Segundo o historiador Prof. Zoroastro Vianna Passos,"
o baiano audaz muito antes do paulista, já em 1555,
senão antes, na viagem de Spinoza, viera aos sertões
de Sabará".
Existem algumas citações de que Borba Gato,
quando aqui chegou, assistiu Missa em uma pequena capela
já existente. De acordo com os historiadores, o sertanista,
capitão Matias Cardoso de Albuquerque que, tendo
atingido esta região anteriormente, foi designado
líder da equipe de Vanguarda da Bandeira das Esmeraldas.
O objetivo deste grupo era abrir " caminhos e plantar
roças" locais de pousada e abastecimento da
Bandeira que viria logo após. Descendo a serra do
Taquaril, Matias Cardoso veio ter às margens do Rio
das Velhas "...aproveitando uma encosta de terra muito
fértil com uma fonte de água puríssima
de beber, afastada do nível das enchentes e em ponto
de boa vedagem, essa Roça Grande converteu-se em
pouso obrigatório na travessia para o sertão
e formou-se como povoado que, provavelmente, é o
mais antigo de Minas que sobreviveu aos outros, no caminho
das Bandeiras". Roça Grande ocupou lugar de
destaque na história sabarense. Denominado Arraial
de Santo Antônio do Bom Retiro da Roça Grande,
Teve a freguesia instituída em 1707 e elevada à
categoria de Colativa em 1724, com patrimônio doado
por Manoel de Borba Gato.
Salomão de Vasconcelos afirma que a Bandeira das
Esmeraldas após estar no Sumidouro é que veio
para Roça Grande e aqui abrimos um parênteses
expressando a importância desta Bandeira : pela primeira
vez em nossa História, num raro espírito de
previsão, " foram criadas estâncias ou
postos com plantação de roças e criação
de porcos e aves para o sustento de homens da jornada. Deixava
sempre um Capitão com seus soldados, além
de vários negros e negras, nomes com que designavam
os índios, à frente dessas feitorias. Diversas
dessas feitorias transformaram-se em Arraiais e chegaram
até nossos dias". Nesta Roça Grande,
nos meses de Maio, Junho e Julho, o Governador Arthur de
Sá e Menezes assinou importantes atos " em casa
de morada do Tenente-General Manuel de Borba Gato".
Neste Local, em 1702, Borba Gato recebia a provisão
de Superintendente das Minas do Rio das Velhas, tendo sido
o importante Bandeirante paulista, a quem a história
não confere a merecida importância, o primeiro
a encontrar o precioso metal amarelo às margens do
Rio das Velhas.
Encontrado em abundância, o ouro atraiu aventureiros
de toda parte. A ocupação não foi pacífica
tendo gerado conflitos de toda ordem. Já nas alturas
de 1681, um destes conflitos culmina no assassinato do fidalgo
espanhol Dom Rodrigo de Castel Blanco, enviado da Coroa
Portuguêsa. Denunciado à Côrte como autor
do crime, Borba Gato foragiu-se por cerca de 18 anos, vivendo
com os índios no vale do Rio Sabará e sertões,
oportunidade em que veio descobrir mais ouro, não
deixando de manter contato com a família em São
Paulo.
Por volta de 1698, quando de seu primeiro encontro com o
então Governador Arthur de Sá e Menezes, Borba
Gato foi investido nas funções de Tenente-General
do Mato.
Em 1702, o Arraial da Barra do Sabará, surgido próximo
a Roça Grande, era considerado o mais populoso das
Minas Gerais. A 09 de Junho de 1702, um novo encontro ocorreu
entre Borba Gato e Governador Arthur de Sá, tendo
o bandeirante paulista recebido o perdão em troca
do "Manifesto do Ouro", sendo ainda investido
nas funções de Superintendente das Minas do
Rio das Velhas. Nesta altura, o Arraial da Barra do Sabará
fazia limites desde a confluência dos rios Sabará
e das Velhas até as proximidades com o Arraial de
Tapanhuacanga, fundado pelo paulista Bartolomeu Bueno Silva
e seus parentes, onde foi erigida a Igreja de Nossa Senhora
da Expectação do Parto, popularmente conhecida
como Igreja de Nossa Senhora do Ó .
