Torres é um dos núcleos mais antigos do Rio
Grande do Sul. Era utilizado pelos índios Carijós,
de Santa Catarina, e Arachanes do Rio Grande do Sul, que
em seu comércio de trocas usavam uma picada, costeando
os banhados dos sopés internos, começando
na Praia Grande e indo até a Itapeva. Estas trilhas
também eram usadas por paulistas, compradores de
índios, que os levavam a São Paulo como escravos.
Os habitantes primitivos que viviam na
região Sul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai
e Argentina), quando ocorreu a chegada dos portugueses,
eram índios carijós, minuanos e arachanes.
Entre os anos de 1600 a 1640, estima-se
que viviam, no sul do país, cerca de quinhentos mil
índios, que aos poucos foram desaparecendo por causa
das doenças, escravidão e batalhas.
Através da documentação
existente sobre os indígenas do litoral, podemos
saber que os carijós eram dóceis e interesseiros.
Por este motivo houve um comércio muito grande entre
paulistas que viviam ao sul em busca de escravos, e os caciques.
Entre os índios, os negociantes que ficaram mais
famosos foram o cacique Tubarão que deu origem a
cidade de Tubarão e o cacique Maracanã. Aos
poucos, a região foi ficando despovoada de índios.
Sabe-se que, por volta de 1700, quando os lagunenses desceram
pelo litoral, quase não encontraram índios.
A cidade de Torres surgiu pela necessidade
de controlar esta estratégica passagem, na qual foi
instalado um posto fiscal, que logo se transformou em Guarita
Militar da Itapeva e Torres (entre 1774 e 1776). Colonos
açorianos, vindos do Desterro (atual Florianópolis)
e de Laguna (SC), começaram a instalar-se na região.
Em 1809, D. Diogo de Souza, primeiro capitão-mor
da capitania do RS, mandou reforçar a guarnição
de Torres e autorizou a construção do Forte
de São Domingos das Torres, além de um presídio
militar.
O título de fundador de Torres se
refere ao alferes Manoel Ferreira Porto, comandante da guarda
da guarita militar que, em 1815, obteve licença para
edificar a capela no local junto ao posto da guarda, atual
Morro do Farol, contrariando os desejos dos colonos, que
a queriam no morro da Itapeva.
Em 1826, D. Pedro I passou pelo povoado
de Torres/RS. No dia 05 dezembro, a caminho do Sul do País
por motivo da guerra da Cisplatina. No dia 25 do mesmo mês
e ano, ele retornou pernoitando novamente no complexo administrativo-militar
da época, situado entre a igreja e o baluarte.
Os alemães chegaram em 1826 e foram
separados, pelo comandante da fortaleza, conforme a religião
que professavam: Os protestantes formaram a colônia
de Três Forquilhas. Os católicos, por sua vez,
foram inicialmente para a estrada de Mampituba, depois junto
ao Rio Verde e, finalmente, entre as lagoas do Forno e Jacaré,
construindo a colônia de São Pedro de Alcântara.
Por volta de 1830, famílias de origem italiana, vindas
de Caxias do Sul, fixaram moradia no distrito de Morro Azul.
Dentre as personalidades que deram forte
impulso ao desenvolvimento de Torres, destaca-se quem lançou
a "indústria turística", que dominou
o cenário econômico local, da primeira até
a segunda grande guerra: José Antônio Picoral.
Filho da colônia São Pedro de Alcântara,
tornou-se próspero comerciante em Porto Alegre/RS,
mantendo, porém, vínculo com a terra de origem.
Depois de um frustrante veraneio em Tramandaí, Picoral
decidiu transformar Torres, em uma moderna Estação
Balneária e em 1915, após entendimentos com
João Pacheco de Freitas, Luiz André Maggi,
Carlos Voges e outros Torrenses, instalou seu Balneário
Picoral, marco histórico da introdução
do turismo em Torres/RS.
Em 1836, devido a Revolução
Farroupilha, iniciada em 1835, Torres sentiu as dificuldades
da guerra civil, que a deixou no mais completo abandono,
prejudicando e recuando o desenvolvimento. No ano seguinte,
através da Lei de 20 de dezembro de 1837, seria criada
a Freguesia de São Domingos das Torres, 28ª
da Província. O desenvolvimento da Freguesia deu-lhe
o privilégio de ser elevada a categoria de Vila e
Município, o que ocorreu em 21 de maio de 1878 pela
Lei Provincial n.º 1152, dando-se a sua instalação
a 22 de fevereiro de 1879.
A PRIMEIRA RUA DE TORRES
A rua Júlio de Castilhos foi a primeira de Torres,
suas origens datam de antes da descoberta do Brasil. No
começo foi trilha dos índios, talhada nos
matos que se estendiam no sopé do morro, ao longo
do banhado que rodeava a Lagoa do Violão. Aos indígenas
tornou-se essencial a abertura dessa picada, para possibilitar
a comunicação entre as praias que vinham no
norte (o litoral dos carijós) e as praias que levavam
ao sul (a região dos arachanes). A linha hoje ocupada
pela rua Júlio de Castilhos, representava o traçado
mais lógico para unir o Norte ao Sul.
O CASARIO ANTIGO
Torres tem, ainda, um pouco da história “viva”.
Assim poderiam ser consideradas as casas antigas da rua
Júlio de Castilhos, uma dezena escassa, representativas
da vida inicial da localidade. Formam um conjunto arquitetônico
dos mais típicos, em estilo colonial, que até
por motivos estéticos e turísticos, deveria
ser preservado. Trata-se de um casario todo construído
no século passado, de pedras extraídas do
Morro do Farol, rejuntadas com barro e cal de sambaquis
e madeiramento de lei, extraído das matas que então
existiam na Praia da Cal e ao redor da Lagoa do Violão.
O FORTE DE SÃO DIOGO
Este estabelecimento militar erguido em março de
1777, ocupou a plataforma baixa do Morro do Farol, aproximadamente
onde agora está a Escola Cenecista Prof. Durban Ferraz
Ferreira ou ligeiramente atrás. Esteve guarnecido
poucos meses por tropas do Regimento de Santos e foi desocupado
ao saber-se do armistício que garantia a retirada
dos Castelhanos que haviam invadido a Ilha de Santa Catarina,
no começo daquele ano. O Forte São Diogo desmanchou-se
com o tempo não deixando sinais. A maioria dos torrenses
e veranistas nem imaginam que ali existiu um Forte, antes
de nascer a cidade.
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