Por volta do ano 400 depois de Cristo, sociedades hierárquicas
e regionais emergiram na Ilha de Marajó. Sob o domínio
dos caciques, a nova forma de
organização social passou a ser legitimada
por rituais, durante os quais os pajés faziam a ponte
entre o mundo terreno e aquele dos espíritos e dos
antepassados.
Por essa ponte transitavam símbolos e imagens freqüentemente
concebidos durante transes alucinógenos. Nascia a
arte Marajoara.
O imaginário coletivo tornava-se
visual na forma de desenhos que nos lembram labirintos,
espirais, triângulos, círculos, retângulos,
tridentes e
faces.
Com temática estreitamente relacionada
à fauna local, os desenhos na cerâmica se constituíam
em uma linguagem iconográfica, onde seres míticos
eram representados de uma maneira lógica, coerente
e harmoniosa, independente de técnicas, formas e
superfícies.
A vivência coletiva legitimava uma
arte que nascia da necessidade de se visualizar e comunicar
emoções, sentimentos, verdades, tradição,
posições sociais, história. Como em
qualquer sociedade que não conhece a escrita, tal
arte teria a função de armazenar e socializar
conhecimento.
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