A Ilha de Santa Catarina com seu Porto de Nossa Senhora
do Desterro foi uma das principais portas de entrada para
o Brasil Meridional. Suas duas excelentes baías,
que constituíam um ancoradouro ideal em qualquer
vento, e a dócil população nativa permitiram
à ilha se tornar um porto de abastecimento e um ponto
de apoio estratégico para o Atlântico Sul e
para a Baía do Prata.
Os primeiros registros do povoamento europeu na Ilha de
Santa Catarina datam do início do século XVI
e coincidem com a abordagem intensiva de exploradores de
madeira, aventureiros e estrangeiros de diversas procedências
e origens, que acorreram ao litoral brasileiro, tentando
configurar a posse e ocupação jurídica
do território.
Estes viajantes europeus transitaram e estacionaram na ilha
e sua imponente Baía dos Patos, mais tarde conhecida,
em alusão ao estreito que tem entre as baías
do Norte e do Sul, pelo nome de Y-Jurirê Mirim. Esta
gente, não deixou o mínimo núcleo de
população no lugar, porquanto o seu único
objetivo era a exploração das riquezas que
constava existirem no Prata. A ilha que permanecia habitada
apenas por índios, passou a receber diversos nomes,
entre eles, Ilha dos Patos, e Meyembipe, palavra indígena
que significa ilha costeira .
Inicialmente foram alguns náufragos, degredados,
desertores e contrabandistas de madeira, provenientes também
das primeiras expedições portuguesas e espanholas
ao sul do Brasil que se fixaram na região próxima
do que viria a ser Desterro. A população nativa
local, composta por índios carijós, foi gradativamente
abandonando as terras insulares e se dirigindo para o interior
do continente fronteiro.
A partir de 1530, o território entre o Maranhão
e Santa Catarina foi dividido em 12 faixas lineares, limitadas
a leste pelo Atlântico e a Oeste, pela linha convencional
das Tordesilhas. A Ilha de Santa Catarina foi então
incluída na Capitania de Santo Amaro e Terras de
Sant´Ana, numa extensão de território
que ia desde Cananéia até Laguna, e foi doada
a Pero Lopes de Souza, por volta de 1534, quando se iniciou
um pequeno povoamento. Isto possibilitou o início
da ocupação oficial da costa catarinense,
através da fundação de diversas vilas,
entre elas Nossa Senhora do Rio São Francisco (1658),
Nossa Senhora do Desterro (1662) e Santo Antônio dos
Anjos da Laguna (1682).
A fundação efetiva da Póvoa de Nossa
Senhora do Desterro ocorreu por iniciativa do bandeirante
paulista Francisco Dias Velho, por volta de 1651. Em 1675,
Dias Velho ergueu uma cruz e, em 1678 deu início
à construção da capela de Nossa Senhora
do Desterro. A igreja primitiva definiu o centro do povoado
e marcou o nascimento da Vila de Nossa Senhora do Desterro,
podendo ser considerada o berço de Florianópolis.
Aos poucos foi se processando uma ocupação
litorânea, lenta e espontânea, por meio da concessão
de sesmarias, que se fixaram com seus estabelecimentos agrícolas
e pastoris.
A morte do fundador, ocorrida entre 1679 e 1680, provocou
certa recessão no povoado e o extenso território,
de precária delimitação, foi paulatinamente
ocupado por novos moradores. Por volta de 1700, alguns povoadores
viriam de São Francisco do Sul, Paranaguá,
Cananéia, Santos e São Vicente, o que não
chegou a arrancar o povoado da estagnação.
Um estímulo oficial aconteceria com a elevação
à Vila, em 1726. Já em 1730, com a criação
da Freguesia, o pequeno núcleo populacional foi reconhecido
como capaz de alguma organização. O núcleo
central da ilha denominada Santa Catarina passou a ser chamado
Freguesia de Nossa Senhora do Desterro, depois simplesmente
Desterro.
A partir da fundação da Colônia de Sacramento
(1680) e da consequente necessidade de dar-lhe cobertura
militar, a ilha catarinense passou a representar um ponto
estratégico de importância para a Coroa Portuguesa.
A sua posição era valorizada por situar-se
praticamente a meio caminho entre Rio de Janeiro e Buenos
Aires, na época as duas maiores cidades litorâneas
da face atlântica da América do Sul. A localização
geográfica e as vantagens físicas do porto
desterrense impuseram-se às razões políticas
e econômicas, justificando a criação
da Capitania da Ilha de Santa Catarina (11/08/1738) e motivando
a implantação do mais expressivo conjunto
defensivo litorâneo do Sul do Brasil e, posteriormente,
uma campanha de povoamento.
O Brigadeiro José da Silva Paes foi designado à
frente da Capitania (05/08/1738) e organizou o seu sistema
de defesa. Construíram-se as fortalezas de Santa
Cruz, na Ilha de Anhatomirim (1738), de São José
da Ponta Grossa (1740), de Santo Antônio na Ilha de
Ratones Grande (1740), e de Nossa Senhora da Conceição
da Barra do Sul (1740).
