O Ciclo da Agricultura.
Cronologicamente sucede ao ciclo da cassiterita, tendo-se
beneficiado dos agregados populacionais de todos os anteriores,
consolidando Rondônia como estado produtor e entreposto
comercial da região nor-noroeste do país.
Caracterizou-se por maciços investimentos federais
nos projetos de colonização, e grande intensificação
do fluxo migratório. Como consequência, e de
forma desordenada, formaram-se rapidamente inúmeros
aglomerados urbanos, e ocuparam-se efetivamente as terras
ao longo da BR-364.
Este processo quebrou a estrutura espacial então
existente, condicionada aos ciclos extrativistas, e de economia
concentrada nas cidades de Porto Velho e Guajará
Mirim. O eixo de importância econômica do Estado
deslocou-se para os municípios que iam sendo criados
ao longo da rodovia que é a espinha dorsal da vida
econômica do Estado.
A ocupação e colonização do
espaço físico exigiu maciças derrubadas
e queimadas na floresta. O contingente populacional sofreu
incrementos explosivos, a infra-estrutura urbana era muito
deficiente, e a malária tornou-se comum, quase um
mal caseiro não fosse a gravidade da moléstia,
atacando cerca de 130.000 rondonienses por ano. Mas, apesar
das enormes dificuldades, o trabalho de seu povo vem tornando
a cada dia melhor nossas cidades. A saúde e a educação
apresentam padrões superiores a vários estados
federados, bem mais antigos. A produção cresce,
a medida que as técnicas agrícolas vão
se consolidando. O povo, como é de se esperar entre
pioneiros, é forte e feliz.
A abertura desta nova fronteira agrícola no país
só foi possível graças a BR-364. De
1960 quando se abriu o caminho pioneiro, até 1983/84
quando a rodovia foi asfaltada, a estrada se manteve aberta
graças à "santa insanidade" daqueles
que se aventuravam em percorrê-la, ficando incontáveis
vezes retidos em areais imensos e atoleiros gigantes por
dias e semanas, comendo o que era possível. Enfrentando
a lama, entre o 2º semestre de 1977 e o final de 1982,
220.064 migrantes, vindos principalmente dos estados do
sul, chegaram a Rondônia. Deixaram lá o que
tinham, alguns apenas os familiares, para conseguir um pedaço
de chão, enfrentar os piuns, os carapanãs,
os anofelinos (malária), e o trabalho inacabável
de derrubar a mata, queimar, abrir estradas, preparar a
terra, semear, colher, e, carregando o cacaio nas costas,
levar seus produtos por quilômetros e quilômetros
de estradas de terra (ou lama?) até os compradores.
Assim se construiu o estado de Rondonia. Ninguém
suponha que as derrubadas e queimadas foram feitas por "predadores
da natureza". Quase três quartos da área
total do estado ainda é mata virgem. E nenhum outro
no Brasil tem maior percentual de seu espaço protegido
por áreas de conservação e preservação
ambiental, definidas em Lei.
Independentemente das críticas que possam ser feitas
ao processo de ocupação do seu espaço
físico, na questão fundiária Rondônia
mostra uma estrutura onde a pequena propriedade (aqui definidas
como unidades de até 100 Ha) representa parcela da
maior relevância. Não é, portanto, um
estado de latifúndios. Existem registradas 86.000
propriedades rurais, com documentação e limites
legalmente estabelecidos e respeitados, 70% das quais possuem
energia elétrica. A produção leiteira
do estado é atualmente (mai/2002) da ordem de 1.600.000
litros /dia, e está distribuida entre cerca de 35.000
produtores. Já o café, a principal riqueza
agrícola, é produzido em 40.000 propriedades.
Assim, cerca de 400.000 rondonienses (quase 30%) vivem diretamente
do que produzem em suas terras.