A população de Mato Grosso do Sul tem crescido
a altos níveis desde a década de 1870, quando
o estado passou a ser efetivamente povoado. Entre a década
de 1940 e o ano de 2006, a população aumentou
quase dez vezes, ao passo em que a população
do Brasil, no mesmo período, aumentou pouco mais que
quatro vezes. Isso, no entanto, não se dá devido
a uma alta taxa de natalidade no estado, mas à grande
quantidade de migrantes de outros estados ou imigrantes em
Mato Grosso do Sul. Segundo o IBGE, no ano de 2005, 30,2%
da população residente no estado não
era natural daquela unidade da federação[10],
ao passo em que a taxa de fecundidade no estado no ano 2000
era a décima menor do Brasil, com 2,4 filhos por mulher
[11].
As migrações de contingentes oriundos dos
estados do Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná
e São Paulo e imigrações de países
como Alemanha, Espanha, Itália, Japão, Paraguai,
Portugal, Síria e Líbano foram fundamentais
para o povoamento de Mato Grosso do Sul e marcaram a fisionomia
da região. O estado é, ainda, o segundo do
Brasil em número de habitantes ameríndios,
de várias etnias.
O grande número de descendentes de ameríndios
e de imigrantes paraguaios, que em sua maioria têm
como ancestrais os índios guaranis, são dois
fatores que contribuem para a alta porcentagem dos chamados
"pardos" na população do estado
de Mato Grosso do Sul. Já a ascendência afro-brasileira
desse grupo étnico não é tão
numerosa quanto a indígena.
Apesar disso, o sul matogrossense serviu de refúgio
para vários negros fugidos durante o período
da escravidão e referências a esta região
estão presentes em canções folclóricas,
como as utilizadas em práticas de capoeira. A canção
Paranauê (Paranauê, Paranauê, Paraná...),
por exemplo, alude à liberdade que os escravos encontrariam
para além do Rio Paraná, no atual território
de Mato Grosso do Sul, onde não seriam caçados
por feitores ou bandeirantes. Há, no entanto, uma
interpretação desta canção como
fazendo referência ao estado do Paraná, o que
é uma leitura errônea uma vez que o estado
do Paraná somente foi criado em 1853, sendo a canção
muito mais antiga – a capoeira em si data de antes
de 1770. Portanto, o Paraná da letra é o Rio
Paraná, e não o estado, que recebeu seu nome
devido ao rio. Outra prova disso é o fato de que
o estado de Mato Grosso do Sul também possui uma
das maiores quantidades de comunidades quilombolas no Brasil
[12].
Esta era a área mais povoada do antigo estado do
Mato Grosso, com uma densidade demográfica bastante
alta no planalto da bacia do rio Paraná, onde ocorrem
solos de terra roxa com topografia regular. Ao ser constituído,
no final da década de 1970, Mato Grosso do Sul contava
com uma densidade média de 3,9 habitantes por quilômetro
quadrado - alguns municípios chegavam a ter mais
de cinqüenta habitantes por quilômetro quadrado-,
em contraste com o norte, atual Mato Grosso, de menor densidade.
Antes do desmembramento, Campo Grande já era considerada
a maior cidade do estado de Mato Grosso. Após a divisão,
continua sendo a maior cidade de Mato Grosso do Sul. A capital
sul-matogrossense possuía em 2006 765.247 habitantes.
Etnias
Cor/Raça (*) Porcentagem (IBGE/2004)
Brancos 46,9 %
Negros 4,2 %
Pardos 47,2 %
Amarelos 1,7 %