O pau-brasil (que os índios chamavam de ibirapitanga)
era a principal riqueza de crescente demanda na Europa.
Estima-se que havia, na época do descobrimento, mais
de 70 milhões de árvores do tipo, abundando
numa faixa de 18km do litoral do Rio Grande do Norte até
a Guanabara. Quase todas foram derrubadas e levadas para
a Europa. A extração foi tanta que atualmente
a espécie é protegida para não sofrer
extinção.
Para explorar a madeira, a Coroa adotou a política
de oferecer a particulares, em geral cristãos-novos,
concessões de exploração do pau-brasil
mediante certas condições: os concessionários
deveriam mandar seus navios descobrirem 300 léguas
de terra, instalar fortalezas nas terras que descobrissem,
mantendo-as por três anos; do que levassem para o
Reino, nada pagariam no primeiro ano, no segundo pagariam
um sexto e no terceiro um quinto. Os navios ancoravam na
costa, algumas dezenas de marinheiros desembarcavam e recrutavam
índios para trabalhar no corte e carregamento das
toras, em troca de pequenas mercadorias como roupas, colares
e espelhos (prática chamada de "escambo").
Cada nau carregava em média 5.000 toras de 1,5m de
comprimento e 30kg de peso.
Em 1503, toda a terra do Brasil foi arrendada pela coroa
a Fernão de Noronha (ou Loronha), e outros cristãos-novos,
produzindo 20 mil quintais de madeira vermelha. Segundo
Capistrano de Abreu, em Capítulos da História
Colonial, cada quintal era vendido em Lisboa por 2 1/3 ducados,
mas levá-lo até lá custava apenas meio
ducado. Os arrendatários pagavam 4 mil ducados à
Coroa.
Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações
à costa para contrabandearem pau-brasil, aves de
plumagem colorida (papagaios, araras), peles, raízes
medicinais e índios para escravizar. Surgiram, assim,
as primeiras feitorias. O náufrago Diogo Álvares,
o Caramuru, estabeleceu-se desde 1510 na barra da Baía
de Todos os Santos, onde negociava com barcos portugueses
e estrangeiros. Outra feitoria foi chamada de Aldeia Velha
de Santa Cruz, próxima ao local da descoberta.
Além dos portugueses, seus rivais europeus, principalmente
franceses, passaram a freqüentar a costa brasileira
para contrabandear a madeira e capturar índios. Os
franceses contrabandearam muito pau-brasil no litoral norte,
entre a foz do rio Real e a Baía de Todos os Santos,
mas não chegaram a estabelecer feitoria. Outro ponto
de contrabando, sobretudo no século XVII, foi o Morro
de São Paulo (Bahia). Até que Portugal estabelecesse
o sistema de Capitanias Hereditárias, a presença
mais constante na terra era dos franceses. Estimulados por
seu rei, corsários passam a freqüentar a Guanabara
à procura de pau-brasil e outros produtos. Ganharam
a simpatia dos índios tamoios, que a eles se aliaram
durante décadas contra os portugueses.
Portugal, verificando que o litoral era visitado por corsários
e aventureiros estrangeiros, resolveu enviar expedições
militares para defender a terra. Foram denominadas expedições
guarda-costas, sendo mais marcantes as duas comandadas por
Cristóvão Jacques, de 1516-1519 e 1526-1528.
Suas expedições tinham caráter basicamente
militar, com missão de aprisionar os navios franceses
que, sem pagar tributos à coroa, retiravam grandes
quantidades do pau-brasil. A iniciativa teve poucos resultados
práticos, considerando a imensa extensão do
litoral e, como solução, Jacques sugeriu à
Coroa dar início ao povoamento.
A expedição enviada em 1530 sob a chefia
de Martim Afonso de Sousa tinha por objetivos explorar melhor
a costa, expulsar os franceses que rondavam o sul e as cercanias
do Rio de Janeiro, e estabelecer núcleos de colonização
ou feitorias, como a estabelecida em Cabo Frio. Foram fundados
por esta expedição os núcleos de São
Vicente e São Paulo, onde o português João
Ramalho vivia como náufrago desde 1508 e casara-se
com a índia Bartira, filha do cacique Tibiriçá.
A presença de Ramalho, que ajudava no contato com
os nativos e instalara-se na aldeia de Piratininga, foi
o que inspirou Martim Afonso a instalar a vila de São
Vicente perto do núcleo que viria a ser São
Paulo.
A mais polêmica expedição seria a de
Francisco de Orellana que, em 1535, penetrando pela foz
do rio Orinoco e subindo-o, descreve que numa única
viagem, em meio de um incrível emaranhado de rios
e afluentes amazônicos, teria encontrado o rio Cachequerique,
raríssima e incomum captura fluvial que une o rio
Orinoco aos rios Negro e Amazonas.