Em 1501, uma grande expedição exploratória,
a primeira frota de reconhecimento, com três naus,
encontrou como recurso explorável apenas o pau-brasil
(madeira avermelhada e valiosa usada na tinturaria européia),
mas fez um levantamento da costa. Comandada por Gaspar de
Lemos, a viagem teve início em 10 de maio de 1501
e findaria com o retorno a Lisboa em 7 de setembro de 1502,
depois de percorrer a costa e dar nome aos principais acidentes
geográficos. Sobre o comandante, podem ter sido D.
Nuno Manoel, André Gonçalves, Fernão
de Noronha, Gonçalo Coelho ou Gaspar de Lemos, sendo
este último o nome mais aceito. Em 1501, no dia 1
de novembro, foi descoberta a Baía de Todos os Santos,
na atual Bahia, local que mais tarde seria escolhido por
D. João III para abrigar a sede da administração
colonial.
Alguns historiadores negam a hipótese de Gonçalo
Coelho, que só teria partido de Lisboa em 1502. O
Barão do Rio Branco, em suas Efemérides, fixa-se
em André Gonçalves, que é a versão
mais comumente aceita. Mas André Gonçalves
fazia parte da armada de Cabral, que retornou a Lisboa quando
a expedição de 1501 já partira para
o Brasil e com ela cruzou na altura do arquipélago
de Cabo Verde.
Assim, diversos historiadores optam por Gaspar de Lemos,
que entre junho e julho de 1500 havia chegado a Portugal
com a notícia do descobrimento. O florentino Américo
Vespúcio vinha como piloto na frota (e por seu nome
seria batizado todo o continente, mais tarde). Depois de
67 dias de viagem, em 16 de agosto, a frota alcançou
o que hoje é o Cabo de São Roque (Paraíba)
e, segundo Câmara Cascudo, ali plantou o marco de
posse mais antigo do Brasil. Houve, na ocasião, contatos
entre portugueses e os índios potiguares.
Ao longo das expedições, os portugueses costumavam
batizar os acidentes geográficos segundo o calendário
com os nomes dos santos dos dias, ignorando os nomes locais
dados pelos nativos. Em 1 de novembro (Dia de Todos os Santos),
chegaram à Baía de Todos os Santos, em 21
de dezembro (dia de São Tomé) ao Cabo de São
Tomé, em 1 de janeiro de 1502 à Baía
da Guanabara (por isso batizada de "Rio de Janeiro")
e no dia 6 de janeiro (Dia de Reis) à angra (baía)
batizada como Angra dos Reis. Outros lugares descobertos
foram a foz do rio São Francisco e o Cabo Frio, entre
vários.
As três naus que chegaram à Guanabara eram
comandadas por Gonçalo Coelho, e nela vinha Vespúcio.
Tomando a estreita entrada da barra pela foz de um rio,
chamaram-na Rio de Janeiro, nome que se estendeu à
cidade de São Sebastião que ali se ergueria
mais tarde.
Em 1503 houve nova expedição, desta vez comandada
(sem controvérsias) por Gonçalo Coelho, sem
ser estabelecido qualquer assentamento ou feitoria. Foi
organizada em função um contrato do rei com
um grupo de comerciantes de Lisboa para extrair o pau-brasil.
Trazia novamente Vespúcio e seis navios. Partiu em
maio de Lisboa, esteve em agosto na ilha de Fernando de
Noronha e ali afundou a nau capitânia, dispersando-se
a armada. Vespúcio pode ter ido para a Bahia, passado
seis meses em Cabo Frio, onde fez entrada de 40 léguas
terra adentro. Ali teria deixado 24 homens com mantimentos
para seis meses. Coelho, ao que parece, esteve recolhido
na região onde se fundaria depois a cidade do Rio
de Janeiro, possivelmente durante dois ou três anos.
Nessa ocasião, Vespúcio, a serviço
de Portugal, retornou ao maior porto natural da costa brasileira,
a Baía de Todos os Santos. Durante as três
primeiras décadas, o litoral baiano, com suas inúmeras
enseadas, serviu fundamentalmente como apoio à rota
da Índia, cujo comércio de produtos de luxo
– seda, tapetes, porcelana e especiarias – era
mais vantajoso que os produtos oferecidos pela nova colônia.
Nos pequenos e grandes portos naturais baianos, em especial
no de Todos os Santos, as frotas se abasteciam de água
e de lenha e aproveitavam para fazer pequenos reparos.
No Rio de Janeiro, alguns navios aportaram no local que
os índios chamavam de Uruçu-Mirim, a atual
praia do Flamengo. Junto à foz do rio Carioca (outrora
abundante fonte de água doce) foram erguidas uma
casa de pedra e um arraial, deixando-se no local degredados
e galinhas. A construção inspirou o nome que
os índios deram ao local (cari-oca, "casa dos
brancos"), que passaria a ser o gentílico da
cidade do Rio. O arraial, no entanto, foi logo destruído.
Outras esquadras passariam pela Guanabara: a de Cristóvão
Jacques, em 1516; a de Fernão de Magalhães
(que chamou o local de Baía de Santa Luzia), em 1519,
na primeira circunavegação do mundo; outra
vez a de Jacques, em 1526, e a de Martim Afonso de Sousa,
em 1531.
Outras expedições ao litoral brasileiro podem
ter ocorrido, já que desde 1504 são assinaladas
atividades de corsários. Holanda, em Raízes
do Brasil, cita o capitão francês Paulmier
de Gonneville, de Honfleur, que permaneceu seis meses no
litoral de Santa Catarina. A atividade de navegadores não-portugueses
se inspirava doutrina da liberdade dos mares, expressada
por Hugo Grotius em Mare liberum, base da reação
européia contra Espanha e Portugal, gerando pirataria
alargada pelos mares do planeta.