O tempo de D.Pedro iniciaram-se ainda as obras de construção
da actual Igreja Matriz, sobre a pequena Igreja Paroquial,
e que se prolongaram pelos dois condados seguintes, respectivamente
de D.Afonso Telo (1357-1372) e D.Afonso Teles de Menezes (1372-1382).
A partir de 1385, D.Nuno Álvares Pereira, Condestável
do reino e um dos homens mais poderosos do país,
tornou-se no sétimo conde de Barcelos. Em 1401, por
motivo do casamento da sua filha, D.Beatriz Pereira, com
D.Afonso, filho bastardo de D.João I, renunciou à
posse do condado, para ser entregue como dote ao seu genro.
Nos sessenta anos seguintes D.Afonso administrará
o condado como o seu oitavo conde. Entra-se numa nova era
para o condado Barcelense, pois o seu novo senhor torna-se
gradualmente num dos mais poderosos do reino; além
do dote já referido, consegue de seu pai o ducado
de Bragança, o condado e ducado de Guimarães
e aos quais é acrescentado, posteriormente, o titulo
de marqueses de Vila Viçosa, na pessoa de seu filho,
D.Fernando I. Barcelos deixava novamente de ter a exclusividade
do seu senhor, adquirida com a passagem de vila régia
a condal, o que não lhe foi benéfico, já
que estes foram preferindo Guimarães e depois Vila
Viçosa.
O desenvolvimento da feira, prova da vitalidade económica
que então se verificava, leva à publicação
de um diploma régio, em 19 de Fevereiro de 1412,
criando uma feira anual e foi conseguido «a rrogo
do conde dom affomso» . O progresso económico
é também patente no aparecimento de uma notória
comunidade judaica, documentada desde 1369.
Realizam-se então, obras de grande vulto na vila,
patrocinadas por D.Afonso e continuadas pelos seus descendentes.
Nos começos do século XV, este alcançou
de seu pai, D.João I, carta para poder lançar
taxas para os «muros e torres» da vila. A cerca
seria terminada nos meados do século XV, como se
pode deduzir de uma reclamação, em Cortes,
dos representantes de Ponte de Lima.
Desta muralha ainda hoje nos restam alguns, poucos, vestígios,
que nos permitem refazê-la com uma pequena margem
de erro, quer com a ajuda do desenho de Duarte Darmas e
da Planta Militar de 1806, quer pela estrutura actual do
centro da cidade, conformado, ao longo dos séculos,
pela existência da cerca. Esta possuía três
torres, cada uma correspondendo a uma porta da cidade, corolários
das vias mais importantes. Actualmente, das três torres,
só subsiste a do cimo de Vila.
Existiam ainda, pelo menos dois postigos, dos quais o mais
importante era o de Pessegal, defendido por uma pequena
torre e por uma barbacã, dando acesso à fonte
e ao rio. Na direcção da Fonte de Baixo e
Casal de Nil, encontrava-se o postigo do Fundo de Vila,
passagem de serviço muito utilizada.
A leitura feita por Maria da Conceição Falcão
Ferreira dos documentos de Ponte de Lima, ao tempo do Conde
D.Fernando II, permite-nos concluir que as referências
que nele se fazem às obras, se referem ao Paço
Condal, iniciado no tempo de D.Afonso. Segundo o Professor
Ferreira de Almeida os Paços do Concelho são
também da segunda metade do Século XV, incluídos
nas obras para as quais se lançou talha. Fica assim
atestada a importância que adquirira a zona a sul
do Largo do Apoio até à ponte, com a implantação
destes edifícios, deslocando-se para aí o
centro cívico da urbe. É também deste
tempo a formação da «Praça da
Vila», entre os Paços do Concelho e a Igreja,
onde se implantaria o pelourinho da vila, símbolo
da lei e da administração.
D.Fernando consegue ainda, em sequência de diligências
iniciadas por seu pai, que fosse instituída a Colegiada
de Barcelos, em 1464, pelo Arcebispo D.Fernando da Guerra.
Nesta época, aparece também a mais importante
casa senhorial medieval - o Solar dos Pinheiros - visível
já no desenho de Duarte Darmas, mas cuja construção
inicial não tinha ainda o volume que este desenho
já apresenta.
