As primeiras expedições portuguesas na região
remontam ao início da década de 1660, em busca
de drogas do sertão, metais e pedras preciosas, e
de indígenas para o apresamento. Entre estas, destaca-se
a do Capitão Francisco Ferreira, que penetrou o vale
do rio Branco (1718). A partir de 1725, missionários
Carmelitas iniciaram a tarefa de conversão do indígena
na região.
A criação da Capitania Real de São
José do Rio Negro, pela Carta-régia de 3 de
março de 1755, foi fruto da preocupação
da Coroa portuguesa com as fronteiras do rio Negro e do
rio Branco, a primeira ameaçada pelos espanhóis
do Vice-reino do Peru, e a segunda pelas expedições
de neerlandeses do Suriname, com fins de comércio
e de apresamento de indígenas.
A medida foi ainda grandemente influenciada pelas demarcações
previstas pelo Tratado de Madrid (1750): com a criação
de uma nova unidade administrativa na região, pretendia-se
implementar, na prática, a colonização
do alto rio Negro, criando-se a infra-estrutura necessária
ao encontro e aos trabalhos das comissões de demarcação
portuguesa e espanhola, encontro esse que jamais ocorreu,
tendo forças portuguesas ocupado nesse ínterim,
provisoriamente, o curso do baixo rio Branco, efetuando
plantações de mandioca e de outros víveres,
para o aprovisionamento da Comissão.
Com o estabelecimento do Forte de São Joaquim do
rio Branco a partir de 1775, diversos aldeamentos de indígenas
convertidos foram estabelecidos para o seu serviço,
entre os quais a povoação de Nossa Senhora
do Carmo, fundada por religiosos Carmelitas. Durante o Brasil
Império (1822-1889), esta foi elevada a vila e sede
de freguesia com o nome de Boa Vista (1858). Com a proclamação
da República (1889), a freguesia foi transformada
no município de Boa Vista do Rio Branco (1890), integrante
do Estado do Amazonas.
A pretensão britânica a alguns rios formadores
do rio Branco (afluente do rio Amazonas), conduziu à
chamada Questão do Pirara (1904). Submetida à
arbitragem do rei Vítor Emanuel III da Itália,
a região em litígio foi repartida entre ambas
as partes, garantindo à Guiana inglesa uma saída
fluvial para o Amazonas, e perdendo o Brasil a região
oriental do Pirara.
A região foi desmembrada do Estado do Amazonas pelo
Decreto-lei nr. 5.812, de 13 de setembro de 1943, que criou
o Território Federal do Rio Branco, mais tarde denominado
como Território Federal de Roraima (1962), e elevada
a Estado pela Constituição brasileira de 1988.
Se a colonização da região foi incentivada
em fins do século XIX com o estabelecimento de Fazendas
Nacionais, um século mais tarde os garimpos de ouro
e diamantes atraíram levas migratórias de
diversas regiões do país. Esta imigração
e exploração desordenadas ocasionaram muitos
conflitos e mortes por doenças e assassinatos, sobretudo
nas populações indígenas. Apoiados
por políticos locais, os garimpeiros foram substituídos
pela exploração agrícola em grande
escala (agronegócio) em terras indígenas,
gerando novos conflitos ao final do século XX.
Atualmente, quase todas as reservas indígenas do
estado encontram-se homologadas.