Investido das novas funções, Borba Gato passou
a impor-se " repartindo lavras de ouro por sortes de
terras e veios d’água como mandava o Regimento,
confiscava todos os comboios que vinham do sertão,
boiadas, cavalos, negros. E tudo mais se apanhava tudo confiscava
". Falecendo em 1717, deixou antigo Arraial da Barra
do Sabará elevado a condição de Villa
Real, próspero e com grande movimento.
A Paróquia foi instituída em 1701 pelo Bispo
do Rio de Janeiro, Dom Frei Francisco de São Jerônimo,
tendo sido elevada à categoria de Colativa por Alvará
de 1724.
A madeira necessária à construção
das igrejas, sobrados ,casarões, pontes, era retirada
das densas florestas às margens dos rios e córregos.
Nestas clareiras eram plantadas lavouras diversas. Por ocasião
da grande fome de 1700/1701, Minas Gerais do Ouro Preto
e Ribeirão do Carmo foram salvas por mercadores de
Sabará.
A febre do ouro fazia com que as lavouras fossem abandonadas.
Os aventureiros estabeleciam-se em toda parte. Na Barra
do Sabará surgiu um Caquende "... mercado de
mantimentos e escravos que comerciavam com a Minas Gerais
do Ouro Preto e com o Ribeirão do Carmo " .
O paulista José Pompeu instalou-se com sua família
fundando o Arraial de Pompeu , onde localiza-se a Igreja
de Santo Antônio com talha representativa da primeira
fase do barro mineiro. Pedro de Morais Raposo, juntamente
com seus irmãos, fundou o Arraial dos Raposo, posteriormente
desmembrado em três freguesias: Santo Antônio
do Rio Acima; Rio das Pedras e Congonhas do Sabará
( posteriormente Nova Lima) .
A arrematação do talho e distribuição
da carne era feita por Frei Francisco de Menezes e o Sargento-Mór
Francisco do Amaral Gurgel, por volta de 1707. Tal fato
provocou a reação do grupo oponente aos paulistas,
servindo de estopim para a luta aberta entre os baianos
e portugueses contra os paulistas, com os primeiros seguindo
as ordens de Manuel Nunes Viana, deflagrando a Guerra dos
Emboabas. Resistindo os paulistas em Sabará, os comandos
de Nunes Viana aqui vieram e, utilizando-se de índios
com flechas incendiárias, atearam fogo às
choças dos moradores. Em decorrência deste
fato, dois locais atualmente têm denominação
especial "Rua do Fogo" ( Rua Comendador Viana)
e Bairro Fogo Apagou.
As lutas eram constantes. Em 1708 José Pompéu
foi morto pelos Emboabas. No Ribeirão do Carmo e
nas Minas Gerais do Ouro Preto sempre dominaram os paulistas
e seus descendentes. No Sabará ficou o emboaba com
seus costumes e suas tradições.
Em 1709, utilizando-se de madeira retirada das margens dos
rios Sabará e das
Velhas, foram construídas as pontes "grande"
e "pequena", no caminho utilizado para o Arraial
dos Raposo (Raposos) e Minas Gerais do Ouro Preto, passando
pelo Arraial de Sant’Ana. Por volta de 1710 era construído
um "caminho novo", na encosta da montanha, ligando
a fervilhante Barra do Sabará, movimentado centro
de comércio de gado, escravos, cavalos e mantimentos,
com o extremo do povoado. Os anseios pela organização
político-social aumentavam. O trabalho de organização
durou cerca de dois anos.
