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Sexta, 10/02/2012 - Hoje é dia de Oxala (Nosso Senhor do Bomfim ) Deus Supremo da Paz, harmonia e do amor. Contas brancas.
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individual em cada cidade.

 


Lapa-Pr


A história remonta a 1541, com um dos primeiros exploradores a cruzar tão belos campos: D. Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, governador adelantado da Província do Rio da Prata, para tomar conta das terras em nome do Rei de Espanha.
Ele atravessa a Serra do Mar, cruza o Rio Iguaçu e chegando aos Campos Gerais, chama-os de Campos de Vera, em homenagem ao avô Pedro de Vera, permanecendo esta designação por muito tempo em mapas e documentos espanhóis.
Mas, um século depois é que se começa a falar na Antiga Estrada Real ou Estrada da Mata, aberta pelo sargento-mór Francisco de Souza e Faria, dando origem ao povoado.
Anos após, com suas condições melhoradas por João da Silva Machado, o Barão de Antonina, transformava-se no Caminho Viamão - rota obrigatória para que os tropeiros com seus muares chegassem às feiras de Sorocaba em São Paulo.
Os tropeiros, ao fim da jornada diária buscavam um local de boas pastagens onde acampavam e repousavam.


Ali viria a ser a Lapa
Nesse local, João Pereira Braga estabeleceu uma espécie de estalagem com cama, bom vinho e comida farta. Logo surgia o povoado que em 13 de junho de 1769 é elevado à categoria de Freguesia Nova de Santo Antônio da Lapa.
Face à importância do povoado, Afonso Botelho de San Payo e Souza inicia a construção da Igreja de Santo Antônio centralizando a freguesia e fixando seus habitantes. Surgem entrelaçadas as famílias Rezende, Pereira da Silva, Pacheco Lima e Coelho, de onde derivam vários vultos famosos da história política, social e econômica do Paraná.
Através do esforço de Francisco Teixeira Coelho, seu primeiro capitão-mor e tendo como primeiro "juiz ordinário" Gabriel da Silva San Payo; em 13 de junho de 1806 a freguesia é elevada à categoria de Vila Nova do Príncipe.


Do matrimônio de Teixeira Coelho com Gertrudes Maria dos Santos, neta de fundadores, descendem o 1º bacharel paranaense graduado em Coimbra (Francisco José Correia), o 1º médico (José Francisco Correia), o 1º padre, doutor em Teologia (Dâmaso José Correia). A filha mais moça do casal, Joaquina, casa-se com Manoel Antônio da Cunha, o 1º Prefeito da Lapa, que recebe nome definitivo, quando em 7 de março de 1872 é elevada À categoria de cidade. Manoel Antônio destaca-se por sua célebre atuação na Guerra dos Farrapos "entre o explodir das ideologias, republicanas e liberalistas".
Em 1844, a Lapa é descrita como um comércio dinâmico e progressista, pelo Juiz-Deputado Salvador José Correia Coelho, que em São Paulo, onde cursava Direito, enfatiza poeticamente as belezas naturais da Vila, que na época contava com 24 casas de negócio, 6 açougues, 34 comerciantes de bebidas estrangeiras, selaria, fábrica de equipamentos para transportar erva-mate, alfaiates, sapateiros, barbeiros, farmacêuticos e pedreiros.


Sob os impulsos iniciais de Teixeira Coelho, José Francisco Correia e Manoel Antônio da Cunha. origina-se a tradição cultural da Lapa.
A Sociedade Harmonia Lapoense é fundada pelo prussiano Frederico Guilherme Virmond, que havia cursado medicina em Berlim, e contribuído com seus amplos conhecimentos e projetos para a construção de edifícios como o da Cadeia Velha e o lançamento de indústrias como o olaria.
Frederico Guilherme recebe festivamente, em janeiro de 1854, o Presidente Zacarias Góes e Vasconcelos e Exma. Esposa. Em 29 de julho de 1873 é fundada a Associação Literária Lapeana com o objetivo de construir o Teatro São João. Em 1880, D. Pedro II visita a Lapa, acompanhado da Imperatriz, do Almirante Tamandaré, do Conde D'Eu, dos Conselheiros Manoel Buarque de Macedo e Andrade Pinto, além do Ministro Alves Araújo.


Paisagem Heróica
A rica história militar da Lapa, inicia-se em 6 de março de 1840, quando ali assumia o comando das forças Regulares, ou seja, as do Imperador, o Marechal Labatut, veterano das guerras napoleônicas e da Guerra da Independência da Bahia. Depois participa da Guerra do Paraguai, com as frações organizadas lapeanas do 3 Corpo da Guarda Nacional. Na organização destes contingentes, destacam-se figuras notáveis como o futuro Barão dos Campos Gerais, David dos Santos Pacheco e o Alferes, depois coronel arvorado, Comendador Joaquim de Rezende Correia de Lacerda.


Com a criação do Voluntariado da Pátria (7 de janeiro de 1856), Jesuíno Marcondes, exalta a província do Paraná na Corte, pela prova de patriotismo, com o fornecimento de um total de 412 lapeanos, dos quais somente 75 regressaram perfeitos da Guerra.
Os Pereira Ramos, Oliveira, Colaço, Cunha, Hemple, Rezende, Matias Alves, Pacheco dos Santos Lima, o Major Geraldo Diniz, o barão de Monte Carmelo, sucedem-se nos documentos da Pátria.
No quadro de mártires, figuram entre outros o Tenente Manoel Pereira do Nascimento e o Alferes Manoel dos Santos Lima.


Mas é em 1894 que a pequena cidade da Lapa transforma-se no cenário da Revolução Federalista. Trincheiras, sangue, ferro e fogo, cobrem suas ruas. A coragem do Coronel Ernesto Gomes Carneiro no comando de 900 legalistas republicanos entre soldados e civis enfrenta e impede o avanço vitorioso dos exércitos revolucionários federalistas de 3000 homens liderados pelo caudilho Gumercindo Saraiva, cognominado General dos Pampas.
A Lapa, ponto de concentração das tropas, resiste bravamente durante 26 dias, o tempo necessário para que Floriano comprasse armamentos no exterior, alterando o curso da guerra civil e consolidando a República.


Endividada e pobre, a Lapa chora a perda de seus filhos e sofre o fim da economia tropeira, com suas pastagens abandonadas e o comércio em declínio.
A exploração da erva-mate e da madeira torna-se a única fonte de recursos do município, no início do século. A cidade ganha então um grande engenho de erva-mate, o Santo Antônio, marcando assim, um novo tempo em sua história. O braço alienígena dos imigrantes italianos, germânicos e eslavos amainou a terra e trabalhou a cidade. Apesar da guerra, das atividades alternativas e da agricultura praticada ao longo do tempo, a Lapa preservou sua rica memória urbana. O conjunto arquitetônico do centro da cidade e sua bravura, fazem parte do soneto de Leôncio Correia e das primeiras páginas do romance de Manoel Leocádio Machado, "Sangue e Bravura", edificando os tempos de glória passados e a busca da paz.

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