O local onde hoje se encontra edificada a Cidade de Aracaju
era residência do Cacique Serigi, que dominava das
margens do rio Sergipe às do Vasa Barris. A influência
de povoadores de origem portuguesa à região
adveio de estar o território, na época, sob
a jurisdição da Capitania da Bahia de Todos
os Santos, sujeito a repetidas incursões de navegantes
franceses, que mercadejavam ilegalmente com indígenas.
Em 1590 Cristóvão de Barros
iniciou ataque à tribos do Cacique Serigi e do seu
irmão Siriri, que morreram lutando contra o conquistador,
que vitorioso, fundou a Cidade de São Cristóvão
junto à foz do rio Sergipe, depois mudada para oiteiro
Santo Antônio - à margem direita do rio Poxim,
anos depois mudada para o local onde hoje se encontra -
às margens do rio Paramopama. Com a conquista as
praias de Aracaju ficaram despovoadas e suas terras estavam
incluídas entre as que foram doadas em sesmaria a
Pero Gonçalves, por volta de 1602.
Em 1669 tem-se notícia da existência
do arraial de Santo Antônio de Aracaju, cujo Capitão
era o indígena João Mulato. No século
seguinte, por volta de 1757, o arraial de Aracaju, de remota
fundação, localizado à margem do estuário
do Rio Sergipe, levava uma vida obscura, embora estando
incluído entre os mais importantes sítios
da Freguesia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
do Tomar do Cotinguiba.
A partir de 1854 a praia de Aracaju, perto
da foz do rio Sergipe, foi alvo de providências governamentais,
para ali transferindo Alfândega e Mesa de Rendas Provinciais.
Aí criaram-se Agência do Correio e uma Sub-Delegacia
Policial. Pintou a Atalaia e o porto iria aparecer.
Os portos capivara (no rio Piauí),
Pedreiras (no rio Vasa Barris) e das Pedras (no rio Sergipe)
marcavam os limites da navegação marítima,
mas os navios nem sempre podiam fazer sua carga completa.
Os navios de maior calado ficavam fora e somente samucas
de pequena tonelagem podiam atingir os portos. O progresso
da Província reclamava o fim do impasse. Inácio
Barbosa concebeu seu plano.
A 2 de Março de 1855, fora do seu
assento habitual, um organismo que nada tinha a ver com
a função portuária do lugar, a Assembléia
Legislativa da Província, abriria suas sessões
numa das poucas e modestas casas que se podia encontrar
na praia de Aracaju. Colhida, quase que surpresa, recebia
em seu recinto o projeto elevando o Povoado Santo Antônio
de Aracaju à categoria de Cidade e transferindo para
ele a Capital da Província. A grandiosidade do projeto,
ou o seu imprevisto, os deputados provinciais ficaram perplexos
e a discussão se fez em ambiente sereno. Nada impediu
a marcha do projeto e este foi sancionado a 17 de Março
de 1855, constituindo um dos atos de mais profunda repercussão
na vida sergipana.
A estabilidade política com que
se apresentava o Segundo Império, graças a
ação pacificadora do Gabinete do Paraná,
talvez tenha contribuído para que a transferência
se desse sem revolta armada, limitando-se os protestos dos
habitantes de São Cristóvão às
manifestações de desagrado. O fato, entretanto,
baseava-se na superioridade da Cidade de Aracaju sobre a
de São Cristóvão, no que se refere
a facilidade de escoamento da produção, principalmente
açucareira, e na necessidade de localizar a sede
do governo em seu lugar mais apropriado a futuro crescimento.
Com esta preocupação Joaquim Inácio
Barbosa, seguindo o planejamento urbanístico de Sebastião
José Basílio Pirro, procurou tornar Aracaju,
realmente, o centro principal de uma região economicamente
mais ativa que a da antiga capital.
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