A exclusividade indígena acabou quando chegaram os
portugueses em sua 2ª expedição exploradora.
Em 1503, uma esquadra portuguesa para reconhecimento do
litoral brasileiro sofreu um naufrágio em Fernando
de Noronha. a Expedição naval se dispersou
e, sob o comando de Américo Vespúcio, seguiu
viagem até a Bahia e depois até Cabo Frio
(Até 1985 Arraial do Cabo foi distrito de Cabo Frio,
depois foi emancipado). O Cabo Frio não é
o cabo que viria a ser povoado apenas, como arraial da cidade
de Cabo Frio, mas onde os principais acontecimentos históricos
da colonização portuguesa realizaram-se: ataques
piratas, naufrágios, guerras indígenas e a
construção de igrejas e feitorias. O palco
do descobrimento foi a Praia dos Anjos, antes chamada de
Praia da Rama. O navegador florentino Américo Vespúcio
desembarcou com três naus e deu à localidade
o nome de Cabo Frio dando início ao primeiro núcleo
populacional do país, assim como à exploração
do pau-brasil e ao extermínio dos índios,
rapidamente dizimados pelos estrangeiros.
Essa longa viagem seria a prova de que o pau-brasil encontrado
em Arraial do Cabo era de qualidade realmente superior,
uma vez que os navegadores desprezaram as feitorias do norte
para ali chegar e dali partir direto para a metrópole.
Sem a instalação definitiva dos portugueses,
por muito tempo aquelas terras ficaram entregues à
pirataria internacional.
Desde 1504 os franceses traficavam pau-brasil e outras mercadorias
com os tupinambás. Este tráfico ocorreu durante
as três primeiras décadas do século
XVI, restrito ao litoral da região nordeste do Brasil.
No entanto, a partir de 1540, em virtude de um rigoroso
controle naval português no litoral nordestino, os
franceses passaram a explorar os recursos naturais de Cabo
Frio - região sudeste do país. Estes, em 1556,
fizeram outra fortaleza-feitoria para exploração
do pau-brasil, na mesma ilhota utilizada anteriormente pelos
portugueses, hoje denominada Casa de Pedra. Esta fortaleza-feitoria,
construída um ano depois da fortaleza de Villegaignon,
na Cidade do Rio de Janeiro, ampliou e consolidou o domínio
francês no litoral sudeste.
A PRÉ-HISTÓRIA:
A história de Arraial do Cabo começa há
um milhão de anos, quando, pela ação
dos ventos e de correntes marítimas, foram incorporadas
ao continente três antigas ilhas, hoje morros do Mirante,
do Forno e Pontal do Atalaia.
Seus primeiros habitantes humanos chegaram há cerca
de cinco mil anos. Eram os nômades, que viviam em
grupos no alto dos morros e desciam apenas para buscar alimentos,
basicamente peixes e moluscos.
Mais tarde, vieram os índios da grande nação
tupi-guarani. Tribos Tupinambás habitavam toda a
área correspondente ao Estado do Rio de Janeiro,
e, nas terras onde surgiria Arraial, eram representados
pelos tamoios. Estes, mais avançados que os nômades,
viviam em aldeias, caçavam, plantavam mandioca, faziam
peças de cerâmica e enfeitavam-se com penas.
O pescado, os crustáceos e os moluscos formavam o
"cardápio" destes indígenas, mas
também a cultura da mandioca e a caça eram
utilizadas para complementar sua alimentação.
Destaca-se ainda, na cultura tupinambá, a confecção
de peças de cerâmica. Segundo estudos arqueológicos,
havia cerca de 50 aldeias tupinambás na região,
estimando-se uma população que poderaia variar
de 25.000 a 75.000 habitantes antes da conquista européia.
Isto pode ser comprovado a partir de diversos restos arqueológicos
catalogados em toda a região, que é composta
de diversos sambaquis (sítios arqueológicos
com esqueletos e artefatos).
Arraial do Cabo está acentado sobre sítios
arqueológicos de extrema valia para o estudo da história
da região, tendo fornecido diversas peças
para o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de
Janeiro.
(Podemos receber uma emocionante aula arqueológica,
através das peças recolhidas no município
e expostas no Centro Cultural Manoel Camargo ao lado da
Prefeitura)
A COLONIZAÇÃO:
Monumentos e peças históricas até hoje
lembram importantes passagens do início da colonização
de Arraial, como a Igreja Nossa Senhora dos Remédios,
construída em 1506, na Praia dos Anjos, pelos Portugueses
e o Monumento Américo Vespúcio, no largo do
descobrimento.
Embora a colonização e o desenvolvimento da
região tenham tomado velocidade com a fundação
da cidade de Cabo Frio, em 1616, Arraial do Cabo viveu durante
muito tempo esquecido, isolado como um paraíso. Não
havia acesso a outros povoados. Era pela praia que seus
moradores iam e vinham, a pé ou a cavalo, para trocar,
vender e comprar mercadorias. A pesca também foi
de grande importância nesse período. Em Arraial
do Cabo, florecia a pesca de arrasto e por isso foi construída
a vila de Nossa Senhora dos Remédios.
Todo o sistema econômico dos primeiros habitantes
de arraial baseava-se na atividade pesqueira.
Enquanto os homens pescavam, as mulheres salgavam os peixes,
cuidavam das tarefas domésticas e faziam rendas de
bilros, artesanato típico da região mantido
até hoje, embora de forma rara.
A BATALHA HISTÓRICA:
A partir daí, o próximo episódio registrado
pelos historiadores é a Guerra de Cabo Frio, que
aconteceu em 1575, como reação dos portugueses
à intensa pirataria promovida por franceses, ingleses
e holandeses. Antônio Salema, Governandor do Rio de
Janeiro na época, reuniu um exército português
apoiado por uma tropa de índios catequizados, com
o objetivo de acabar com o domínio franco-tamoyo
que já durava 20 anos em Cabo Frio. Temendo perder
sua terra, os índios Tamoyo se aliaram aos franceses,
mas foram praticamente dizimados por conta da insurreição.
As tropas vencedoras assassinaram a sangue frio cerca de
500 guerreiros tamoyos e mais de 1.500 índios foram
escravizados, foram enforcados dois franceses, um inglês
e o Pajé tupinambá. Além disso, entraram
pelo sertão queimando aldeias e matando milhares
de tamoyos.
A guerra de Cabo Frio resultou na expulsão dos franceses
e no extermínio de dez mil guerreiros tamoyos, sendo
o restante destes escravizados pelos colonizadores. Outros
piratas europeus, principalmente ingleses e holandeses,
no entanto, continuaram a piratear o pau-brasil, causando
mortes desumanas e que se provaram inúteis, uma vez
que a escassez de colonização no litoral fluminense
(não houve interesse dos portugueses de colonizar
Cabo Frio após este massacre). Continuou sendo alvo
fácil e lucrativo dos corsários europeus.
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