As bacias hidrográficas do Distrito Federal
A região do Distrito Federal, com uma área
de 5.789,16 km², é drenada por cursos d’água
pertencentes a três das mais importantes bacias hidrográficas
brasileiras: São Francisco (Rio Preto), Tocantins/Araguaia
(Rio Maranhão) e Paraná (rios São Bartolomeu
e Descoberto). De acordo com o mapa hidrográfico
do DF (Mapa das Unidades Hidrográficas), essas bacias
são denominadas de Regiões Hidrográficas.
Todos os seus rios são de planalto, sendo as principais
bacias identificadas por um padrão de drenagem radial.
Pela disposição da drenagem, observa-se que
dois de seus cursos de água são delimitadores
do território do Distrito Federal: a Leste, o Rio
Preto; e, a Oeste, o Rio Descoberto.
A altitude dos divisores de água é da ordem
de 1.200/1.300 m. Na separação entre as Regiões
Hidrográficas Tocantins/Araguaia e do Paraná
predominam vertentes formadas por chapadas, enquanto nos
limites entre as bacias do Paraná e São Francisco
a ocorrência mais comum no relevo é a de formas
de serras e quebradas. Devido às características
de rios de planalto, que cortam toda região do Distrito
Federal, é típica a ocorrência de perfis
escalonados por zonas de rápidas corredeiras, ou
mesmo grandes quedas d’água, formando as lindas
cachoeiras que despontam no Cerrado. Dadas as condições
favoráveis dos solos, da topografia e do clima, a
grande maioria dos cursos da rede de drenagem local conta
com regime perene.
A Região Hidrográfica do São Francisco
drena, aproximadamente, 1.407 km² do Distrito Federal,
com uma descarga média de longo período de
23 m³/s (Estudo do Potencial Hídrico para a
Agricultura Irrigada na Bacia Hidrográfica do Rio
Preto, NCA-1995). É constituída pela Bacia
do Rio Preto, cuja nascente encontra-se próxima à
cidade de Formosa. Os seus principais afluentes são:
Ribeirão Santa Rita, Ribeirão Jacaré,
Ribeirão Extrema, Rio Jardim e Ribeirão São
Bernardo.
A Região Hidrográfica Tocantins/Araguaia
drena cerca de 773 km² do Distrito Federal, compreendendo
praticamente toda a região Norte do mesmo. É
constituída pela Bacia do Rio Maranhão, cuja
nascente encontra-se próxima ao Distrito Federal,
sendo seus principais afluentes: o Rio Palmeiras, Ribeirão
Sonhim, Ribeirão da Contagem, Ribeirão das
Pedreiras, Ribeirão Cafuringa, Rio das Palmas, Ribeirão
Dois Irmãos e Rio do Sal.
A Região Hidrográfica do Paraná é
responsável pela maior área drenada do Distrito
Federal, ocupando, aproximadamente, uma área de 3.658
km² com uma descarga média de 64 m³/s.
É constituída pelas bacias hidrográficas
do Rio São Bartolomeu, do Lago Paranoá, do
Rio Descoberto, do Rio Corumbá e do Rio São
Marcos. Por ter a maior área de drenagem, cerca de
64% de toda porção territorial do Distrito
Federal, a região hidrográfica do Paraná
é de suma importância para a região,
pois nela estão localizadas todas as grandes áreas
urbanas e todas as captações de água
para o abastecimento público.
Os principais formadores das bacias hidrográficas
da Região Hidrográfica do Paraná, na
área do Distrito Federal, são os seguintes:
Bacia do Descoberto, constituída pelo Rio Descoberto,
que nasce no Distrito Federal, o Ribeirão Rodeador,
o Ribeirão das Pedras, o Ribeirão Melchior
e o Ribeirão Engenho das Lajes; Bacia do Corumbá,
formada pelo Ribeirão Ponte Alta, Alagado e Santa
Maria; Bacia do São Marcos, constituída pelo
Córrego Samambaia; Bacia do São Bartolomeu,
formada pelo Ribeirão Pipiripau, Ribeirão
Mestre d’Armas, Ribeirão Sobradinho, Rio Paranoá,
Ribeirão Taboca, Ribeirão da Papuda, Ribeirão
Cachoeirinha e Ribeirão Santana.
