Primeira República
A República que então se instaura
em 15 de novembro de 1889, foi proclamada provisoriamente,
com a promessa de um plebiscito dentro de um ano para escolher
entre República ou Monarquia, o que só ocorreu
em 1993 devido a determinação da Constituição
Federal vigente (1988). Dominada por oligarquias estaduais
que se sustentavam através de eleições
que necessariamente se alternavam no cargos de maior poder
os paulistas e mineiros, por isso a República Velha
(1889-1930) tem como suas maiores marcas a política
do café-com-leite, que começa em 1894, e as
mudanças no federalismo no Brasil – o federalismo
brasileiro até hoje se apresenta uma versão
muito diferente do federalismo estadunidense, em que é
baseado.
Era Vargas
Em 1930, Getúlio Vargas comanda uma revolução
que o coloca no poder, acabando com a República Velha.
Em 1931, derruba a Constituição brasileira,
reunindo enormes poderes e despertando a indignação
dos opositores, principalmente oligarcas e a classe média
paulista, que acabam por iniciar a Revolução
Constitucionalista de 1932. Em 1934, sob pressão,
promulga uma Constituição democrática.
Porém, em 1937 alegando uma conspiração
comunista para a tomada do poder, conhecida como Plano Cohen,
Vargas outorga uma nova Constituição, fechando
o Congresso Nacional, restringindo liberdades individuais,
instaurando uma ditadura de inspirações fascistas
que durou até 1945. Este período ditadorial
da Era Vargas (1930-1945) é chamado Estado Novo.
República Populista
Congresso Nacional, em Brasília.Após a derrubada
da ditadura getulista e a promulgação de uma
nova Constituição Federal (1946) até
o Golpe Militar de 1964, o país vive a fase mais
democrática que já experimentara - Populismo
(1946-1964) - embora abalada por fatos como o suicídio
do presidente Getúlio Vargas em 1954. Vargas havia
assumido em 1951 após ter vencido eleição
direta para presidente.
Em janeiro de 1956, tomou posse o novo presidente Juscelino
Kubitschek, ex-governador de Minas Gerais, que inicia um
período de intensa industrialização
do país e a construção da nova capital
federal, Brasília.
Em 1961 assume a presidência da república
o udenista Jânio Quadros, tendo como vice-presidente
o petebista João Goulart (havia eleições
para presidente e para vice-presidente em duas chapas distintas).
Com a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto
de 1961 e após um período de instabilidade
institucional e da campanha que ficou conhecida como "campanha
da legalidade" patrocinada pelo cunhado de João
Goulart, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola,
Jango assume a presidência (primeiro em um regime
parlamentarista, depois a partir de 1963 em um regime presidencialista)
e propõe um conjunto de reformas que ficaram conhecidas
como as "reformas de base", que incluíam
distribuição de renda, reforma agrária
e outras medidas, consideradas, pela oposição,
"comunizantes" . Iniciara-se um período
de instabilidade política e atritos entre os diversos
interesses da direita e da esquerda.
Ditadura Militar
O golpe militar de 31 de Março de 1964 derruba Goulart,
esfria as ambições pessoais e partidárias
de ambos os lados e instaura um regime de exceção
- ditadura militar (1964-1985) - que teve cinco presidentes
que, embora civis no momento em que exerciam a magistratura,
eram oficiais-generais da reserva (em ordem cronológica):
Marechais Castelo Branco e Arthur da Costa e Silva, e Generais
Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e
João Baptista Figueiredo. Sob a influência
ou coordenação de técnicos como Eugênio
Gudin, Roberto Campos e Delfim Netto, o regime militar levou
a cabo reformas econômicas, fiscais e estruturais,
curiosamente adotando bandeiras semelhantes às de
João Goulart, como a Reforma Agrária (cujo
projeto, de Roberto Campos, foi combatido pela UDN) e a
nacionalização das empresas de infra-estrutura.
Inicialmente entusiasta do regime militar em conseqüência
do progresso econômico, principalmente para à
classe média, e também devido à manipulação
através da censura da mídia e da propaganda
oficial, a sociedade opôs-se posteriormente ao regime
autoritário. Os exageros do sistema de policiamento
político, epitomizados pela morte do jornalista Vladimir
Herzog levaram o próprio presidente Geisel a adotar
posição enérgica contra a "linha
dura".