A dinâmica que Barcelos adquiriu com a passagem a
vila condal, traduzida em edificações, permite-nos
afirmar que a sua estrutura como urbe estava já formada,
nas suas linhas principais, ao final do século XV,
no ultrapassar da idade medieval. O seu centro cívico
com as sedes das principais instituições,
as principais artérias estruturando o burgo intra-muros
e o campo da feira, estavam já delineados.
Seguem-se anos de desgraça para o condado, pois
D.Fernando, homónimo de seu pai, décimo conde
desde 1478, foi setenciado em Évora (1484) sob acusação
de ter conjurado contra D.João II, sendo os seus
bens incorporados na coroa, estando neles incluída
a vila de Barcelos.
D.Manuel, em 1496, restitui quase todos os bens ao legítimo
herdeiro, D.Jaime, reabilitando assim o nome da família.
Durante o condado de D.Jaime, de 1496 a 1532, dão-se
acontecimentos na cidade que vão dar um novo fôlego
à sua urbanização, o principal dos
quais será o milagre do Senhor da Cruz.
No ano de 1504, numa sexta-feira de Dezembro, aparece miraculosamente,
"uma cruz, de terra bem negra, no chão barrento
do campo da feira" . Em consequência forma-se
uma Irmandade, a do Bom Jesus da Cruz, e constroi-se uma
pequena capela, no local do milagre, que angariaria desde
logo uma grande devoção, especialmente entre
os mareantes. O local de implantação da capela,
em frente à Torre do Cimo de Vila, ao lado da qual
se abriu um postigo encimando a Rua Direita, assumiu-se
como um novo polo de desenvolvimento da urbe, já
indiciado antes, mas em menor escala, com a existência
do Campo da Feira. Como prova desta situação,
temos o facto de o conde D.Jaime ter tentado transferir
para aqui a Igreja da Colegiada, quer porque a cidade crescia
nesse sentido, quer para ampliar o seu Paço Condal
que se revelava demasiado pequeno. Apesar dos documentos
registarem esta intenção, a mudança
nunca se chegou a efectuar.
A Colegiada sofre então obras vultuosas, das quais
se destacam as capelas da cabeceira, em estilo gótico,
com inscrições, datando o fecho das mesmas
dos anos de 1504 e 1506.
Inicia-se então uma época de renovação
arquitectónica da cidade, existindo documentos que
nos falam, das primeiras urbanizações extra-muros,
como sejam a da Cruz, a do Salvador e a da Porta do Vale.
O crescimento das actividades mesteirais, que leva ao aparecimento
nesta época da especialização de ruas
pelos diversos mesteres (Rua dos Pelames, Rua dos Alenterneiros,
Rua dos Mercadores, etc), indicia-nos o nível económico
atingido. Como evidência disto, temos também
a grande comunidade judaica, existente ao tempo, com o seu
bairro próprio, na Rua da Judiaria (no local da ala
nascente da actual Câmara Municipal), onde ficava
também a sua casa de culto. Com o decreto de expulsão
ou conversão, em 1496, a maioria dos judeus de Barcelos
fizeram a sua conversão. O tombo do Hospital, de
1498, refere-nos a «casa que foi sinagoga» e
a «rua nova que foi judiaria».
É ainda no tempo de D.Jaime que se cria a Misericórdia
de Barcelos, ficando esta sediada na Capela de Santa Maria,
a norte do Hospital. por provisão de D.Manuel, em
1520, confirmando uma situação que já
se verificava de facto, a Misericórdia assume a administração
de bens e encargos do Hospital do Espírito Santo
e da Gafaria da Fonte de Baixo, extinta na altura por falta
de doentes e de receitas. Assume-se esta instituição
como uma autêntica segurança social, prestando
cuidados aos doentes e necessitados, e como um autêntico
«montepio» da época, emprestava juros
a nobres, a agricultores e até a artistas. A leitura
da sua correspondência deixa-nos ainda "(...)com
a impressão de que esta instituição
era um autêntico consulado e um centro de informações,
dando notícias de herdeiros e descendentes de barcelenses
dispersos pelo nosso mundo da Expansão (...)".
O décimo segundo conde, D.Teodósio (1532-1563),
protegeu a Irmandade da Misericórdia, isentando os
seus mesários da obrigação de cargos
municipais.
Nos finais do século XVI a Capela de Santa Maria,
sede da Misericórdia, era demasiado pequena para
o culto que tinha. Decidiu-se então construir uma
nova igreja para acolher a Irmandade. Foi lançada
a primeira pedra no ano de 1593 e estaria concluída
em 1596, a nascente dos Paços do Concelho, conformando
a Praça da Vila.
