A ponta do Seixas, ponto mais oriental do território
brasileiro, está representada em mapa desde 1502, denominada
como monte São Vicente. Dentro do sistema de capitanias
hereditárias (1534), couberam a João de Barros
e a Aires da Cunha cem léguas de terra entre a foz
do rio Jaguaribe a Norte, até à baía
da Traição a Sul, compreendo os atuais estados
da Paraíba (parte), Rio Grande do Norte e Ceará,
como um segundo lote em adição ao do Maranhão.
Com o naufrágio da expedição destes donatários,
que se dirigiu ao primeiro lote, não foi possível
colonizar o senhorio.
Uma revolta dos indígenas potiguar das margens do
rio Paraíba, articulada por traficantes franceses
de pau-brasil (Caesalpinia echinata), dizimou o Engenho
Tracunhaém de Diogo Dias (1574). Para dominar a rebelião,
no início do ano seguinte, uma expedição
foi enviada da Capitania de Pernambuco, sob o comando do
Ouvidor Geral e Provedor da Fazenda Fernão da Silva,
sem sucesso. Nova expedição, enviada de Salvador,
na Capitania da Bahia pelo governador da Repartição
Norte, D. Luís de Brito e Almeida (1573-1578), não
conseguiu atingir a Paraíba devido a uma tempestade
que lhe dispersou as embarcações, obrigando-as
a arribar, avariadas, a Pernambuco, em setembro de 1575.
Uma terceira expedição foi armada pelo governo
da Capitania de Pernambuco, partindo de Olinda sob o comando
de João Tavares (1579), também com êxito
limitado.
Finalmente, o governador-geral Manuel Teles Barreto (1583-1587)
solicitou o auxílio da frota do Almirante D. Diogo
Flores de Valdés, que à época patrulhava
a costa brasileira, unindo-se ao Capitão-mor da Paraíba,
Frutuoso Barbosa, e organizando nova expedição
(1584), que fundou a segunda Cidade Real no Brasil: Filipéia
de Nossa Senhora das Neves. O Ouvidor-mor Martins Leitão,
com o auxílio das forças do cacique Piragibe,
subjugou os indígenas, erigiu um novo forte e fundou
nova e definitivamente a povoação de Filipéia
de Nossa Senhora das Neves (4 de novembro de 1585), núcleo
da cidade da Parahyba, atual João Pessoa. A paz definitiva
com os indígenas, entretanto, só foi alcançada
em 1599, após uma epidemia de bexigas (varíola)
que dizimou a população nativa.
No contexto da segunda das Invasões holandesas do
Brasil (1630-1654), a região foi ocupada por forças
neerlandesas (1634), que somente foram expulsas duas décadas
mais tarde pelas tropas do Mestre-de-Campo André
Vidal de Negreiros (1606-1680) e de João Fernandes
Vieira, que tomou posse do cargo de Governador da cidade,
que passou a chamar-se Parahyba.
Mapa da Capitania da Paraíba, 1698.A partir de 1753
a Capitania da Paraíba ficou subordinada à
Capitania Geral de Pernambuco, da qual se tornou novamente
independente a partir de 1799.
No século XIX, sofreu os reflexos da Revolução
Pernambucana (1817), e da Confederação do
Equador (1825).
No ano de 1930, a chamada Guerra de Princesa envolveu as
oligarquias locais, registrando-se o assassinato do governador
do Estado, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque
(Recife, 26 de julho de 1930), indicado como vice-presidente
na chapa de Getúlio Vargas, candidato (derrotada)
à presidência da República. O fato foi
manipulado como um dos estopins da Revolução
de 1930. Comovida com o evento, a capital paraibana passou
a ser denominada "João Pessoa".