Ao atravessar o pórtico da entrada de São
Miguel das Missões/RS e ler o brado heróico
de Sepé Tiaraju lá inscrito, já estava
certo de que adentrava na chamada República dos Guaranis,
um lugar onde o passado e o futuro se cruzam na história
dos povos que transformaram os sonhos e o destino da América
do Sul.
A grande experiência evangelística dos jesuítas
entrou para a história como uma prematura experiência
comunista, muito antes da revolução russa
e do próprio Marx. Nos tempos modernos, foi também
o mais revolucionário estado teocrático, que
deu início à industrialização
da América Latina, reunindo, ao mesmo tempo, uma
extraordinária arte musical e plástica.
Na chamada República Guarani foram edificadas as
reduções (missões), que levaram, para
as selvas do Cone-Sul, sob o comando dos padres jesuítas,
o esplendor da arte européia e um desenvolvimento
urbano que muitas cidades ainda hoje sequer conhecem.
As reduções consistiram em verdadeiras cidades
em meio às selvas, com toda a infra-estrutura; além
da igreja, que era o centro de tudo, havia hospital, asilo,
escolas, casa e comida para todos e em abundância,
oficinas e até pequenas indústrias. Sob o
comando dos jesuítas, tornaram-se comunidades que
alcançaram notável desenvolvimento econômico
e cultural para a época.
A história de São Miguel das Missões
começa a ser contada em 1632, quanto foi fundada
a Redução de São Miguel Arcanjo, instalada
definitivamente no atual sitio no ano de 1687. Em 1745 foi
construído o Antigo Templo, projeto do irmão
João Batista Primoli, que ainda guarda a grandiosidade
arquitetônica e o simbolismo imaterial da epopéia
missioneira.
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