Transporte e acesso
O estado é servido por uma única linha ferroviária,
que corta o Mato Grosso do Sul, da divisa com São Paulo,
em Três Lagoas, até Santa Cruz, na Bolívia.
A mesma linha serve as cidades de Campo Grande, Aquidauana
e Corumbá, com um ramal em direção a
Ponta Porã.
O principal eixo rodoviário é o que liga
Campo Grande a Porto Quinze de Novembro, no rio Paraná,
e a Ourinhos SP. O sistema viário contribui em boa
medida para o escoamento da produção agropecuária.
A navegação fluvial, que já teve importância
decisiva, vem perdendo a preeminência. O principal
porto é o de Corumbá, ao qual seguem-se os
de Ladário, Porto Esperança e Porto Murtinho,
todos no rio Paraguai.
Outras:
Migração
Durante seus quase quinhentos anos de história desde
que o primeiro homem branco, Aleixo Garcia, pisou em seu
território em 1524, o estado de Mato Grosso do Sul
recebeu migrantes de diversas partes do Brasil nas diferentes
fases de sua ocupação.
Migração paulista
Desde o início do século XVII, paulistas eventualmente
se estabeleceram na região, a partir das primeiras
expedições bandeirantes. O fluxo de migrantes
paulistas, no entanto, tornou-se contínuo a partir
das últimas décadas do século XVIII,
quando da ocupação do oeste, nordeste e centro
do estado. Durante o século XX, os paulistas também
se fizeram presentes como colonos das companhias colonizadoras
e operários dos fundadores das cidades do leste e
sudeste sul-matogrossenses. O influxo de paulistas no estado
permanece ininterrupto século XXI adentro.
Migração gaúcha
O início da migração gaúcha
deu-se juntamente ao começo do fluxo contínuo
de migrantes paulistas no final do século XVIII,
quando mais cidades passaram a ser fundadas no sul matogrossense.
Esta chegada de gaúchos deu-se, ainda como os paulistas,
de maneira constante durante o século XIX e início
do século XX. Na década de 1970, no entanto,
uma segunda onda de migrantes gaúchos estabeleceu-se
em Mato Grosso do Sul, seguindo padrões de colonização
notadamente diferentes da primeira. Juntamente com paranaenses,
estes gaúchos procuravam se dedicar à cultura
mecanizada da soja na região centro-sul do estado
[13].
Migração mineira
Foi com as expedições realizadas no final
da década de 1820 pelo Barão de Antonieta
que uma maior quantidade de mineiros passou a adotar o sul
matogrossense como seu novo lar, sobretudo com o advento
das frentes colonizadoras dos Garcia Leal e dos Lopes, no
nordeste e centro do estado. Tal processo continuou durante
o século XX e, assim como a migração
paulista, a migração mineira continua sendo
um fator constante em Mato Grosso do Sul no século
XXI.
Migração paranaense
Diferentemente dos casos das migrações paulista
e mineira, a chegada de migrantes paranaenses às
terras sul-matogrossenses deu-se em dois momentos históricos
mais isolados. Uma grande onda de paranaenses chegou ao
estado durante a década de 1940, com a Marcha para
o Oeste promovida por Getúlio Vargas e as companhias
de colonização, estabelecendo-se nas regiões
central e sul do estado, na Colônia de Dourados. A
segunda parcela desses migrantes estabeleceu-se em Mato
Grosso do Sul nas décadas de 1970 e 1980, à
procura de terras onde pudessem se dedicar à produção
mecanizada de cereais, sobretudo a soja, na mesma região
que a anterior [14].
Migração nordestina
A migração nordestina no estado de Mato Grosso
do Sul intensificou-se a partir de 1890, uma vez que as
frentes colonizadoras mais antigas já se encontravam
estabelecidas. Embora tenha permanecido contínua
até a década de 1930, no entanto, este fluxo
de nordestinos para o sul matogrossense pode ser diferenciado
de uma segunda onda de migrantes, que atingiu a região
durante a Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas.
Enquanto o primeiro grupo se distribuiu em diferentes áreas
do estado, o segundo concentrou-se no centro e sul do mesmo.
Imigração
Visando a substituição da mão-de-obra
escrava por trabalhadores livres no Brasil, o Governo Imperial
passou, a partir da segunda metade do século XIX,
a promover mais ativamente a imigração, principalmente
européia, para solos tupiniquins. Desta época
até o nacionalismo do Estado Novo, que dificultou
a imigração, o Brasil recebeu milhões
de imigrantes, não só europeus. O sul matogrossense
não foi exceção.
A partir de 1890, o estado de Mato Grosso – notadamente
o sul matogrossense – apresentou uma população
de estrangeiros crescente, superior a 6% da população
total, até 1920, quando o número decaiu para
entre 5 e 3% da população em 1970 [15]. De
qualquer maneira, no período entre 1872 e 1970, o
Mato Grosso e o sul matogrossense tiveram continuadamente
uma população estrangeira acima da média
nacional, caso este que somente se repetiu com quatro outros
estados e a cidade do Rio de Janeiro. Entre 1920 e 1970,
mais de 50% dos estrangeiros que habitavam o Mato Grosso
eram paraguaios. Outros 13% eram naturais da Bolívia.
Imigração germânica, austríaca,
e de europeus do leste
Na década de 1920, a Europa ainda sofria as conseqüências
da Primeira Guerra Mundial. Fazendo uso das dificuldades
econômicas daquela região, principalmente dos
países vizinhos à Alemanha, foram várias
as empresas que se dedicaram a promover, mediante pagamento,
a emigração para países como Estados
Unidos e Brasil.
