizou-se,
do ponto de vista econômico, pelos esforços
de ajustamento às novas condições criadas
pela crise mundial de 1929 e pela derrocada do café.
Do ponto de vista político, o período foi
marcado pela luta em prol da recuperação da
hegemonia paulista na federação, atingida
pela Aliança Liberal e afinal aniquilada pela revolução
de 1930. Esta submeteu o estado à ação
dos interventores federais, que, de início, nem paulistas
eram. Surgiram logo as reivindicações a favor
de um governo paulista, mas na realidade o que se pretendia
era a restauração dos grupos hegemônicos
paulistas, cujos interesses, tanto econômicos quanto
políticos, estavam sendo prejudicados pela nova situação,
embora alguns interventores, como João Alberto Lins
de Barros, tenham procurado conciliar a cafeicultura com
a nova orientação do governo federal.
Soldados paulistas no Túnel da MantiqueiraHabituadas
a conduzir seu próprio destino, as classes dirigentes
se insurgiram sob a liderança do Partido Democrático,
então presidido pelo professor Francisco Morato,
justamente o partido aliado à revolução
getulista de 1930. A organização política
rompeu, porém, com o governo federal e constituiu,
com as classes conservadoras e o velho PRP, a Frente Única
Paulista. Esta procurou aliança com outros estados,
particularmente com a oposição gaúcha,
mas afinal os paulistas rebelaram-se, contando apenas com
o apoio de tropas do Sul de Mato Grosso.
Em 9 de julho de 1932, irrompeu a revolução
constitucionalista de São Paulo. Governava o estado,
como interventor federal, o paulista Pedro de Toledo, logo
proclamado governador. Formaram-se batalhões de voluntários,
e aderiram ao movimento algumas unidades do Exército,
um forte contingente de Mato Grosso e a quase totalidade
da força pública estadual. Foram mobilizados
inicialmente cinqüenta mil homens, cujo comando coube
ao coronel Euclides de Oliveira Figueiredo e depois ao general
Bertoldo Klinger, sob a chefia suprema do general Isidoro
Dias Lopes.
A indústria participou da revolução
com entusiasmo. Sob a direção de Roberto Cochrane
Simonsen, todo o parque industrial paulista foi colocado
a serviço da rebelião, dedicado à produção
bélica. Organizou-se também o abastecimento
interno. A luta durou, porém, apenas três meses
e terminou com a derrota dos paulistas e a perda de centenas
de vidas.
Alguns meses após a capitulação, o
governo federal, a fim de pacificar o país, decidiu
convocar eleições para a Assembléia
Constituinte, respondendo ao objetivo principal dos revolucionários
paulistas: a restauração da ordem constitucional.
Enquanto isso, São Paulo foi ocupado militarmente
de outubro de 1932 a agosto de 1933. Foram exilados o ex-governador
Pedro de Toledo, seu secretariado e outros políticos
que tomaram parte ativa na revolução.
A industrialização e metropolização
Após a Primeira Guerra Mundial, o cultivo do café
começa a enfrentar crises de excesso de oferta e
concorrência de outros países. O cultivo começa
a ser controlado pelo governo, a fim de evitar crises e
fazendas fecham, levando imigrantes em direção
a São Paulo, onde se tornam operários.
Pressões políticas exigindo o fim do predomínio
da elite cafeeira paulista surgem e movimentos artísticos
como a Semana de 1922 propagam novas idéias sociais
e econômicas. A imigração externa começa
a se enfraquecer e greves anarquistas e comunistas rebentam
em São Paulo enquanto impérios industriais
como o de Matarazzo são formados.
Em 1930 o café entra em sua derradeira crise com
a Crise de 1929 e o crash da Bolsa de Nova Iorque no ano
anterior, o colapso dos preços externos dos grãos
e a Revolução de 1930, que retira os paulistas
do poder.
Dois anos depois, em 1932, São Paulo combate Getúlio
Vargas na Revolução Constitucionalista, em
uma tentativa de retomar o poder perdido, porém é
derrotado militarmente. A crise do café se amplifica
e o êxodo rural em direção à
São Paulo esvazia o interior do Estado.
A Segunda Guerra Mundial interrompe as importações
de produtos e a indústria paulista inicia um processo
de substituição de importações,
passando a produzir no Estado os produtos até então
importados. O processo intensifica-se no governo de Juscelino
Kubitschek, que lança as bases da indústria
automotiva no ABC paulista.
Para suprir a mão-de-obra necessária, o estado
passa a receber milhões de nordestinos, vindos principalmente
dos Estados da Bahia, Ceará, Pernambuco e Paraíba,
que substituem os antigos imigrantes, agora compondo a classe
média paulista, como operários. Estes se fixam
principalmente na periferia de São Paulo e nas cidades
vizinhas. Este rápido aumento populacional promove
um processo de metropolização, onde São
Paulo se aglomera com as cidades vizinhas, formando a Região
Metropolitana de São Paulo.
Em 1960, a cidade de São Paulo torna-se a maior
cidade brasileira e principal pólo econômico
do país, superando o Rio de Janeiro. Este título
de maior cidade braisileira deve-se a um número maior
de migrantes qur escolhiam vir para São Paulo (como
citado acima).
Industrialização do interior e esvaziamento
econômico
Nas décadas de 1960 e 1970 o governo estadual promove
diversas obras que incentivam a economia do interior do
Estado, esvaziado desde a quebra do café em 1930.
A abertura e duplicação da Via Dutra (BR-116)
recupera e industrializa o Vale do Paraíba, que se
concentra em torno da indústria aeronáutica
de São José dos Campos.
Para o Oeste, a implantação do Aeroporto
Internacional de Viracopos, a criação da Universidade
de Campinas (Unicamp) a abertura de rodovias como a Rodovia
Anhangüera e o implemento de técnicas modernas
de produção, em especial da cana-de-açúcar
e de seu subproduto, o álcool combustível,
levam novamente o progresso às regiões de
Campinas, Sorocaba e Ribeirão Preto.
Este processo de recuperação econômica
do interior intensifica-se a partir da década de
1980, quando inúmeros problemas urbanos, como violência,
poluição e ocupação desordenada,
afligem a Região Metropolitana de São Paulo.
Entre 1980 e 2000 a grande maioria dos investimentos realizados
no Estado é feito fora da Capital, que passa de uma
metrópole industrial para um pólo de serviços
e finanças. O interior, em especial o eixo entre
Campinas - São Carlos - Ribeirão Preto e Sorocaba
- São José dos Campos - Taubaté torna-se
industrializado e próspero.
Entretanto, mesmo com o enriquecimento e industrialização
do interior, outros Estados passam a ter uma taxa de crescimento
econômico ainda mais elevada que São Paulo,
principalmente as regiões Sul e Centro-Oeste.
Atualmente, ainda que o crescimento não seja mais
tão alto e haja concorrência de outros Estados,
São Paulo é o principal pólo econômico,
político e industrial da América do Sul, sendo
o maior mercado consumidor do Brasil.
Brasão de armas do Estado de São Paulo -
"PELO BRASIL FAÇAM-SE GRANDES COISAS"Desde
1970, por sucessivas leis estaduais, foram criadas e alteradas
regiões administrativas e regiões de governo,
estabelecidas com o objetivo de centralizar a atividades
das secretarias estaduais. Seus limites nem sempre coincidem
com os das mesorregiões de São Paulo e microrregiões
de São Paulo.