De forma sistemática, apenas dois autores estudaram
seriamente a origem e a evolução da cidade:
Epaminondas Câmara e Elpídio de Almeida.(segundo
o Livro "Além de Bodopitá" de Rômulo
de Araújo Lima). O mais são Crônicas
de ocasião ou simples referências em obras
dedicadas a outros temas, que falam da História da
Paraíba, e ressaltam a importância de Irinêo
Joffily
Podemos aceitar 1697 como o ano da fundação
do povoado e de Campina Grande. Naquele ano o Capitão-Mor
Teodósio de Oliveira Ledo, vindo das bandas do Piranhas,
aqui estabeleceu um aldeamento de índios Ariús
que ele trouxera consigo. No ano seguinte veio o frade do
Convento de Santo Antônio para catequizá-los.
Apesar de Tedósio ter sido o primeiro a estabelecer-se,
a localidade já era conhecida por Campina Grande.
Alguns autores são da opinião de que antes
da chegada de Teodósio o povoado já estava
construído e que Teodósio apenas teria desenvolvido
e consolidado a região, pois a Paraíba necessitava
de um ponto de união entre o Sertão e o Litoral
entre a civilização da cana e a do gado. Campina
Grande foi este ponto. No mesmo ano de 1697, foi publicado
na Europa um mapa do Brasil, de autoria de Andreas Heriaty,
aproveitado no ano seguinte, 1698, para ilustrar o livro
"Istoria delle guerre del Regno del Brasile",
de Frei Giuseppe de Santa Teresa editado em Roma - nele
constava Campina Grande. Como poderia um povoado fundado
no interior do Brasil já constar em um mapa publicado
na Europa?
O fato é que a importância de Campina Grande
no cenário regional é fruto de sua privilegiada
localização geográfica.
O aldeamento surgiu no passo das boiadas e no curso da tentativa
de ligar o Litoral ao Sertão. É assim que
surge a povoação
No século XVII, chegaram aqui bandeirantes ligados
à Casa da Torre. Isso ocorreu em virtude de a terra
paraibana haver sido devastada após a ocupação
holandesa. Foi uma época difícil, pois havia
escassez de braços e instrumentos que os anos seguintes
à rendição holandesa foram levados
na recuperação de engenhos e currais de gado
no litoral. Sendo assim o território paraibano começou
a ser colonizado por duas frentes independentes entre si:
a litorânea (Cana de Açúcar) e a sertaneja
(Pastoreio do Gado). A população litorânea
ia, pouco a pouco, penetrando o interior. A chegada de povos
ao interior passava a ser uma imposição econômica
e geográfica. Os Oliveira Ledo, buscaram terras virgens
para ocupar com seus rebanhos e, depois de chegados do Rio
Grande do Norte, fixaram-se no platô da Borborema
onde foram responsáveis pelo surgimento de várias
povoações.
O encontro das duas frentes colonizadoras, desta sorte,
ocorre nos finais do século VXII quando se funda
Campina Grande. Daí a concluir que a fundação
do povoado e seu desenvolvimento não foi um puro
lance de sorte. Os Oliveira Ledo buscavam estabelecer um
contato permanente com o litoral e, como não poderia
ser diferente, necessitavam de um entreposto onde poderiam
descansar os homens e animais.
Com isso surge os grandes latifúndios e os minifúndios
dedicados à agricultura e a casa grande da fazenda
passa a ser o núcleo povoador.
Nos primórdios Campina Grande nada mais era do que
um aglomerado disforme de casas de taipa entregues aos aventureiros
que nela pousavam e era apenas um local de encontro e de
troca de gado. Existia até mesmo um certo orgulho
em viver nas fazendas e não no povoado que começava
a se formar, pois chamavam os habitantes da "rua"
de cafagestes, 'ponta-limpa', macates e de 'pé de
poeira'. Todavia esta foi a fase mais importante do povoado,
a fase da fixação de seus habitantes. Daí
para frente começam a aparecer os pontos de referência
e consolidam-se as feiras. Inicia-se a chegada de tropeiros,
almocreves, boiadeiros e os tangerinos. Nasce um mercado.
A feira da cidade, passava a ser o ponto de intercâmbio
entre as frentes litorâneas e sertanejas.
Campina Grande passava ser de um arruado de pequenas casas,
poucas ruas, a ter as principais casas acompanhado as estradas
de acesso: rua das Barrocas, rua do Seridó, rua da
Lapa, o largo da Matriz e já uma rua de ligação,
a rua do Meio (Affonso Campos)
Em 1864 a vila foi elevada à categoria de cidade,
isso por influência e o poderio da classe dos proprietários
rurais. A partir dai, a cidade começa a sofrer o
embate das emergentes classes comerciais tipicamente urbanas.
