Composição da população
atual
Assim como o povo brasileiro, o paraibano é fruto de
uma forte miscigenação entre o branco europeu,
os índios locais e os negros africanos. Sendo assim,
a população é essencialmente mestiça,
e o paraibano médio é predominantemente fruto
da forte mistura entre o europeu e o indígena, com
alguma influência africana (os caboclos predominam entre
os pardos, que representam em torno de 60% da população).
A menor presença negra na composição
étnica do povo deve-se ao fato de a cultura canavieira
no estado não ter sido tão marcante como na
Bahia, no Maranhão ou em Pernambuco, o que ocasionou
a vinda de pouca mão-de-obra africana.
Etnias
Cor/Raça Porcentagem
Brancos 38%
Negros 4%
Pardos 56%
Apesar da forte mestiçagem do povo, há, contudo,
ainda hoje, bolsões étnicos em várias
microrregiões: como povos indígenas na Baía
da Traição (em torno de 12 mil índios
potiguaras), resquícios de comunidades quilombolas
florescendo em vários municípios do Litoral
e do Brejo, e a parcela da população (em torno
de 25%) de nítida ascendência européia,
que vive principalmente nos grandes centros urbanos e nas
cidades ao longo do Brejo e do Alto Sertão.
Entre os mestiços, os mulatos predominam no litoral
centro-sul paraibano e no agreste, os caboclos em todo o
interior e no litoral norte. Já os cafuzos são
raros e dispersos.
Segundo recente dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílio) de 2004, 38% das pessoas avaliadas
se disseram brancas, 4% negras e 56% pardas (2% não
souberam se auto-avaliar). Não houve registro de
amarelos ou índios. Esses números, entretanto,
devem ser analisados com cautela por dois motivos: primeiro
por se tratar de uma pesquisa por amostra domiciliar, o
que revela tendências, mas não tem valor absoluto
sobre toda a população; segundo, porque há
ainda no Brasil uma tendência a se declarar mais para
claro do que para escuro, embora isso venha mudando recentemente.
Grupos étnicos formadores do povo paraibano:
Populações indígenas
Antes da chegada dos europeus, a Paraíba era habitada
por dois grupos principais: os tupis e os cariris.
Os tupis eram formados pelos potiguaras, mais numerosos
e ocupavam a região do litoral norte, e pelos tabajaras,
em torno de cinco mil no início da colonização,
eram pacíficos e amistosos e fundaram Alhandra e
Taquara. Apesar de pertencerem ao mesmo tronco tupi, ambos
eram povos que viviam em constantes guerras entre si e em
incessante locomoção pelo litoral.
Os índios cariris eram mais numerosos e ocupavam
desde o Planalto da Borborema até os limites com
o Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Diziam
que haviam vindo de um “grande lago” e foram
logo denominados cariris velhos e cariris novos. Os cariris
velhos foram civilizados antes dos novos e se dividiam em
sucurus, icós, ariús, pegas, paiacus, caicós
e janduís. Destes, os pegas e os sucurus ficaram
conhecidos por seu caráter belicoso e por suas lutas
contra os bandeirantes.
A maioria dos índios estava de passagem do período
paleolítico para o neolítico. A língua
falada por eles era o tupi-guarani, utilizada também
pelos colonos na comunicação com eles.
Ainda no início da colonização, alguns
indígenas tiveram papel expressivo na defesa do Nordeste
Oriental contra os estrangeiros inimigos: o índio
Piragibe fomentou a paz na conquista da Paraíba.
Já Tabira lutou contra os franceses, enquanto Felipe
Camarão (o índio Poti) lutou contra os holandeses
e foi herói na Batalha dos Guararapes.
Colonizador europeu
Os europeus que vieram para o estado eram predominantemente
lusitanos, isso desde o início da colonização
no século XVI. Estes chegaram à Paraíba
provenientes principalmente da Capitania de Pernambuco.
O pequeno número de mulheres brancas na época
estimulou logo cedo a miscigenação com mulheres
das tribos locais e, em menor escala, com as mulheres escravas,
sedimentando a base da população atual.