A bacia da área objeto do presente estudo é
formada pela Bacia do Lago Paranoá. As unidades hidrográficas
que compõem a bacia são: Santa Maria/Torto,
Bananal, Riacho Fundo, Ribeirão do Gama e Lago Paranoá.
Os principais cursos d’água que compõem
cada unidade hidrográfica são:
Unidade Hidrográfica Santa Maria/Torto
É formada pelos córregos Milho Cozido
e Vargem Grande, afluentes do Santa Maria que, por sua vez,
é afluente do Córrego Três Barras e
esse, após sua confluência com o Ribeirão
Tortinho, forma o Ribeirão do Torto, que desemboca
diretamente no Lago Paranoá. Nesta unidade hidrográfica
há duas importantes captações da CAESB.
Uma é o sistema Santa Maria/Torto, onde são
captados respectivamente 1.200 l/s e 500 l/s, cuja água
é destinada ao abastecimento de Brasília.
A outra é a barragem de Santa Maria, que interrompe
a ligação da bacia a montante da mesma com
o restante da bacia.
Unidade Hidrográfica do Bananal: É
constituída pelo ribeirão do mesmo nome e
do Córrego Acampamento, além de outros pequenos
córregos. Nesta unidade está localizada a
área de lazer conhecida pelo nome de Água
Mineral. Estas duas unidades hidrográficas estão
localizadas, em sua quase totalidade, dentro do Parque Nacional
de Brasília.
Unidade Hidrográfica do Riacho Fundo: O
Riacho Fundo, que nasce na região Sudoeste da bacia,
tem como principal afluente, na margem direita, o Córrego
Coqueiros, além de outros pequenos córregos;
e, na margem esquerda, como principais contribuintes, os
córregos Vicente Pires e Guará.
Unidade Hidrográfica do Gama: O
ribeirão que dá o nome a esta unidade nasce
na área conhecida como Mata do Catetinho, na parte
Sul da Bacia do Paranoá, tendo como principais afluentes,
na margem esquerda, os córregos Mato Seco e Cedro,
e, na margem direita, os córregos Capetinga e Taquara.
Unidade Hidrográfica Lago Paranoá:
É constituída, além do próprio
lago de mesmo nome, pelas áreas de drenagens de pequenos
córregos que contribuem diretamente com o lago, tais
como: Cabeça de Veado, Canjerana e Antas, na região
do Lago Sul; Taquari, Gerivá e Palha, na região
do Lago Norte; além das áreas que contribuem
diretamente com o espelho d’água.
A drenagem típica da Bacia do Paranoá é
a anelar, formada pelos tributários já mencionados,
apresentando uma característica interessante, que
é o sentido principal do escoamento, de Oeste para
Leste.
A hierarquização dos cursos d´água
dentro de uma bacia hidrográfica obedece aos seguintes
critérios:
- O conjunto do curso d’água principal e da
bacia hidrográfica que o forma é classificado
de 1ª ordem;
- Os afluentes diretos e as respectivas bacias são
classificados como de 2ª ordem;
- Os afluentes diretos de um curso de 2ª ordem, e as
respectivas bacias, são classificados de 3ª
ordem, e assim por diante.
Portanto, a Bacia do Paranoá, dentro da grande Bacia
do Paraná, é classificada como de 5ª
ordem, já que o Rio Paranoá é afluente
do São Bartolomeu (4ª ordem), que, por sua vez,
é afluente do Corumbá (3ª ordem), e este
do Paranaíba (2ª ordem), que é um dos
formadores do rio (ou bacia) do Paraná (1ª ordem).
Seguindo esses critérios, os cursos d´água
formadores do Rio Paranoá são, respectivamente:
Torto/Bananal e Riacho Fundo/Gama, sendo as duas bacias
classificadas como de 6ª ordem. E, por fim, as bacias
do Torto, Bananal, Riacho Fundo e Gama, bem como o Lago
Paranoá e seus afluentes, que correspondem às
Unidades Hidrográficas, são bacias de 7ª
ordem. Poderíamos continuar classificando outras
bacias, mas julgamos desnecessário, pois a Unidade
Hidrográfica é considerada no Distrito Federal
como a menor unidade de planejamento em termos de recursos
hídricos.