A Companhia de Colonização Alemã Hacker
foi uma dessas que possibilitou a vinda de imigrantes alemães,
búlgaros, poloneses, russos, austríacos e
romenos para o Brasil, mais especificamente para o sul matogrossense,
a lugares como a Colônia de Terenos, novo núcleo
agrícola próximo a Campo Grande. Devido a
vários problemas, no entanto, mesmo com a ajuda da
Prefeitura de Campo Grande, essa colônia fracassou
e muitos dos colonizadores partiram de volta à Europa
ou para o sul do Brasil.
De qualquer maneira, no ano de 1960, o censo do IBGE registrou
232 alemães em Mato Grosso. A maioria deles se encontrava
no sul matogrossense, pois, após a divisão
do estado, em 1980, era 176 o número de alemães
no Mato Grosso do Sul segundo o IBGE.
Imigração espanhola
Refletindo o fato de que no Brasil os espanhóis são
a terceira etnia de imigrantes europeus mais numerosa, em
Mato Grosso do Sul a porcentagem de seus descendentes é
comparável àquela do restante do país.
Além de ter recebido imigrantes diretamente da Espanha,
o estado ainda abrigou imigrantes desiludidos com a situação
em estados como São Paulo. O mesmo aconteceu com
italianos e japoneses, que muitas vezes passaram por outros
estados, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, antes
de se estabelecerem no sul matogrossense.
Imigração italiana
Embora o sul matogrossense tenha recebido imigrantes italianos,
a maior parte dos ítalo-sulmatogrossenses descende
de imigrantes que inicialmente tiveram passagem por estados
como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.
Isso se deveu à falta de oportunidades nesses estados,
principalmente no sul do Brasil, o que fez com que milhares
de sulistas migrassem para a região Centro-Oeste,
em especial para o Mato Grosso do Sul. Entre esses migrantes,
figuravam milhares de ítalo-brasileiros. A população
italiana e ítalo-descendente no estado de Mato Grosso
do Sul hoje representa cerca de 5% da população
[16].
Imigração japonesa
Monumento à imigração japonesa, em
Campo GrandeA porcentagem japoneses e descendentes no estado
de Mato Grosso do Sul é relativamente alta. Segundo
o IBGE, 1,7% dos sul-matogrossenses se consideram como sendo
da raça amarela. Considerando-se que a imigração
de outras etnias asiáticas para o estado ainda é
relativamente pequena, presume-se que grande maioria desses
1,7% seja de origem nipônica. O número é
mais que três vezes maior que a porcentagem de amarelos
na população brasileira e quase duas vezes
maior que a porcentagem de amarelos em São Paulo.
No dia 18 de junho de 1908, o navio Kassato Maru chegou
ao porto de Santos, trazendo 781 imigrantes. Desses, 26
famílias viriam para o sul matogrossense, atraídos
por suas terras férteis, pouco exploradas, e seu
clima agradável.
A necessidade de mão-de-obra para a construção
da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, com muito boa remuneração
para a época, também trouxe imigrantes desiludidos
com as fazendas de café de São Paulo e Minas
Gerais. Em 1909, um grupo de 75 imigrantes - a maioria de
natural de Okinawa - partiu de Santos em um cargueiro fretado
pela construtora da ferrovia e vieram pelo estuário
do Rio da Prata, até Porto Esperança, na base
das obras da ferrovia, já em Mato Grosso. Outros,
ainda, vieram pelo Peru.
Devido às dificuldades encontradas na construção
da ferrovia, como doenças e ataques indígenas,
muitos imigrantes japoneses desistiram do trabalho e se
concentraram em cidades como Campo Grande e Três Lagoas,
onde se dedicaram à produção de hortifrutigranjeiros,
seda e ao setor de serviços. Seu sucesso trouxe outros
imigrantes japoneses para a região.
Imigração paraguaia
Os paraguaios são o maior grupo étnico estrangeiro
em Mato Grosso do Sul, tendo se estabelecido na região
desde a demarcação da fronteira entre o estado
e aquele país. Constituíram, por exemplo,
a grande parte da mão-de-obra da Companhia Mate Laranjeira.
Sua influência cultural é notável,
seja pelo consumo de erva-mate, em forma de tereré,
seja pelas polcas paraguaias, guarânias e chamamés,
ou seja pelas chipas. Foi após uma receita caseira
paraguaia que se criou o Hospital Adventista do Pênfigo,
hoje referência no tratamento do "fogo selvagem",
ou pênfigo.
Imigração portuguesa
Como é o caso do Brasil, Mato Grosso do Sul tem,
desde seus primórdios, recebido imigrantes portugueses.
No século XX, uma grande onda migratória se
deu entre 1929 e 1961, tendo sido portugueses, por exemplo,
os contrutores da primeira estrutura de concreto armado
do então Mato Grosso, a “Ponte Velha”,
de Coxim. No ano de 2003, a colônia portuguesa em
Mato Grosso do Sul possuía aproximadamente dois mil
e quinhentos integrantes [17].
Imigração sírio-libanesa
Cerca de 5% da população sul-matogrossense
é composta de árabes ou árabe-descendentes,
porcentagem alta em comparação a outras regiões
do Brasil. [18]
A partir de 1912, fugindo de conflitos no Oriente Médio,
sírios, libaneses, turcos e armênios passaram
a chegar ao porto de Santos. Dessa cidade, partiram para
o porto de Corumbá, o portal de entrada para o Centro-Oeste
e o pólo comercial de Mato Grosso. De lá,
dispersaram-se para outras cidades do estado. Muitos outros
também chegaram através Estrada de Ferro Noroeste
do Brasil, a qual ajudaram a construir. Mesmo antes de terminada
a construção da estrada de ferro, no entanto,
já passavam a se dedicar ao comércio, sua
principal atividade. [19]