Embora pelo Tratado de Tordesilhas (1494), todo o vale amazônico
se encontrasse nos domínios da Coroa espanhola, a
foz do grande rio só foi descoberta seis anos mais
tarde, por Vicente Yáñez Pinzón, que
a alcançou em fevereiro de 1500, seguido por seu
primo Diego de Lepe, em abril do mesmo ano. Quatro décadas
depois, outros espanhóis, Gonzalo Pizarro e Francisco
de Orellana, partindo de Quito, no atual Equador, atravessaram
a cordilheira dos Andes e exploraram o curso do rio até
ao Oceano Atlântico. A viagem, que durou de 1540 a
1542, foi relatada pelo dominicano frei Gaspar de Carvajal,
que descreveu terem sido atacados por mulheres guerreiras
às margens do rio, o que acabaria popularizando o
nome "Amazonas", místicas mulheres guerreiras
da Grécia antiga. Ainda no século XVI, registraram-se
a expedição de Pedro de Ursua e Lope de Aguirre
(1508-1561) em busca do lendário Eldorado (1559-1561).
Sem ocupação efetiva, além de algumas
feitorias inglesas e holandesas explorando as chamadas "drogas
do sertão", somente durante a Dinastia Filipina
(1580-1640) a Coroa hispano-portuguesa se interessou pela
região, com a fundação de Santa Maria
das Graças de Belém do Grão-Pará
(1616), sendo dignas de registro a expedição
do Capitão-mór da Capitania do Grão-Pará
e Cabo, Pedro Teixeira, que percorreu o grande rio do Oceano
Atlântico até Quito, com 70 soldados e 1.200
indígenas, em quarenta e sete canoas grandes (1637-1639),
e logo em seguida a de Antônio Raposo Tavares, cuja
bandeira, saindo da Capitania de São Vicente, atingiu
os Andes, retornando pelo rio Amazonas até Belém,
percorrendo um total de cerca de 12.000 quilômetros,
entre 1648 e 1651.
No século XVIII, a região do alto rio Amazonas
foi considerada estratégica tanto para a diplomacia
espanhola - por representar via de acesso ao Vice-reino
do Peru -, quanto para a diplomacia portuguesa, especialmente
a partir da descoberta de ouro nos sertões de Mato
Grosso e de Goiás, escoado com rapidez pela bacia
do rio Amazonas. É nesse contexto que se inserem
as instruções secretas passadas por Sua Majestade
ao Governador e Capitão General da Capitania do Grão-Pará,
João Pereira Caldas, para que fossem fundadas sete
feitorias pelo curso dos rios amazônicos, de Belém
até Vila Bela do Mato Grosso e à capital da
Capitania do rio Negro, para apoiar o comércio (contrabando),
com as províncias espanholas do Orinoco (Venezuela),
de Quito (Equador), e do Peru, comércio esse que
antes se fazia com a Colônia do Sacramento (Instrução
Secretíssima, c. 1773. Museu Conde de Linhares, Rio
de Janeiro). A assinatura do Tratado de Madrid (1750) ratificou
essa visão, tendo a Coroa portuguesa feito valer
também na região o princípio do "uti
possidetis", apoiado por uma linha de posições
defensivas que, mesmo virtualmente abandonadas após
o Consulado Pombalino (1750-1777) e durante o século
XIX, legariam à diplomacia da nascente República
brasileira os seus atuais contornos fronteiriços.
Dentro do projeto de ocupação do sertão
amazônico, constituiu-se a Capitania Real de São
José do Rio Negro (Carta-régia de 3 de março
de 1755), com sede na aldeia de Mariuá, elevada a
vila de Barcelos (1790).
No início do século XIX, a sede do governo
da Capitania foi transferida para a povoação
da barra do Rio Negro, elevada a Vila da Barra do Rio Negro
para esse fim, em 29 de março de 1808. À época
da Independência do Brasil (1822), os moradores da
vila proclamaram-se independentes, estabelecendo um Governo
Provisório. A região foi incorporada ao Império
do Brasil, na Província do Pará, como Comarca
do Alto Amazonas (1824). Ganhou a condição
de Província do Amazonas (Lei n° 582, de 5 de
setembro de 1850), sendo a Vila da Barra do Rio Negro elevada
a cidade com o nome de Manaus (Lei Provincial de 24 de outubro
de 1848) e capital (5 de janeiro de 1851).