Disponibilidade hídrica superficial
A caracterização da disponibilidade hídrica
superficial na área da bacia foi realizada, de maneira
geral, com base em dados primários, coletados em
diversas estações hidrológicas, operadas
pela CAESB. As estações mais importantes,
sua localização, período de operação
e nome do curso d’água, são as seguintes:
A caracterização empreendida abrangeu os principais
cursos d’água da rede de drenagem da Bacia
do Paranoá, quais sejam: Ribeirão do Torto,
Riacho Fundo, Ribeirão do Gama e Ribeirão
Bananal; a partir dos dados hidrológicos que compõem
as séries históricas e, no caso da unidade
hidrográfica do Lago Paranoá, por meio de
processos de regionalização.
Ribeirão do Torto: O Ribeirão
do Torto possui uma área de drenagem de 249,76 km²;
seu curso principal mede cerca de 20 km e apresenta uma
declividade média de 7,8 m/km. Não possui
mais um regime hídrico natural, pois está
alterado pela presença das barragens de Santa Maria
e do Torto. Seus principais afluentes são os córregos
Tortinho e Três Barras, juntamente com o Ribeirão
de Santa Maria. O Ribeirão do Torto deságua
diretamente no Lago Paranoá com uma vazão
média de 2,89 m³/s.
Ribeirão do Gama: O Ribeirão
do Gama possui uma área de drenagem de 142,40 km²
e seu curso principal mede cerca de 14 quilômetros.
A bacia compreende os seguintes cursos d’água:
Córrego do Cedro, Córrego Mato Seco, Córrego
Capetinga e Córrego Taquara; seus principais afluentes.
Deságua diretamente no Lago Paranoá, com uma
vazão média de 1,85 m³/s.
Ribeirão do Riacho Fundo: A sub-bacia
do Ribeirão Riacho Fundo, contribuinte do Lago Paranoá,
possui uma área de 225,48 km² e a extensão
de seu curso principal é de 13 km. Seus principais
afluentes são os córregos Vicente Pires e
Guará, pela margem esquerda, e o Córrego Ipê,
pela margem direita. A sua vazão média é
de 4,04 m³/s.
Ribeirão Bananal
A sub-bacia do Ribeirão Bananal, ocupando
uma área de 127,74 km², está praticamente
situada dentro do Parque Nacional de Brasília. O
Ribeirão Bananal tem uma extensão de 19,1
km e deságua diretamente no Lago Paranoá.
Seus principais afluentes são os córregos
do Poço Fundo e do Acampamento. Sua vazão
média é de 2,51 m³/s.
Lago Paranoá: A sub-bacia do Lago
Paranoá ocupa uma área de 288,69 km²,
funcionando como bacia de captação dos principais
cursos d’água que drenam o sítio urbano
da cidade de Brasília. A unidade lacustre, integrante
de destaque na paisagem da Bacia do Rio Paranoá,
resulta de uma antiga depressão inundada, que foi
reorganizada pelo planejamento para instalação
da cidade.
O Lago Paranoá foi formado a partir do fechamento
da barragem do Rio Paranoá, no ano de 1959, represando
águas do Riacho Fundo, do Ribeirão do Gama
e do Córrego Cabeça de Veado, ao Sul, e do
Ribeirão Torto e do Córrego Bananal, ao Norte,
além de outros pequenos tributários que alimentavam
as belas cachoeiras que desciam rumo ao Rio São Bartolomeu.
Foram necessárias duas temporadas de chuvas para
que as águas do lago atingissem a cota prevista de
1.000 m acima do nível do mar. Desde então,
o lago passou a cumprir o seu destino, de embelezamento
da Nova Capital, criando um microclima ao seu redor e oferecendo
alternativas de lazer e recreação para a população,
transformando-se no mais belo monumento da escala bucólica
da cidade.
Além de contar com as contribuições
dos afluentes principais, o lago recebe águas de
drenagens pluviais urbanas e dos efluentes de duas estações
de tratamento de esgotos, a ETE Sul e a ETE Norte.
No que diz respeito à ação da água
no meio ambiente, a tabela a seguir apresenta uma série
de efeitos hidrológicos decorrentes da ação
antrópica no processo de urbanização.
À medida que uma aglomeração urbana
se expande, com maiores mudanças nos usos do solo
e da água, ocorrem novos efeitos hidrológicos.
Diante de tais quadros, presume-se que os efeitos apontados
devam ser objeto de preocupação por parte
dos planejadores, mediante medidas preventivas, relativas
ao controle da água e da erosão do solo, permitindo
direcionar melhor os recursos para o bem-estar da população
em vez de gastá-los em obras de recuperação
ambiental.