Com a emancipação municipal, o núcleo
urbano passa a ter maior importância, com isso, muda-se
tão somente, o centro de decisões em função
do deslocamento de parte dos fazendeiros para o cultivo
e comercialização de algodão, o que
implica uma permanência mais constante na rua. Podemos
destacar dois comerciantes nesse sentido: o italiano Balthazar
Gomes Pereira Luna e Alexandrino Cavalcanti de Albuquerque,
pernambucano de origem.
O primeiro havia construído um grande prédio
para o mercado, mais tarde denominado Comércio Velho,
e o segundo construiu, em outro local, outra casa comercial
chamada de Comércio Novo.
Gradativamente, pequenos agricultores passaram a plantar
"roças" de mandioca, daí surgindo
as "casas de farinha". A crescente procura de
produtos agrícolas faz com que a agricultura sofra
um desenvolvimento sem precedentes. Os colonos pobres se
voltam para a agricultura. A farinha provoca o surgimento
do minifúndio, o verdadeiro responsável pelo
crescimento de Campina Grande, no primeiro século
de sua História.
A vocação comercial de Campina Grande é
fruto de uma longa luta entre os antigos, latifúndios
descendentes dos Oliveira Ledo, e os forasteiros, pequenos
agricultores e comerciantes. E dos agricultores, fazendeiros
e boiadeiros é que surge o comércio campinense.
Instalada e fortalecida a povoação de Campina
Grande, apesar do peso político e econômico
dos Oliveira Ledo, fazendeiros, poderosos, o comércio
foi, gradativamente, se fazendo importante e determinando
os rumos do arruamento.
Após o início do cultivo do algodão
em grande escala, o que determina sua comercialização,
igualmente, em grande escala, alguns fazendeiros deixam
a pecuária à parte e dedicam-se ao novo produto.
Isto provoca um fortalecimento do comércio urbano
e várias modificações na feição
do arruamento. Grandes armazéns devem ser construídos
para abrigar o algodão produzido na região
e o que era trazido no lombo de burros desde o sertão.
Novas ruas são abertas. Intensificaram-se o comércio.
Entretanto, é sempre no curso das estradas que se
processa o crescimento urbano.
Os primeiros, descendentes dos primitivos colonizadores,
eram fazendeiros, ligados ao partido liberal, gente retrógrada,
responsável em grande medida pelo atraso de Campina
Grande enquanto detivera o poder político. Os últimos,
negociantes, gente nova sem nenhum vínculo com o
surgimento da povoação, ligados ao Partido
Conservador. A política do povoado oscilava entre
os antigos e os de fora, entre os liberais e os conservadores
e, na medida em que oscilava o mando político, oscilava
também a localização da feira.
Em todo caso, a cidade é sede de uma Bolsa de Mercadorias
a cujos leilões acorrem compradores de todo o Norte-Nordeste
do país e onde são comercializados grãos
e fibras produzidas na região Nordestina.
João Maria de Souza Ribeiro, aqui chegando em 1881,
também comerciante "Fez valer a sua ação
eficiente na construção de muitos prédios;
às vezes ruas inteiras, cujo trabalho ele próprio
administrava" ("Anuário de Campina Grande
para 1926" - direção de João Mendes)
O mesmo Anuário cita ainda Belmiro Ribeiro, também
estabelecido, como João Maria de Souza Ribeiro, na
rua do Seridó, que a Campina Grande consagrou o melhor
de suas energias e a sua iniciativa profícua e nobre
na construção de ruas e prédios importantes,
que muito vieram concorrer para o engrandecimento da cidade.
No fim da metade do presente século, podia-se ver
a influência dos comerciantes na expansão e
ocupação dos espaços urbanos. Malgrado
os esforços bem sucedidos dos prefeitos Cristiano
Lauritzen, no início, e de Vergniaud Wanderley mais
para o fim, a cidade crescia e se urbanizava ao influxo
dos comerciantes, aqui, podemos entender também os
hoje chamados industriais, como exemplo os que fundavam
instalações para o descaroçamento e
prensagem do algodão e esmagamento dos caroços
para obtenção do óleo, importante contribuição
para alimentação do gado nas fazendas da região.
Foi assim que as lojas e "magazines" dominaram
as ruas Maciel Pinheiro, Venâncio Neiva e ruas e travessas
adjacentes. O comércio grossista, os chamados armazéns,
localizavam-se de preferência nas ruas João
Pessoa, João Suassuna e suas travessas adjacentes.