Esta praça, tal como já tinha acontecido
em Viana, Braga e Guimarães, recebe na segunda década
do século XVII, uma configuração renascentista
- o pelourinho aí existente dá então
lugar a um chafariz, que hoje em dia se encontra no Largo
de S. José. É também neste século
que, segundo o Professor Ferreira de Almeida, o velho hospital
sofre grandes remodelações.
No século XVII, a Torre do Cimo de Vila passou a
chamar-se "Torre da Porta Nova e nela se instalou a
cadeia comarcã por 1631 - 1636 quando se extinguiu
o antigo Tronco municipal, situado no actual Largo do Apoio,
hoje moradia particular".
Esta pequena praça sofre obras em 1621, sendo desta
data o chafariz que ainda hoje lá existe. Um outro
chafariz, também desta data, é colocado no
Campo da Feira, comprovando a dignidade que este espaço
já tinha alcançado.
O postigo aberto ao tempo de D.Jaime, no extremo da Rua
Direita, é ampliado em 1646, segundo J. Mancelos,
e transformado em porta monumental, que se passou a chamar
Porta Nova. o Professor Ferreira de Almeida não partilha
esta opinião, dizendo-nos que esta porta já
estava ao serviço em 1595, baseado num documento
referente à Capela da Senhora do Rosário.
Independentemente das datas, a Rua Direita sofreu um arranjo
urbanístico, de modo a direccionar-se para a nova
abertura, sendo endireitada no troço que vai desde
o acesso ao Postigo das Ferrarias, aberto em 1631, até
à Porta Nova. A última parte desta rua, no
seu lado nascente, era antigamente conhecida como Rua do
Cimo de Vila.
A abertura da Porta Nova vem confirmar a progressiva importância
desta zona, já que, gradualmente, esta se tinha tornado
num verdadeiro centro da urbe. O Campo da Feira e o centro
de peregrinação que é a Capela do Senhor
da Cruz, tinham puxado a urbanização para
este lado da cidade. Em 1649 foi lançada a primeira
pedra do convento dos Capuchos, hoje sede da Misericórdia,
dando forma ao lado nascente do Campo da Feira.
Em 1640, com a Restauração da Independência
e ascensão da família ducal de Bragança
à realeza, Barcelos volta a ser uma vila régia.
Daí lhe advém protecção e benefícios,
sendo dos mais importantes a concessão, por dois
ou três anos, do Imposto «real de água»
destinado a obras, o que viria a repetir-se por várias
vezes no século XVIII. Paralelamente, foram remetidas
vultuosas somas de dinheiro do Brasil, por Barcelenses que
para lá tinham emigrado. Por vias destes factos,
os anos de setecentos vão ser de franco desenvolvimento,
com grandes obras, quer em termos particulares, quer em
termos públicos. Houve na cidade, "um notório
desenvolvimento nas áreas de serviços que
prestava, administrativos, jurídicos e económicos"
.
A feira é remodelada, aumenta o número de
lojas e renovaram-se as construções urbanas
que, pela proximidade da época, são das que
mais marcam arquitectonicamente a cidade nos dias de hoje.
A área do Campo da Feira circunda-se de bons edifícios,
que aparecem igualmente nos arruamentos que dão saída
para Ponte de Lima e Abade de Neiva. Várias zonas
de Barcelos urbanizam-se nesta época, crescendo a
mancha urbana muito para lá do limite dos muros.
Consequência de diligências já iniciadas
em 1698 por uma Comissão angariadora de fundos, constroi-se
a Igreja do Senhor da Cruz, em frente da Porta Nova, substituindo
a velha Capela que já era pequena para o grande número
de peregrinos e importância que a Irmandade tinha
vindo a adquirir.
D.João de Sousa, arcebispo de Braga na época
arranjou cinco "riscos" preliminares, três
do arquitecto bracarense, Manuel Fernandes da Silva e dois
do arquitecto régio João Antunes. Na carta
que o arcebispo de Braga enviou ao Dr. Matias de Melo, Juiz
de Fora de Barcelos e responsável da Comissão
angariadora de fundos, reproduzida por Sousa Viterbo , compreendemos
que o arcebispo se mostrava incrédulo quanto às
possibilidades de o Templo do Senhor da Cruz ser construído,
tão elevadas eram as verbas envolvidas. Junto com
essa carta, D.João Matias de Sousa enviava à
comissão os cinco projectos referidos, para que esta
pudesse escolher um. Na referida epístola menciona-se
ainda que os projectos são de planta redonda, certamente
exigência da Comissão, que queria ver o seu
templo, dedicado ao Senhor da Cruz, com uma imagem semelhante
ao Templo de Jerusalém, de forma arredondada e cúpula.