Com este evento, o afluxo populacional tomou impulso, incrementando-se
novas doações de sesmarias. De outra parte,
a criação de cargos públicos promoveu
a vinda de titulares graduados com suas famílias,
dando lugar às primeiras guarnições
e estimulando o paulatino reerguimento da Vila.
O efetivo povoamento da região foi enriquecido com
a campanha migratória que transferiu em torno de
6.000 colonizadores açorianos para o sul do país
e meia centena de madeirenses, principalmente no período
de 1748 e 1756. Estes colonos criaram e desenvolveram comunidades,
fundando diversas freguesias, tais como a da Santíssima
Trindade, a da Lagoa da Conceição, a de Santo
Antônio de Lisboa, a de São João do
Rio Vermelho, a de Canasvieiras, e a do Ribeirão
da Ilha. Posteriormente, os açorianos também
se dirigiram para o território continental e para
o Rio Grande do Sul.
Até as primeiras décadas do século
XX a Ilha de Santa Catarina era dividida entre quatro pólos
principais a saber: a Freguesia de Santo Antônio de
Lisboa, ao Norte, as Freguesias da Lagoa da Conceição
e da Vila Capital ao centro e a Freguesia do Ribeirão
da Ilha, ao sul. No continente, a centralização
era representada pela Freguesia de São José
da Terra Firme e Freguesia da Enseada do Brito.
A economia de Desterro era fraca e voltada para a subsistência,
com períodos de modesto aquecimento, em função
das atividades portuárias e do comércio de
cabotagem.
No século XIX, Desterro foi elevada à categoria
de cidade. Tornou-se Capital da Província de Santa
Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade,
com o investimento de recursos federais. Projetou-se a melhoria
do porto e a construção de edifícios
públicos, entre outras obras urbanas. A modernização
política e a organização de atividades
culturais e literárias também se destacaram,
marcando inclusive os preparativos para a recepção
ao imperador D. Pedro II (1845).
Com o advento da República (1889), as resistências
locais ao novo governo provocaram um distanciamento do governo
central e a diminuição dos seus investimentos.
A vitória das forças comandadas pelo Marechal
Floriano Peixoto determinaram, em 3 de outubro de 1894,
a mudança do nome da cidade para Florianópolis,
em homenagem a este marechal.
Ao entrar no século XX, a cidade passou por profundas
transformações, sendo que a construção
civil foi um dos seus principais suportes econômicos.
A implantação das redes básicas de
energia elétrica e do sistema de fornecimento de
água e captação de esgotos somaram-se
à construção da Ponte Governador Hercílio
Luz como marcos do processo de desenvolvimento urbano da
cidade do século XX e Florianópolis se afirmou
como capital do Estado.
Hoje, a sua área territorial, compreende 436,50 km²,
sendo 424,40 km², referentes a Ilha de Santa Catarina
e a área continental com 12,10 km² e com uma
população de 271.281 mil habitantes. Fazem
parte do município de Florianópolis os seguintes
Distritos Administrativos: Sede, Lagoa da Conceição,
Pântano do Sul, Ratones, Ribeirão da Ilha,
Santo Antônio de Lisboa, São João do
Rio Vermelho, Campeche e Barra da Lagoa, Canasvieiras, Ingleses
do Rio Vermelho e Cachoeira do Bom Jesus.
Florianópolis tem sua economia alicerçada
nas atividades do comércio, prestação
de serviços, indústria de transformação
e turismo. Recentemente a indústria do vestuário
e a informática vem se tornando também setores
de grande desenvolvimento.
Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se
hoje, além das magníficas praias, e rústicas
trilhas pelo interior da ilha, as pitorescas localidades
onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes
açorianos, tais como o Ribeirão da Ilha, a
Lagoa da Conceição, Santo Antônio de
Lisboa, além do próprio centro histórico
da cidade de Florianópolis, o excepcional conjunto
de fortalezas oitocentistas, quase todo já restaurado,
e sítios arqueológicos pré-históricos,
que remontam a 4 mil anos.
Estes conjuntos arquitetônicos tradicionais, com seu
casario geminado, suas igrejas oitocentistas, seus impérios
e cruzeiros, compõem um ambiente onde práticas
artesanais tradicionais, tais como a pesca, a produção
de trançados com as redes, tramóias e a renda
de bilros, de farinha de mandioca e aguardente de cana,
de cestaria por exemplo, são ainda encontradas, destacando
as características típicas do ilhéu
e sua herança histórica de raízes açorianas.
Verifica-se também a permanência das manifestações
folclóricas de influência lusitana e açoriana,
indicando uma estrutura sócio cultural transplantada
dos Açores e da Madeira. Presencia-se, ainda hoje,
as festas populares tais como a Folia do Espírito
Santo, o Boi-de-mamão e o Terno de Reis.
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