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Sexta, 10/02/2012 - Hoje é dia de Oxala (Nosso Senhor do Bomfim ) Deus Supremo da Paz, harmonia e do amor. Contas brancas.
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Historias das Cidades
Paraíba
Joao Pessoa
Campina Grande
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Sousa


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individual em cada cidade.

 


Campina Grande-Pb


De forma sistemática, apenas dois autores estudaram seriamente a origem e a evolução da cidade: Epaminondas Câmara e Elpídio de Almeida.(segundo o Livro "Além de Bodopitá" de Rômulo de Araújo Lima). O mais são Crônicas de ocasião ou simples referências em obras dedicadas a outros temas, que falam da História da Paraíba, e ressaltam a importância de Irinêo Joffily
Podemos aceitar 1697 como o ano da fundação do povoado e de Campina Grande. Naquele ano o Capitão-Mor Teodósio de Oliveira Ledo, vindo das bandas do Piranhas, aqui estabeleceu um aldeamento de índios Ariús que ele trouxera consigo. No ano seguinte veio o frade do Convento de Santo Antônio para catequizá-los. Apesar de Tedósio ter sido o primeiro a estabelecer-se, a localidade já era conhecida por Campina Grande. Alguns autores são da opinião de que antes da chegada de Teodósio o povoado já estava construído e que Teodósio apenas teria desenvolvido e consolidado a região, pois a Paraíba necessitava de um ponto de união entre o Sertão e o Litoral entre a civilização da cana e a do gado. Campina Grande foi este ponto. No mesmo ano de 1697, foi publicado na Europa um mapa do Brasil, de autoria de Andreas Heriaty, aproveitado no ano seguinte, 1698, para ilustrar o livro "Istoria delle guerre del Regno del Brasile", de Frei Giuseppe de Santa Teresa editado em Roma - nele constava Campina Grande. Como poderia um povoado fundado no interior do Brasil já constar em um mapa publicado na Europa?
O fato é que a importância de Campina Grande no cenário regional é fruto de sua privilegiada localização geográfica.
O aldeamento surgiu no passo das boiadas e no curso da tentativa de ligar o Litoral ao Sertão. É assim que surge a povoação
No século XVII, chegaram aqui bandeirantes ligados à Casa da Torre. Isso ocorreu em virtude de a terra paraibana haver sido devastada após a ocupação holandesa. Foi uma época difícil, pois havia escassez de braços e instrumentos que os anos seguintes à rendição holandesa foram levados na recuperação de engenhos e currais de gado no litoral. Sendo assim o território paraibano começou a ser colonizado por duas frentes independentes entre si: a litorânea (Cana de Açúcar) e a sertaneja (Pastoreio do Gado). A população litorânea ia, pouco a pouco, penetrando o interior. A chegada de povos ao interior passava a ser uma imposição econômica e geográfica. Os Oliveira Ledo, buscaram terras virgens para ocupar com seus rebanhos e, depois de chegados do Rio Grande do Norte, fixaram-se no platô da Borborema onde foram responsáveis pelo surgimento de várias povoações.

O encontro das duas frentes colonizadoras, desta sorte, ocorre nos finais do século VXII quando se funda Campina Grande. Daí a concluir que a fundação do povoado e seu desenvolvimento não foi um puro lance de sorte. Os Oliveira Ledo buscavam estabelecer um contato permanente com o litoral e, como não poderia ser diferente, necessitavam de um entreposto onde poderiam descansar os homens e animais.
Com isso surge os grandes latifúndios e os minifúndios dedicados à agricultura e a casa grande da fazenda passa a ser o núcleo povoador.
Nos primórdios Campina Grande nada mais era do que um aglomerado disforme de casas de taipa entregues aos aventureiros que nela pousavam e era apenas um local de encontro e de troca de gado. Existia até mesmo um certo orgulho em viver nas fazendas e não no povoado que começava a se formar, pois chamavam os habitantes da "rua" de cafagestes, 'ponta-limpa', macates e de 'pé de poeira'. Todavia esta foi a fase mais importante do povoado, a fase da fixação de seus habitantes. Daí para frente começam a aparecer os pontos de referência e consolidam-se as feiras. Inicia-se a chegada de tropeiros, almocreves, boiadeiros e os tangerinos. Nasce um mercado. A feira da cidade, passava a ser o ponto de intercâmbio entre as frentes litorâneas e sertanejas.
Campina Grande passava ser de um arruado de pequenas casas, poucas ruas, a ter as principais casas acompanhado as estradas de acesso: rua das Barrocas, rua do Seridó, rua da Lapa, o largo da Matriz e já uma rua de ligação, a rua do Meio (Affonso Campos)
Em 1864 a vila foi elevada à categoria de cidade, isso por influência e o poderio da classe dos proprietários rurais. A partir dai, a cidade começa a sofrer o embate das emergentes classes comerciais tipicamente urbanas. Com a emancipação municipal, o núcleo urbano passa a ter maior importância, com isso, muda-se tão somente, o centro de decisões em função do deslocamento de parte dos fazendeiros para o cultivo e comercialização de algodão, o que implica uma permanência mais constante na rua. Podemos destacar dois comerciantes nesse sentido: o italiano Balthazar Gomes Pereira Luna e Alexandrino Cavalcanti de Albuquerque, pernambucano de origem.
O primeiro havia construído um grande prédio para o mercado, mais tarde denominado Comércio Velho, e o segundo construiu, em outro local, outra casa comercial chamada de Comércio Novo.
Gradativamente, pequenos agricultores passaram a plantar "roças" de mandioca, daí surgindo as "casas de farinha". A crescente procura de produtos agrícolas faz com que a agricultura sofra um desenvolvimento sem precedentes. Os colonos pobres se voltam para a agricultura. A farinha provoca o surgimento do minifúndio, o verdadeiro responsável pelo crescimento de Campina Grande, no primeiro século de sua História.