Algumas famílias, entretanto (principalmente das
classes sociais mais altas), preferiram manter uma linhagem
mais europeizada e casavam entre si. Houve também
famílias judias que vieram para o Nordeste e para
a Paraíba expulsas de Portugal na época da
Santa Inquisição, como degredados. Posteriormente,
muitas emigraram para as Antilhas Holandesas, mas outras
preferiram ficar e se integrar à sociedade.
Presença batava — na época
da invasão holandesa, entre 1634 e 1654, embora a
miscigenação não tenha sido oficialmente
estimulada, há relatos de muitas uniões interraciais.
A falta de mulheres holandesas estimulou a miscigenação
e mesmo o casamento entre oficiais holandeses e filhas de
abastados senhores de engenho luso-brasileiros. A herança
genética dessas uniões pode ser vista mesmo
hoje em dia nos traços de parte da população,
principalmente no litoral.
Imigração italiana —
a partir do meio do século XIX até o início
do século XX várias famílias italianas
escolheram a Paraíba para se fixar. As primeiras
levas coincidiram com a época da independência
do Brasil e da abolição da escravatura no
Brasil e crescente necessidade de realocação
dessa mão-de-obra.
Muitas famílias (Zaccara, Milanês, Grisi,
Troccoli, Ciraulo, Cantisani, Cantalice, Di Lascio, Spinelli,
Falcone, Faraco, Toscano, entre outras) vieram logo após
chegarem ao país pelos portos de Recife e de Santos.
Outras saíram de suas colônias na região
Sul/Sudeste do país em busca de oportunidades mais
ao norte. A maioria se estabeleceu na capital e no Brejo
Paraibano, região de clima mais ameno, em razão
das altas altitudes do Planalto da Borborema, das chuvas
regulares e dos solos férteis. As condições
econômicas pouco favoráveis no estado na época
não favoreceram a vinda de muitos italianos, como
aconteceu no sul do Brasil. Entretanto, sua presença
foi muito marcante na vida sócio-econômica
e cultural, já que sempre ocuparam postos-chave na
vida político-social do estado (eram negociantes,
médicos, arquitetos, políticos etc.).
Famílias alemãs —
no começo do século XX, em torno de 80 famílias
alemãs chegaram ao estado para trabalhar na Companhia
de Tecidos Rio Tinto (então de propriedade dos Lundgren,
de origem sueca). Em 18 de agosto de 1945, os operários
brasileiros da fábrica de tecidos invadiram os chalés
dos alemães, quebrando tudo e exigindo que os estrangeiros
fossem deportados, isso em virtude o ódio advindo
do torpedeamento de navios da Marinha Mercante do Brasil
por submarinos alemães na Segunda Guerra, conforme
a crença geral. Entretanto, com o passar dos anos,
os alemães permaneceram e se integraram à
cultura local, casando-se com paraibanos e deixando como
herança os traços em seus descendentes e na
arquitetura dos prédios imponentes de Rio Tinto.
Nos idos dos anos 40, Rio Tinto era considerada a mais européia
das cidades paraibanas, em virtude da notória influência
alemã.
Negros africanos
Na Paraíba, o empreendimento do comércio negreiro
iniciou-se logo após o Decreto Real de 1559, da Regente
Catarina de Áustria, permitindo aos engenhos comprar
cada um doze escravos. O escravo era mercadoria cara, seu
valor médio oscilava entre 20 e 30 libras esterlinas.
Portanto, em virtude do pequeno desenvolvimento da cultura
canavieira no estado e dos altos preços destes, a
presença negra foi mais tímida que em muitos
estados nordestinos, mas não menos importante.
Hoje em dia, há diversas comunidades quilombolas
oficialmente reconhecidas pela Fundação Cultural
Palmares. Caiana dos Crioulos foi reconhecida em 1997, Talhado
em 2004 e Engenho Bonfim, Pedra d’água, Matão
e Pitombeira obtiveram a certidão de reconhecimento
em 2005. Ao todo, foram identificadas 16 comunidades remanescentes
de quilombos.
A presença negra trouxe como herança manifestações
culturais, religiosas e influência na culinária,
no vocábulo e na maneira de falar.
Comunidades quilombolas paraibanas
Caiana dos Crioulos, Engenho Bonfim, Grilo, Guruji, Jatobá,
Lagoa Rasa, Maria da Penha, Matão, Mituassu, Olaria,
Pedra d'Água, Pitombeira, São Pedro, Seixos,
Talhado e Vertente.