Tomé de Sousa
Tomé de SousaApós o fracasso do projeto de
capitanias, o rei João III unificou as capitanias
sob um Governo-Geral do Brasil e em 7 de janeiro de 1549
nomeou Tomé de Sousa para assumir o cargo governador-geral.
A expedição do primeiro governador chegou
ao Brasil em 29 de março do mesmo ano, com ordens
para fundar uma cidade para abrigar a sede da administração
colonial. O local escolhido foi a Baía de Todos os
Santos e a cidade foi chamada de São Salvador da
Bahia de Todos os Santos. As condições favoráveis
da terra, o clima quente, o solo fértil, a excelente
posição geográfica, fizeram com que
o rei decidisse reverter a capitania para a Coroa (expropriando-a
do donatário Pereira Coutinho). As tarefas de Tomé
de Sousa eram tornar efetiva a guarda da costa, auxiliar
os donatários, organizar a ordem política
e jurídica na colônia. O governador organizou
a vida municipal, e sobretudo a produção açucareira:
distribuiu terras e mandou abrir estradas, além de
fazer construir um estaleiro.
Desse modo, o Governo-Geral centralizou a administração
colonial, subordinando as capitanias a um só governador-geral
que tornasse mais rápido o processo de colonização.
Em 1548, elaborou-se o Regimento do Governador-Geral, que
regulamentava o trabalho do governador e de seus principais
auxiliares - o ouvidor-mor (Justiça), o provedor-mor
(Fazenda) e o capitão-mor (Defesa).
O governador também levou ao Brasil os primeiros
missionários católicos, da ordem dos jesuítas,
como o padre Manuel da Nóbrega. Por ordens suas,
ainda, foram introduzidas na colônia as primeiras
cabeças de gado, de novilhos levados de Cabo Verde.
Ao chegar à Bahia, Tomé de Sousa encontrou
o velho Arraial do Pereira com seus moradores, e mudaram
o nome do local para Vila Velha. Também moravam nos
arredores o náufrago Diogo Álvares "Caramuru"
e sua esposa Paraguaçu (batizada como Catarina),
perto da capela de Nossa Senhora das Graças (hoje
o bairro da Graça, em Salvador). Consta que Tomé
de Sousa teria pessoalmente ajudado a construir as casas
e a carregar pedras e madeiras para construção
da capela de Nossa Senhora da Conceição da
Praia, uma das primeiras igrejas erguidas no Brasil.
Duarte da Costa
Em 1553, a pedidos, Tomé de Sousa foi exonerado
do cargo e substituído por Duarte da Costa, fidalgo
e senador nas Cortes de Lisboa. Em sua expedição
foram também 260 pessoas, incluindo seu fiho, Álvaro
da Costa, e o então noviço José de
Anchieta, jesuíta basco que seria o pioneiro na catequese
dos nativos americanos. A administração de
Duarte foi conturbada. Já de início, a intenção
de Álvaro em escravizar os indígenas, incluindo
os catequisados, esbarrou na impertinência de Dom
Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil. O governador
interveio a favor do filho e autorizou a captura de indígenas
para uso em trabalho escravo. Disposto a levar as queixas
pessoalmente ao rei de Portugal, Sardinha partiu para Lisboa
em 1556 mas naufragou na costa de Alagoas e acabou devorado
pelos caetés antropófagos.
Durante o governo de Duarte da Costa, uma expedição
de protestantes franceses se instalou permanentemente na
Guanabara e fundou a colônia da França Antártica.
Ultrajada, a Câmara Municipal da Bahia apelou à
Coroa pela substituição do governador. Em
1556, Duarte foi exonerado, voltou a Lisboa e em seu lugar
foi enviado Mem de Sá, com a missão de retomar
a posse portuguesa do litoral sul.