A vocação comercial de Campina Grande é fruto de uma longa luta entre os antigos, latifúndios descendentes dos Oliveira Ledo, e os forasteiros, pequenos agricultores e comerciantes. E dos agricultores, fazendeiros e boiadeiros é que surge o comércio campinense.
Instalada e fortalecida a povoação de Campina Grande, apesar do peso político e econômico dos Oliveira Ledo, fazendeiros, poderosos, o comércio foi, gradativamente, se fazendo importante e determinando os rumos do arruamento.
Após o início do cultivo do algodão em grande escala, o que determina sua comercialização, igualmente, em grande escala, alguns fazendeiros deixam a pecuária à parte e dedicam-se ao novo produto. Isto provoca um fortalecimento do comércio urbano e várias modificações na feição do arruamento. Grandes armazéns devem ser construídos para abrigar o algodão produzido na região e o que era trazido no lombo de burros desde o sertão. Novas ruas são abertas. Intensificaram-se o comércio. Entretanto, é sempre no curso das estradas que se processa o crescimento urbano.


Os primeiros, descendentes dos primitivos colonizadores, eram fazendeiros, ligados ao partido liberal, gente retrógrada, responsável em grande medida pelo atraso de Campina Grande enquanto detivera o poder político. Os últimos, negociantes, gente nova sem nenhum vínculo com o surgimento da povoação, ligados ao Partido Conservador. A política do povoado oscilava entre os antigos e os de fora, entre os liberais e os conservadores e, na medida em que oscilava o mando político, oscilava também a localização da feira.
Em todo caso, a cidade é sede de uma Bolsa de Mercadorias a cujos leilões acorrem compradores de todo o Norte-Nordeste do país e onde são comercializados grãos e fibras produzidas na região Nordestina.
João Maria de Souza Ribeiro, aqui chegando em 1881, também comerciante "Fez valer a sua ação eficiente na construção de muitos prédios; às vezes ruas inteiras, cujo trabalho ele próprio administrava" ("Anuário de Campina Grande para 1926" - direção de João Mendes)


O mesmo Anuário cita ainda Belmiro Ribeiro, também estabelecido, como João Maria de Souza Ribeiro, na rua do Seridó, que a Campina Grande consagrou o melhor de suas energias e a sua iniciativa profícua e nobre na construção de ruas e prédios importantes, que muito vieram concorrer para o engrandecimento da cidade. No fim da metade do presente século, podia-se ver a influência dos comerciantes na expansão e ocupação dos espaços urbanos. Malgrado os esforços bem sucedidos dos prefeitos Cristiano Lauritzen, no início, e de Vergniaud Wanderley mais para o fim, a cidade crescia e se urbanizava ao influxo dos comerciantes, aqui, podemos entender também os hoje chamados industriais, como exemplo os que fundavam instalações para o descaroçamento e prensagem do algodão e esmagamento dos caroços para obtenção do óleo, importante contribuição para alimentação do gado nas fazendas da região.
Foi assim que as lojas e "magazines" dominaram as ruas Maciel Pinheiro, Venâncio Neiva e ruas e travessas adjacentes. O comércio grossista, os chamados armazéns, localizavam-se de preferência nas ruas João Pessoa, João Suassuna e suas travessas adjacentes.


