Quando descoberto pelos portugueses em 1500, estima-se que
o atual território do Brasil (a costa oriental da
America do Sul), era habitado por 2 milhões de indígenas,
do norte ao sul.
A população ameríndia era repartida
em grandes nações indígenas compostas
por vários grupos étnicos entre os quais se
destacam os grandes grupos tupi-guarani, jê e aruaque.
Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins
e tupinambás, entre inúmeros outros. Os tupis
se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do
Norte de hoje. Segundo Luís da Câmara Cascudo[1],
os tupis foram «a primeira raça indígena
que teve contacto com o colonizador e (…) decorrentemente
a de maior presença, com influência no mameluco,
no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu
que se fixava». A influência tupi se deu na
alimentação, no idioma, nos processos agrícolas,
de caça e pesca, nas superstições,
costumes, folclore, como explica Cascudo:
«O tupi era a raça histórica, estudada
pelos missionários, dando a tropa auxiliar, recebendo
o batismo e ajudando o conquistador a expulsar inimigos
de sua terra. (…) Eram os artífices da rede
de dormir, criadores da farinha de mandioca, farinha de
pau, do complexo da goma de mandioca, das bebidas de frutas
e raízes, da carne e peixe moqueados, elementos que
possibilitaram o avanço branco pelo sertão».
Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi precedida por
vários tratados entre Portugal e Espanha, estabelecendo
limites e dividindo o mundo já descoberto do mundo
ainda por descobrir.
Destes acordos assinados à distância da terra
atribuída, o Tratado de Tordesilhas (1494) é
o mais importante, por definir as porções
do globo que caberiam a Portugal no período em que
o Brasil foi colônia portuguesa. Estabeleciam suas
cláusulas que as terras a leste de um meridiano imaginário
que passaria a 370 léguas marítimas a oeste
das ilhas de Cabo Verde pertenceriam ao rei de Portugal,
enquanto as terras a oeste seriam posse dos reis de Castela
(atualmente Espanha). No atual território do Brasil,
a linha atravessava de norte a sul, da atual cidade de Belém
do Pará à atual Laguna, em Santa Catarina.
Quando soube do tratado, o rei de França Francisco
I teria indagado qual era "a cláusula do testamento
de Adão" que dividia o planeta entre os reis
de Portugal e Espanha e o excluía da partilha.