Seja porque respondia a estas exigências ou porque
apresentou um projecto mais sóbrio e logo menos dispendioso,
o arquitecto escolhido foi João Antunes, que delineou
o Templo Barroca, de planta centrada, que hoje existe em
Barcelos. A construção realiza-se entre os
anos de 1705 e 1710, segundo inscrições existentes
no exterior da Igreja.
Resultado, em parte, do «real de água»
realizam-se várias obras de cariz público,
entre as quais se contam a renovação da colegiada
e do edifício da Misericórdia, com o seu hospital,
e a edificação do Mosteiro do Terço,
da desaparecida Igreja da Ordem de São Francisco
e do Passeio dos Assentos.
O Hospital da Misericórdia é neste século
ampliado até ao Largo do Apoio, sendo a fachada voltada
à Rua da Misericórdia, antiga Santa Maria,
regularizada de modo a ter um aspecto uniforme. Também
a Igreja da Colegiada sofre obras de remodelação,
para se «adaptar» ao gosto vigente.
As cada vez mais poderosas famílias de Barcelos,
que dominavam a administração local, fizeram
pressão para o aparecimento de um convento, onde
os seus filhos pudessem aprender as leis e o latim, e um
mosteiro, onde as suas filhas pudessem estudar. O convento
fundado é o já referenciado, dos Frades Capuchos,
cujas aulas só começaram a funcionar em 1710.
O mosteiro do terço para donas é construído
entre 1707 e 1713, limitando a face norte do Campo da Feira,
que era a sul conformado pela Igreja da Ordem de São
Francisco.
O Largo da Porta Nova, sem um arranjo digno no seu lado
sul, que descia bastante até embater na propriedade
rústica, suscitava discussões do foro urbanístico
em meados do século XVIII. Acabou por triunfar a
ideia do passeio público, hoje conhecido como Passeio
dos Assentos, obra realizada entre 1780 e 1783, para a qual
o rei autorizou o lançamento de um imposto especial.
A obra, em estilo rococó, toma como solução
o nivelamento da praça e enobrecer do socalco, com
uma entrada monumental que enquadra a Igreja do Senhor da
Cruz. A obra é composta por uma fachada falsa onde
se colocaram janelas, assentos e fontes e que define um
recinto festivo para o Templo do Senhor da Cruz, enquadrando
urbanisticamente esta Igreja. A escadaria central do conjunto,
que está enquadrada com uma das portas laterais da
dita Igreja, sugere um percurso ao longo da encosta, possivelmente
até ao rio, que nunca se chegou a realizar. Já
no século XX, foi feito na cota baixa, um jardim,
mas, apesar de tudo, esta obra continua incoerente, pois
a sua concepção prevê a chegada a partir
da cota baixa, de onde não se vem de parte nenhuma,
especialmente nos dias de hoje, em que o crescimento da
cidade já cortou hipótese de enfiamento que
poderia ter existido.
O início do século XIX, época conturbada
a nível nacional, consequência das invasões
francesas e das lutas liberais, também para Barcelos
não foi benéfico. A cidade sofreu com as divisões
geradas pelo tomar de um ou outro partido.
À vitória da facção liberal,
seguiu-se uma reforma administrativa, em 1836, que diminuiu
a extensão do enorme concelho de Barcelos e da sua
comarca. A cidade vê assim reduzida a sua influência,
tanto em termos administrativos como judiciais, o que causa
um período de recessão no comércio
local.
A segunda metade de oitocentos proporciona uma recuperação
económica à qual não é alheio
o muito dinheiro chegado do Brasil e que se traduz, não
só em Barcelos, mas em todo o Minho, numa autêntica
época do «brasileiro». Reflexo do progresso,
vai verificar-se uma renovação arquitectónica
na cidade, com a construção de algumas obras
públicas mas, essencialmente, com a construção
de moradias particulares, ainda patentes na actualidade.
