A enseada de 'mui larga entrada' escolhida como um porto
seguro para abrigar as embarcações da esquadra
portuguesa, em 1500, era a Baía Cabrália,
situada no que hoje é o município de Santa
Cruz Cabrália. No ilhéu de Coroa Vermelha
foi rezada a primeira missa no Brasil, pelo Frei Henrique
Soares, no dia 26 de abril, um domingo de Páscoa.
E naquela praia, próximo à foz do rio Mutari,
onde se travaram os primeiros contatos entre os portugueses
e os pacíficos e belos índios tupiniquins,
ergueu-se a cruz com as armas e as divisas de Portugal,
simbolizando a posse das terras descobertas.
Não muito longe dali, surgiria a primitiva aldeia
de Santa Cruz, no sopé do Outeiro da Glória,
onde foi construída a primeira igreja do Brasil por
dois frades franciscanos. A partir deste núcleo inicial,
se desenvolveria a Capitania de Porto Seguro, criada em
1534. O primeiro donatário, Pero de Campos Tourinho,
ao tomar posse de sua sesmaria, determinou a fundação
da Vila de Nossa Senhora dos Remédios, atual cidade
alta de Porto Seguro, que seria a sede da capitania. Além
disso, ordenou a transferência da aldeia de Santa
Cruz para uma elevação próxima à
foz do rio Sernampetiba ou rio João de Tiba. Esta
medida foi tomada diante dos constantes ataques dos índios
aimoré à aldeia. A nova localização
foi escolhida por ser mais segura 'ou mais sadia e acomodada
para os moradores viveram', segundo o relato de Gabriel
Soares.
Nas margens daquele rio, não se
sabe muito bem como, já havia um morador desde 1530:
o português João de Tiba que acabou emprestando
seu nome àquele curso d'água. No entanto,
mesmo num local protegido, de um lado, pelo rio e, do outro,
pela própria elevação de cerca de 40
metros, a aldeia continuou a ser atacada pelos índios.
Alguns historiadores afirmam que essa foi a razão
da povoação não ter se desenvolvido
como a de Porto Seguro.
Até 1833, a vila de Santa Cruz foi politicamente
subordinada a Porto Seguro. Por isso, sua história
acaba se confundindo, em boa parte, com a do município
vizinho, que era a sede da capitania. A economia da região
teve um desenvolvimento débil, do início do
século XVII até meados do XVIII. A pesca da
garoupa na barra de Santa Cruz era a principal atividade
no final daquele século, ao lado do cultivo de mandioca
e legumes. Em 1888, assinalava-se ainda a extração
de piaçava e da madeira. No início deste século
há uma crise profunda, que culminou com a perda da
autonomia do município entre 1931 e 1933.
A partir de 1972, com a conclusão
da BR 101 e a construção da estrada ligando
Porto Seguro a Santa Cruz Cabrália, as belas praias
da cidade, cenário do descobrimento, começam
a atrair turistas - o anúncio de um período
de renascimento. Em 29 de janeiro de 1981, o núcleo
histórico de Santa Cruz Cabrália é
tombado pelo SPHAN como Patrimônio Histórico,
Cultural e Paisagístico.
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