A referência mais remota sobre o território
do município de Três Rios data do início
do século XIX, quando Antônio Barroso Pereira
obteve por requerimento, de 16 de setembro de 1817, "terras
de sesmaria no sertão entre os rios Paraíba
e Paraibuna..." É no teor da concessão
da referida sesmaria, exarada pela coroa portuguesa, que
se identifica a origem da primeira toponímia do município
- Entre-Rios.
Dentro do seu patrimônio territorial Antônio
Barroso Pereira fundou cinco fazendas: a fazenda Cantagalo,
a mais importante, e as fazendas Piracema, Rua-Direita,
Boa União e Cachoeira, todas dependentes da primeira.
A 23 de junho de 1861 foi inaugurada a rodovia União
e Indústria (que ligava Petrópolis a Juiz
de Fora) e que passava pelas terras da fazenda Cantagalo.
Essa rodovia contou com grande colaboração
do fazendeiro Antônio Barroso Pereira e, por esse
motivo, o imperador Pedro II agraciou-lhe, em 1852, com
o título honorífico Barão de Entre-Rios.
Ainda em sua homenagem, à estação rodoviária
local foi dado o nome de Estação de Entre-Rios.
Com o batismo da estação não tardou
que o pequeno povoado, formado às margens da rodovia,
passasse a ser conhecido como Entre-Rios.
Em 1867 os trilhos da Estrada de Ferro D. Pedro II chegaram
à região e, tal a rodovia, essa ferrovia recebeu
o importante apoio do Barão que, falecido em 1862,
transmitiu a fazenda Cantagalo para sua filha Mariana Claudina
Pereira de Carvalho, feita Condessa do Rio Novo em 1880.
Viúva e sem filhos, a Condessa, falecida a 05 de
junho de 1882, em Londes, onde se encontrava em tratamento
de saúde, deixou a fazenda Cantagalo para a obra
assistencial que planejara em Paraíba do Sul, a Casa
de Caridade, com a recomendação de que "as
terras próximas à Estação de
Entre-Rios", poderiam ser aforadas para os que ali
quisessem residir. Tratava com essa recomendação
de garantir recursos perpétuos àquela futura
casa de assistência social.
Somada à movimentação que já
se fazia sentir pela rodovia e pela ferrovia, a oportunidade
do aforamento de terras veio, sobremaneira, efetivar um
relativo progresso para o local, já reconhecido como
importante entroncamento rodo-ferroviário. A 13 de
agosto de 1890, pelo decreto 114, o povoado de Entre-Rios
foi elevado a 2º distrito de Paraíba do Sul.
Confirmava-se o acelerado progresso local, apresentado por
uma superioridade frente ao distrito sede: maior população,
maior contingente eleitoral, maior arrecadação
de impostos - variados componentes que fizeram com que o
povo entrerriense reivindicasse sua emancipação
de Paraíba do Sul, já no início da
década de 20.
A 14 de dezembro de 1938, pelo decreto 634, o distrito de
Entre-Rios conseguiu a sua emancipação político-administrativa
e o novo município foi instalado a 1º de janeiro
de 1939.
Todavia, o município, nascido com a toponímia
de Entre-Rios, viu-se no início dos anos 40 obrigado,
por órgãos federais, a mudar a sua denominação
pela triplicidade do nome existente em outros municípios
brasileiros. A partir de 31 de dezembro de 1943, pelo decreto-lei
1056, o município de Entre-Rios passou a chamar-se
TRÊS RIOS, numa clara conotação aos
três mais importantes rios que cortavam o seu território:
rios Paraíba do Sul, Piabanha e Paraibuna.
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