Mem de Sá
O terceiro Governador-Geral, Mem de Sá (1558-1572),
deu continuidade à política de concessão
de sesmarias aos colonos e montou ele próprio um
engenho, às margens do rio Sergipe, que mais tarde
pertenceria ao Conde de Linhares (o Engenho de Sergipe do
Conde), tornando-se um dos mais famosos da América
Portuguesa.
Para enfrentar os huguenotes de Nicolas Durand de Villegaignon
aliados aos tamoios na Guanabara, Mem de Sá aliou-se
aos índios temiminós do cacique Araribóia,
que povoavam a Ilha do Governador. Seu sobrinho Estácio
de Sá comandou a retomada e fundou a cidade do Rio
de Janeiro no dia 20 de janeiro de 1565, dia de São
Sebastião, mas acabou mortalmente ferido por flechas
dos tamoios. A imagem de Estácio flechado e ensangüentado
foi misturada à do mártir Sebastião,
também morto or flechas, e ainda com a do jovem Rei
Sebastião, que anos depois desapareceria no Marrocos,
e até hoje é um símbolo da cidade.
União Ibérica (1580-1640)
Síntese gráfica do papel representado pelas
expedições bandeirantes no chamado recuo do
Meridiano de Tordesilhas, e a substituição,
atual fronteira terrestre, entre o Chuí e o Rio Guaporé.Com
o desaparecimento de D. Sebastião, Portugal ficou
sob união pessoal com a Espanha, e foi governada
pelos três reis Filipes (Filipe II, Filipe III e Filipe
IV, dos quais se subtrai um número quando referentes
a Portugal e ao Brasil). Isso virtualmente acabou com a
linha divisória do meridiano das Tordesilhas e permitiu
que o Brasil se expandisse para o oeste.
Várias expedições exploratórias
do interior (chamado de "os sertões") foram
organizadas, fosse sob ordens diretas da Coroa ("entradas")
ou por caçadores de escravos paulistas ("bandeiras",
donde o nome "bandeirantes"). Estas expedições
duravam anos e tinham o objetivo principalmente de capturar
índios como escravos e encontrar pedras preciosas
e metais valiosos, como ouro e prata. Foram bandeirantes
famosos, entre outros, Fernão Dias, Bartolomeu Bueno
da Silva (Anhangüera), Raposo Tavares, Domingos Jorge
Velho, Borba Gato e Antônio Azevedo.
A União Ibérica também colocou o Brasil
em conflito com potências européias que eram
amigas de Portugal mas inimigas da Espanha, como a Inglaterra
e a Holanda. Esta última atacou e invadiu extensas
faixas do litoral, fixando-se principalmente em Pernambuco
e na Paraíba por quase 20 anos.
Estado do Maranhão e Estado do Brasil (1621-1640)
Das mudanças administrativas durante o domínio
espanhol (ver Colonização do Brasil), a mais
importante sucedeu em 1621, com a divisão da colônia
em dois Estados independentes: o Estado do Brasil (de Pernambuco
a atual Santa Catarina) e o Estado do Maranhão (do
atual Ceará à Amazônia). A razão
se baseava no destacado papel assumido pelo Maranhão
como ponto de apoio e de partida para a colonização
do norte e nordeste. O Maranhão tinha por capital
São Luís, e o Estado do Brasil sua capital
em Salvador.
Quando o rei Filipe III (IV da Espanha) separou o Brasil
e o Maranhão, passaram a existir três capitanias
reais: Maranhão, Ceará e Grão-Pará,
e seis capitanias hereditárias. Em 1737, com sua
sede transferida para Belém, o Maranhão passou
a ser chamado de Grão-Pará e Maranhão.
Tal instalação era efeito do isolamento do
extremo norte do Estado do Brasil, pois o regime de ventos
impedia durante meses as comunicações entre
São Luís e a Bahia. No século XVII,
o Estado do Brasil se estendia do atual Rio Grande do Norte
até Santa Catarina, e no século XVIII já
estariam incorporados o Rio Grande de São Pedro (atual
Rio Grande do Sul) e as regiões mineiras.