As reformas de 1836 tiveram ainda como consequência
a extinção das ordens religiosas e a passagem
das suas instalações para a alçada
estatal. Isto obviou à construção de
novas instalações para muitos serviços
de cariz público, o que prova que, como refere Friedrich
Kurrent, "as estruturas espaciais e arquitectónicas
têm uma vida mais longa que as funções
para as quais estavam destinadas" . Vai-se verificar
então, por todo o país, uma remodelação
destas instalações, onde ainda hoje se encontram
muitas instituições públicas.
Em Barcelos, na sequência, é oferecido à
Misericórdia local o antigo convento dos Frades Capuchos,
abandonado havia dois anos. Esta muda-se para lá
efectuando de seguida obras no edifício, que lhe
deram um novo aspecto. O antigo edifício da Irmandade,
a norte dos Paços do Concelho, é integrado
nesta instituição, já que o espaço
para a administração local vinha-se tornando
escasso. Em 1849 iniciaram-se as obras de ampliação
do edifício da Câmara Municipal, procedendo-se
à anexação das antigas instalações
da Misericórdia, incluindo-se o desmonte da Igreja,
para ser integrada no novo edifício, e as obras na
fachada procurando dar ao conjunto um aspecto homogéneo.
Estas obras prolongam-se por vários anos, sendo a
fachada sul do edifício alargada até à
Rua da Judiaria, adquirindo então o aspecto monumental
que tem hoje.
Em 1877 é aberta a via férrea até
Barcelos, implantando-se a estação no limite
nascente da vila. Para além do progresso que advém
desta nova via de comunicação, obtém-se
ainda um novo espaço urbano a ser construído,
polarizado pela estação. Porém, esta
nova zona só será ocupada no segundo quartel
do século XX, com a implantação de
fábricas de malhas e tecidos, de enorme importância
para a economia Barcelense. A primeira fábrica de
fiação de que se tem conhecimento, havia-se
implantado junto à ponte em 1870.
Actualmente, a área urbanizável aberta com
a implantação da estação, em
especial a artéria que lhe dá acesso, encontra-se
em fase de ocupação por prédios em
altura, de comércio e habitação, suficientemente
incaracterísticos para poderem pertencer a qualquer
outra cidade.
Durante todo o século XIX e já desde o final
do século XVIII (temos relatos que nos confirmam
que a muralha estava intacta em 1758), as muralhas foram
desaparecendo, com o agoramento do espaço por elas
ocupado. Vão sendo integradas em construções
ou simplesmente demolidas, sobrando-nos hoje muito pouco
desses muros.
No inicio do corrente século, pode dizer-se que
as linhas de desenvolvimento do que é a actual cidade
estavam já completas. A cidade vai então,
claramente, desenvolver-se a partir da estrada nacional
103, a que dá acesso a Viana do Castelo, até
ao novo pólo da urbe, a estação, no
seu limite nascente. A expansão vai-se fazendo ao
longo das ramificações viárias que
dão acesso à Facha e a Ponte de Lima, tal
como vinha acontecendo desde a Idade Média.
O centro da cidade desloca-se gradualmente para o Largo
da Porta Nova, perto da Igreja do Senhor da Cruz e do Campo
da Feira, onde se encontra actualmente. A sul do Passeio
dos Assentos, onde até à pouco tempo só
existiam campos agrícolas, encontra-se hoje construído
com uma série de equipamentos, como sejam o Palácio
da Justiça e o Posto dos Correios. São edifícios
representativos que alguém já chamou de «moderno
suave», um estilo suficientemente «moderno»
para ser actual, mas também, comedidamente «moderno»
para ser seguro. Estilo de que se encontram muitos exemplos
nos anos 70-80, em sedes de empresas, e que hoje é
preterido em favor do prestígio proporcionado pela
«recuperação» daquilo que é
antigo, no fundo, outra face do mesmo negócio.
É ainda nesta época que o arquitecto Carlos
Loureiro desenvolve um Plano de Urbanização,
que vai delinear o desenvolvimento da cidade de Barcelos,
já que, são nele traçadas as principais
vias estruturadoras do fluxo de tráfego, assim como
o novo atravessamento do Rio Cávado, condicionantes
do progresso urbano actual.
Durante este século, aquilo a que se pode chamar
Centro Histórico de Barcelos, onde fica inserido
o edifício dos Paços do Concelho, ficou marcado
mais pelas demolições do que pelas construções.
Referentes a estas últimas, temos a reportar o acrescento,
no início do século, da ala nascente da Câmara,
sendo para isso sacrificada parte da rua que já tinha
sido Judiaria e hoje é do Infante D.Henrique.
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