Nas eleições de 1976 a oposição
teve expressiva votação, o que levou a uma
" lenta, segura e gradual" abertura política
no Brasil|abertura, com a volta de vários exilados
políticos, o fim da censura prévia à
imprensa, a anistia (dita "ampla, geral e irrestrita")
e o movimento, na prática inútil, porém
de grande significado simbólico, as Diretas-Já,
que reuniu milhões de pessoas em comícios
no ano de 1984. Comícios que foram levados ao ar,
ao vivo, pelas emissoras de TV do país. Curiosamente,
a maior emissora de TV do Brasil, a Rede Globo de Televisão,
foi a única a ignorar completamente o movimento,
sem fazer qualquer referência aos comícios
em seus noticiários. Somente vindo a fazê-lo
após o então presidente do Brasil, General
João Figueiredo tratar publicamente do assunto.
Nova República
A Câmara dos Deputados.Em 1985, concorrendo com o
candidato situacionista Paulo Maluf, o oposicionista Tancredo
Neves ganhou uma eleição indireta no Colégio
Eleitoral. É o fim da ditadura militar. O período
pós-ditadura militar é conhecido como Nova
República. Tancredo não chega a tomar posse,
vindo a falecer vítima de infecção
hospitalar contraída na ocasião de uma cirurgia.
Seu vice-presidente, José Sarney assume a presidência
da república. Sob seu governo promulga-se a Constituição
de 1988, que institui um Estado Democrático de Direito
e uma República presidencialista, confirmada em plebiscito
em 21 de Abril de 1993.
Em 1989, o ex-governador do Estado de Alagoas Fernando
Collor, praticamente desconhecido no resto do país,
por força de uma campanha agressiva baseada na promessa
de combate à corrupção (combate aos
marajás), da construção de uma imagem
de líder jovem e dinâmico, que vendia uma imagem
de político de direita progressista (seu partido
era o inexpressivo Partido da Reconstrução
Nacional) e com apoio dos setores que temiam a vitória
do candidato do PT, Luiz Inácio da Silva, é
eleito presidente, nas primeiras eleições
diretas para o cargo desde 1960. Entretanto, após
dois anos, o próprio irmão do presidente,
Pedro Collor de Mello, faz denúncias públicas
de corrupção através de um sistema
de favorecimento montado pelo tesoureiro da campanha eleitoral,
PC Farias. Sem qualquer resistência do Executivo,
o Congresso Nacional instaura uma CPI cujas conclusões
levam ao pedido de afastamento do presidente (impeachment).
Durante o processo, a Rede Globo de Televisão produz
e transmite Anos rebeldes, de Gilberto Braga, uma série
dramática ambientada nas manifestações
de 1968, a qual serve de inspiração para o
movimento dos cara-pintadas, manifestações
de estudantes e intelectuais que, do alto de carros-de-som,
clamavam por justiça e por um Brasil melhor. Fernando
Collor de Mello renunciou antes de ter seu impedimento aprovado
pelo Congresso, mas mesmo assim teve seus direitos políticos
suspensos por dez anos, embora a lei em vigor na época
previsse a suspensão do processo no caso de renúncia
antes de sua conclusão. Collor mudou-se em seguida
para Miami. A Justiça o absolveu de todos os processos
movidos contra ele por sua gestão. PC Farias evadiu-se
do país durante alguns anos e, após enviuvar,
retornou a Alagoas mas, em 1996, foi encontrado em seu quarto
de dormir, morto por ferimento de arma de fogo.
Plenário do Senado Federal.Collor de Mello foi sucedido
na presidência pelo vice-presidente Itamar Franco
em cuja administração é adotado o Plano
Real, um plano econômico inédito no mundo executado
pela equipe do então ministro da fazenda, Fernando
Henrique Cardoso (FHC). Percebendo que a hiperinflação
brasileira era um fenômeno emocional de separação
da unidade monetária de troca da unidade monetária
de contas, o plano concentrou todos os índices de
reajuste de preços existentes em um único
índice, a Unidade Real de Valor, ou URV, a qual posteriormente
foi transformada em moeda corrente, o real, acabando assim
com o maior problema econômico do Brasil: a inflação.
Com o sucesso do Plano Real, Cardoso, centro-esquerda,
concorre e é eleito presidente em 1994, conseguindo
a reeleição em 1998. No primeiro mandato de
FHC é aprovada à emenda constitucional que
permite à reeleição em cargos eletivos
do Legislativo e Executivo. Fernando Henrique Cardoso também
foi o responsável por privatizar grandes empresas
estatais como a Telebrás e a Companhia Vale do Rio
Doce.
Após os oito anos do governo considerado neoliberal
pela porção maior da mídia e dos intelectuais
de esquerda brasileiros, em 2002 elege-se presidente da
República o ex-metalúrgico Luiz Inácio
Lula da Silva, do tradicionalmente esquerdista Partido dos
Trabalhadores (PT). A ortodoxia econômica de Fernando
Henrique continua sendo executado por este governo. Em 2006,
Luiz Inácio Lula da Silva é reeleito presidente
da República.