Esse município insular é o próprio
Arquipélago de Tinharé, composto por 36 ilhas
localizadas num complexo estuarino, onde as ilhas principais
são as de Cairu, Boipeba e Tinharé. Ao todo,
existem três vilas (Galeão, Gamboa e Velha
Gamboa), seis povoados (Morro de São Paulo, Canavieiras,
São Sebastião, Torrinhas, Tapuias e Garapuá)
e uma cidade – Cairu. O nome primitivo da ilha de
Cairu era Aracajuru, “casa do sol” na linguagem
indígena.
Cairu surgiu no século XVI, durante
o povoamento da Capitania de Ilhéus. Era uma das
mais importantes vilas da Colônia. A sede foi elevada
à categoria de vila em 1610 e em 1938 à cidade.
No século XVIII, era considerada a melhor e mais
segura moradia da região, onde fixaram residência
ouvidores e corregedores da Câmara de Ilhéus.
A sede está localizada na Ilha de
Cairu e é dividida em cidade alta, onde a cidade
nasceu, e cidade baixa. Na cidade alta existem alguns prédios
com importância histórica, como a Igreja de
Nossa Senhora do Rosário (1610) situada numa elevação
olhando para o Convento de Cairu. Do alto descortina-se
uma belíssima vista da região. As casas do
entorno, baixas, formam um agradável conjunto. Não
deixe de ver as imagens de Nossa Senhora do Rosário,
Nossa Senhora das Dores, São José e São
Miguel. São também muito bonitas as janelas
conversadeiras da sacristia feitas de cantaria de arenito.
Há ainda sobrados com dois pavimentos com sótão
e, na entrada da cidade, o prédio da antiga prefeitura,
possivelmente do final do século XVIII. Erguidos
onde existia uma pequena ermida de invocação
a Santo Antônio, estão a Igreja e o Convento
de Santo Antônio cuja fachada, precedida de cruzeiro
de pedra, está voltada para o braço de mar
que separa as ilhas de Tinharé e Boipeba. Do lado
esquerdo da Igreja de Santo Antônio ficam as ruínas
da capela-mor da Ordem Terceira, que nunca chegou a ser
concluída. O início da construção
desse convento, construído pelos Capuchinhos, remonta
a 1654 e um conjunto precioso de azulejaria portuguesa do
tipo tapeçaria dos séculos XVII e XVIII existe
até hoje. Dos mirantes existentes no primeiro andar
descortina-se uma bela vista do mar e do campo.
No início do século XVII,
os franciscanos que receberam, por doação,
“a sesmaria das doze léguas de Camamu”,
construíram em Cairu a Residência de São
Francisco Xavier (Galeão – 1623) e a Igreja
de Santo Inácio.
No início do século XVIII,
a exploração das matas passa a rivalizar com
a produção de farinha na região. Cairu
era um tradicional fornecedor de farinha para a Capital.
É interessante citar que durante três décadas
Cairu contribuiu financeiramente para a reconstrução
de Lisboa, arrasada por um grande terremoto em 1756. Data
dessa época o surgimento de quilombos criados por
negros fugitivos. Em 1870, o corte da madeira era tão
intenso e gerava tantos lucros que o governo precisou criar
a função de Juiz Corregedor das Matas para
deter a exploração predatória descontrolada.
Vinte anos mais tarde, dada à ineficácia dessa
medida, a Coroa resolveu tombar o que restava das matas,
para estancar a exploração de madeira nas
ilhas.
O folclore local mantém viva a lembrança
da ascendência indígena, da escravidão,
da presença militar, das lutas em defesa da nação,
da saudade de Portugal, Espanha, Holanda e Angola. Permanecem
muito vivas as representações dos congos,
taeiras, dondoca, alardo, zambiapunga, chegança,
bumba-meu-boi e barquinha cinza.
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