A rua Marquez do Herval chegou a contar com grande maioria dos estabelecimentos bancários. As margens do Açude Velho foram ocupadas por grandes instalações para o processamento e comércio do algodão (Araújo Rique e Cia., Sambra, Anderson Clayton) e do Sisal (Fibroco, P. Sabino e Cia. etc.), e o grande Curtume São José. Do outro lado da cidade, às margens de Bodocongó, hoje S.A. Indústria Têxtil de Campina Grande, Refinaria de Óleos Vegetais, Curtume Vilarim, Curtume São Pedro , Fábrica de Papel, Fábrica de Premoldados de Cimento etc.).


No passado, já na terceira década deste século, a cidade experimentou uma sensível modernização sobretudo graças à ação do prefeito Vergniaud Wanderley. A busca da modernização não mais cessou, ora com maior, ora com menor interesse e acerto. Não se pode deixar de lamentar, por exemplo, a ânsia distorcida de modernização que acabou definitivamente com a bela e querida rua Maciel Pinheiro - coração da cidade - obstruindo-a por um feio calçadão, que logo foi inteiramente ocupado por horríveis barracas de camelôs.
Hoje em dia Campina pode ser considerada a mais importante cidade do interior do Nordeste, e é o segundo maior "colégio " eleitoral do Estado da Paraíba. Exerce a função de cidade-mercado, onde polariza uma vasta região através do papel de centro distribuidor e absorvedor de matéria prima ultrapassando inclusive os limites do Estado.


Campina Grande é uma das mais antigas localidades do Estado da Paraíba. Teve seu núcleo inicial em aldeiamento de índios Ariús, fixados pelo Capitão-Mor Teodósio de Oliveira Ledo, em 1697, durante a "Guerra dos Bárbaros". O aldeiamento logo converteu-se em próspero povoado em virtude da sua privilegiada situação geográfica.
Em 1888, Campina Grande foi considerada a mais populosa e próspera localidade do interior paraibano, com cerca de 4.000 habitantes. Em 1892, possuía aproximadamente 400 prédios; no final do século, cerca de 500, continuando seu crescimento vagaroso até atingir 731 prédios em 1907, quando o primeiro trem chega. O comércio, ressurge rapidamente, sobrepujando outras praças do brejo paraibano, especialmente Itabaiana.
Em 1920, com uma população de 70.806 habitantes, é inaugurada a iluminação pública das principais áreas da cidade. Em 1936 Campina Grande já era a principal cidade do interior nordestino, contando com 14.575 prédios e uma população de cerca de 100.000 habitantes, possuindo aproximadamente 15 indústrias e 5 estabelecimentos bancários, com o capital nativo.
Beneficiada por sua privilegiada posição, Campina Grande sempre foi a "porta do sertão", como orgulhosamente lembram os seus habitantes. Para ela convergiam as estradas do Seridó e de Espinhares O passo das boiadas em demanda da costa atlântica, a necessidade de descanso de homens e animais, faz da cidade parada obrigatória. Não demorou para que a cidade fosse transformada em uma florescente feira de gado.


O entreposto comercial de Campina Grande começou a ser abastecido com culturas alimentares, que teria segura colocação no sertão, como a farinha de mandioca. As culturas de subsistência tinham o seu lugar no Brejo da própria Campina Grande e no chamado Agreste Alto. A rapadura do brejo também tinha saída neste mercado.
O desenvolvimento da cotonicultura que chegou a competir com a cana de Açúcar, em muito contribuiu para o comércio da cidade. Os fardos de algodão ocupavam as ruas, esperando a sua vez para serem embarcados. Uma incipiente infra-estrutura esperava os tropeiros: casas de hospedagem, cabarés famosos, onde atuavam orquestras importadas do exterior. Com isso tudo, nos fins do século XIX, Campina tornou-se a principal cidade do interior nordestino.
No período que procedeu à segunda guerra mundial, Campina Grande ascendeu à posição de terceira praça algodoeira do mundo. Os bancos passam a ter capital na própria cidade. O período que vai do após guerra até finais dos anos 60 assiste a uma tentativa de industrialização da cidade. O que leva a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba a fixar sua sede na cidade. Depois deste período Campina Grande passou a desenvolver seu comércio atacadista. Com atuação extraordinária no desenvolvimento da cidade
O Avanço de pesquisas faz surgir cursos de pós-graduação em Campina Grande, o que traz inúmeros profissionais para atuar em seu seio. A Universidade Federal da Paraíba e a Universidade Estadual da Paraíba atualmente, abrigam vários universitários de todo o Nordeste.

Fonte: "Além de Bodopitá" - Rômulo de Araújo Lima


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