No dia 14 de julho de 1711, "com uma luzida escolta,
chegava ao arraial da Barra do Sabará, mandando convocar
os principais mora dores da região para uma junta
que, efetivamente, se reuniu no dia 15 à tarde e
à qual compareceram quase todos os comandantes das
Ordenanças dos arraiais". Colocados a par das
exigências, os moradores foram convocados pelo governador
e Capitão-General Antônio de Albuquerque Coelho
de Carvalho para uma nova reunião marcada para o
dia 17 de julho de 1711 data em que, com muita festa, foi
lavrado o ato de criação da Villa Real de
Nossa Senhora da Conceição do Sabará,
cujo inteiro teor segue transcrito. A lista dos presentes,
cerca de 39, não aponta a participação
de paulistas importantes e ainda residentes no arraial.
à exemplo de Borba Gato.
O Termo da Vila Real compreendia Prósperos arraiais
não apenas com atividades de extração
do ouro mas destacando-se também na lavoura Pompéu,
Lapa, Raposos, Roça Grande, Congonhas do Sabará,
rio das Pedras, São Vicente, Curral del Rey, Paraopeba
etc. A Comarca do Rio das Velhas foi instituída a
06 de Abril de 1714, com sede na tradicional Vila Real,
pelo Governador Dom Braz Baltazer da Silveira, que sucedeu
a Antônio de Albuquerque. Sua extensão era
enorme pois fazia limites com Pernambuco, Bahia, Espirito
Santo, Rio de Janeiro e Goiás. A posição
geográfica da sede da Comarca favoreceu a formação
como um dos mais importantes centros comerciais da Capitania.
Contava a Vila Real em 1719, com "5.771 negros escravos
e 127 lojas e vendas". Dois ilustres médicos
da época atuaram na Vila com expressivo destaque,
nas primeiras décadas do séc. XVIII: o português
Luiz Gomes Ferreira e o italiano Antônio Cialli, autor
de "Relação Histórico - Médica"
datada de 1749, abordando o uso das águas de Lagoa
Santa.
A Vila Real do Sabará não foi apenas "o
maior empório comercial de Minas Gerais no Sec. XVIII
e em mais da metade do Sec. XIX. Foi o maior centro de ourivesaria
no Brasil, possuindo o melhor artesanato não só
de alfaias sacras, como de jóias de todo gênero".
No final do sec. XVIII contava o Brasil com 2 milhões
e 850 mil habitantes dos quais cabiam: 650 mil a Minas Gerais,
530 mil à Bahia, 480 mil a Pernambuco, 380 mil ao
rio de Janeiro, Cabendo o restante às demais. Em
apenas um século, o ouro conseguiu o que as demais
atividades não conseguiram em dois: atrair e fixar
grandes massa de homens brancos, além de construir
um capital que tornasse o Brasil capaz de desbravar e reconhecer
grande parte de seu território, inclusive o estabelecimento
de via interior, o caminho da Bahia para Minas. Segundo
o Barão de Eschwege, a Intendência de Sabará
chegou a arrecadar 487 arrobas de ouro no período
de 1735 a 1751.
A 06 de Março de 1838, pela Lei Provincial nº
93, a Vila Real de Nossa Senhora da Conceição
do Sabará foi elevada à categoria de cidade
com a denominação simplesmente de Sabará.
Uma das mais tradicionais cidades mineiras, Sabará
contribuiu decisivamente para a formação cultural
e a grandeza do Estado de Minas Gerais. Já em 1711
participava na luta contra os franceses no rio de janeiro.
atendendo a abaixo assinado encabeçado por Miguel
Calmon Dupin e Almeida, contribuiu na luta contra o general
madeira , o "Nero Baiense", com envio da importância
de "dois contos e duzentos mil réis" .
No ano de 1865, enviou 84 jovens voluntários para
participar na luta contra o ditador do Paraguai.
Por ocasião da Revolução Liberal, em
Agosto de 1842, Sabará foi alvo de lutas contra as
forças de três mil rebeldes que sitiaram a
cidade sob o comando dos Coronéis Antônio Nunes
Galvão, Francisco José Alvarenga e Manoel
Joaquim de Lemos.
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