A rua Marquez do Herval chegou a contar com grande maioria
dos estabelecimentos bancários. As margens do Açude
Velho foram ocupadas por grandes instalações
para o processamento e comércio do algodão
(Araújo Rique e Cia., Sambra, Anderson Clayton) e
do Sisal (Fibroco, P. Sabino e Cia. etc.), e o grande Curtume
São José. Do outro lado da cidade, às
margens de Bodocongó, hoje S.A. Indústria
Têxtil de Campina Grande, Refinaria de Óleos
Vegetais, Curtume Vilarim, Curtume São Pedro , Fábrica
de Papel, Fábrica de Premoldados de Cimento etc.).
No passado, já na terceira década deste século,
a cidade experimentou uma sensível modernização
sobretudo graças à ação do prefeito
Vergniaud Wanderley. A busca da modernização
não mais cessou, ora com maior, ora com menor interesse
e acerto. Não se pode deixar de lamentar, por exemplo,
a ânsia distorcida de modernização que
acabou definitivamente com a bela e querida rua Maciel Pinheiro
- coração da cidade - obstruindo-a por um
feio calçadão, que logo foi inteiramente ocupado
por horríveis barracas de camelôs.
Hoje em dia Campina pode ser considerada a mais importante
cidade do interior do Nordeste, e é o segundo maior
"colégio " eleitoral do Estado da Paraíba.
Exerce a função de cidade-mercado, onde polariza
uma vasta região através do papel de centro
distribuidor e absorvedor de matéria prima ultrapassando
inclusive os limites do Estado.
Campina Grande é uma das mais antigas localidades
do Estado da Paraíba. Teve seu núcleo inicial
em aldeiamento de índios Ariús, fixados pelo
Capitão-Mor Teodósio de Oliveira Ledo, em
1697, durante a "Guerra dos Bárbaros".
O aldeiamento logo converteu-se em próspero povoado
em virtude da sua privilegiada situação geográfica.
Em 1888, Campina Grande foi considerada a mais populosa
e próspera localidade do interior paraibano, com
cerca de 4.000 habitantes. Em 1892, possuía aproximadamente
400 prédios; no final do século, cerca de
500, continuando seu crescimento vagaroso até atingir
731 prédios em 1907, quando o primeiro trem chega.
O comércio, ressurge rapidamente, sobrepujando outras
praças do brejo paraibano, especialmente Itabaiana.
Em 1920, com uma população de 70.806 habitantes,
é inaugurada a iluminação pública
das principais áreas da cidade. Em 1936 Campina Grande
já era a principal cidade do interior nordestino,
contando com 14.575 prédios e uma população
de cerca de 100.000 habitantes, possuindo aproximadamente
15 indústrias e 5 estabelecimentos bancários,
com o capital nativo.
Beneficiada por sua privilegiada posição,
Campina Grande sempre foi a "porta do sertão",
como orgulhosamente lembram os seus habitantes. Para ela
convergiam as estradas do Seridó e de Espinhares
O passo das boiadas em demanda da costa atlântica,
a necessidade de descanso de homens e animais, faz da cidade
parada obrigatória. Não demorou para que a
cidade fosse transformada em uma florescente feira de gado.
O entreposto comercial de Campina Grande começou
a ser abastecido com culturas alimentares, que teria segura
colocação no sertão, como a farinha
de mandioca. As culturas de subsistência tinham o
seu lugar no Brejo da própria Campina Grande e no
chamado Agreste Alto. A rapadura do brejo também
tinha saída neste mercado.
O desenvolvimento da cotonicultura que chegou a competir
com a cana de Açúcar, em muito contribuiu
para o comércio da cidade. Os fardos de algodão
ocupavam as ruas, esperando a sua vez para serem embarcados.
Uma incipiente infra-estrutura esperava os tropeiros: casas
de hospedagem, cabarés famosos, onde atuavam orquestras
importadas do exterior. Com isso tudo, nos fins do século
XIX, Campina tornou-se a principal cidade do interior nordestino.
No período que procedeu à segunda guerra mundial,
Campina Grande ascendeu à posição de
terceira praça algodoeira do mundo. Os bancos passam
a ter capital na própria cidade. O período
que vai do após guerra até finais dos anos
60 assiste a uma tentativa de industrialização
da cidade. O que leva a Federação das Indústrias
do Estado da Paraíba a fixar sua sede na cidade.
Depois deste período Campina Grande passou a desenvolver
seu comércio atacadista. Com atuação
extraordinária no desenvolvimento da cidade
O Avanço de pesquisas faz surgir cursos de pós-graduação
em Campina Grande, o que traz inúmeros profissionais
para atuar em seu seio. A Universidade Federal da Paraíba
e a Universidade Estadual da Paraíba atualmente,
abrigam vários universitários de todo o Nordeste.
Fonte: "Além de Bodopitá" - Rômulo
de Araújo Lima
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