A escravidão, também conhecida como escravismo
ou escravatura, foi a forma de relação social
de produção adotada, de uma forma geral, no
Brasil desde o período colonial até o final
do Império. A escravidão no Brasil é
marcada principalmente pelo uso de escravos vindos do continente
africano, mas é necessário ressaltar que muitos
indígenas foram vítimas desse processo.
Os escravos foram utilizados principalmente em atividades
relacionadas à agricultura – com destaque para
a atividade açucareira – e na mineração,
sendo assim essenciais para a manutenção da
economia. Alguns deles desempenhavam também vários
tipos de serviços domésticos e/ou urbanos.
A escravidão só foi oficialmente abolida
no Brasil com a assinatura da Lei Áurea, em 13 de
maio de 1888. No entanto, o trabalho compulsório
e o tráfico de pessoas permanecem existindo no Brasil
atual, a chamada escravidão moderna, que difere substancialmente
da anterior.
O surgimento da escravidão no Brasil
Antes da chegada dos portugueses a escravatura já
era largamente praticada no Brasil. Entre as tribos índias,
a escravatura era infligida aos prisioneiros capturados
nas guerras tribais. Esta não era a única
forma de se obter escravos, os índios reduziam também
à escravatura os fugitivos de outras tribos a quem
davam refugio. Entre as tribos que praticavam a antropofagia
os escravos eram freqüentemente devorados durante os
rituais. Com a chegada dos portugueses os índios
passam a vender muitos dos seus prisioneiros em troca de
mercadorias.
Durante o período pré-colonial (1500 –
1530), os portugueses desenvolveram a atividade de exploração
do pau-brasil, árvore abundante na Mata Atlântica
naquele período. A exploração dessa
matéria-prima foi possibilitada não só
pela sua localização, já que as florestas
estavam próximas ao litoral, mas também pela
colaboração dos índios, com os quais
os portugueses desenvolveram um tipo de comércio
primitivo baseado na troca – o escambo. Em troca de
mercadorias européias baratas e desconhecidas, os
índios extraíam e transportavam o pau-brasil
para os portugueses até o litoral.
A partir do momento em que os colonizadores passam a conhecer
mais de perto o modo de vida indígena, com elementos
desconhecidos ou condenados pelos europeus, a exemplo da
antropofagia, os portugueses passam então a alimentar
uma certa desconfiança em relação aos
índios. A colaboração em torno da atividade
do pau-brasil já não era mais possível
e os colonos tentam submetê-los à sua dominação,
impondo sua cultura, sua religião – função
esta que coube aos jesuítas, através da catequese
– e forçando-os ao trabalho compulsório
nas lavouras, já que não dispunham de mão-de-obra.
A escravidão no Brasil segue assim paralelamente
ao processo de desterritorialização sofrido
por estes. Diante dessa situação, os nativos
só tinham dois caminhos a seguir: reagir à
escravização ou aceitá-la.
Houve reações em todos os grupos indígenas,
muitos lutando contra os colonizadores até a morte
ou fugindo para regiões mais remotas. Essa reação
indígena contra a dominação portuguesa
ocorreu pelo fato de que as sociedades indígenas
sul-americanas desconheciam a hierarquia e, conseqüentemente,
não aceitavam o trabalho compulsório. Antes
dos estudos etnográficos mais profundos (fins do
século XIX e, principalmente, século XX),
pensava-se que os índios eram simplesmente "inaptos"
ao trabalho, tese que não se sustenta depois de pesquisas
antropológicas em suas sociedades sem o impacto desestabilizador
do domínio forçado.
Os índios assimilados, por sua vez, eram superexplorados
e morriam, não só em decorrência dos
maus-tratos recebidos dos portugueses, mas também
em decorrência de doenças que lhes eram desconhecidas
e que foram trazidas pelos colonos europeus, como as doenças
venéreas e a varíola.
Diante das dificuldades encontradas na escravização
dos indígenas, a solução encontrada
pelos colonizadores foi buscar a mão-de-obra em outro
lugar: no continente africano. Essa busca por escravos na
África foi incentivada por diversos motivos. Os portugueses
tinham interesse em encontrar um meio de obtenção
de altos lucros com a nova colônia, e a resposta estava
na atividade açucareira, uma vez que o açúcar
tinha grande aceitação no mercado europeu.
A produção dessa matéria-prima, por
sua vez, exigia numerosa mão-de-obra na colônia
e o lucrativo negócio do tráfico de escravos
africanos foi a alternativa descoberta, iniciando-se assim
a inserção destes no então Brasil colônia.
Convém ressaltar que a escravidão de indígenas
perdura até meados do século XVIII.
O aprisionamento de indígenas e o tráfico
negreiro
"Família de um chefe camacã se prepara
para uma festa", de Jean Baptiste Debret - Os índios
foram os primeiros escravos no Brasil.
Recibo de compra e venda de escravos. Rio de Janeiro, 1851.Para
obter mais detalhes, veja Tráfico de escravos para
o Brasil
O aprisionamento era a principal forma de obtenção
de escravos indígenas. Ao serem capturados os índios
eram forçados a executar o trabalho nas lavouras,
onde eram superexplorados e sofriam maus-tratos. Os índios
capturados nas guerras tribais também começaram
a ser vendidos aos portugueses em vez de permanecerem escravos
na aldeia do seu captor.
Em decorrência dessa situação e do
fato de não estarem adaptados à escravidão
, muitos indígenas morriam. Além disso, o
aprisionamento era uma atividade que gerava lucros internos,
ou seja, a metrópole portuguesa não se beneficiava
com ela. Esses fatores contribuíram para que a mão-de-obra
africana fosse inserida nas lavouras brasileiras, sendo
obtida através do tráfico de escravos vindos
principalmente das colônias portuguesas na África.
Essa atividade, também conhecida como tráfico
negreiro, além de ser uma grande fonte de mão-de-obra
caracterizava-se por ser também uma forma de obtenção
de altos lucros, sendo assim de interesse da metrópole,
já que além dos traficantes, lucravam também
a Coroa portuguesa e até a Igreja Católica,
que detinha uma certa porcentagem sobre cada escravo que
entrava no Brasil.
A atividade do tráfico negreiro inicia-se oficialmente
em 1559, quando a metrópole portuguesa decide permitir
o ingresso de escravos vindos da África no Brasil.
Antes disso, porém, transações envolvendo
escravos africanos já ocorriam no Brasil, sendo a
escassez de mão-de-obra um dos principais argumentos
dos colonos.
Capturados nas mais diversas situações, como
nas guerras tribais e na escravização por
dívidas não pagas, os escravos africanos provinham
de lugares como Angola e Guiné. Eram negociados com
os traficantes em troca de produtos como fumo, armas e aguardentes
e transportados nos chamados navios negreiros. Esses navios
tinham destinos como as cidades do Rio de Janeiro, Salvador,
Recife e São Luís, e delas eram transportados
para regiões mais distantes. Durante as viagens,
muitos escravos morriam em decorrência das péssimas
condições sanitárias existentes nas
embarcações, que vinham superlotadas. Quando
desembarcavam em solo brasileiro, os escravos africanos
eram vendidos em praça pública. Os mais fortes
e saudáveis eram os mais valorizados.
Havia protestos, embora por vezes distantes, sem continuidade
e sem medidas coercitivas, contra os maus tratos. Em 1º
de março de 1700 por exemplo, o Rei de Portugal D.
Pedro II escreveu uma carta indignada ao governador-geral
D. João de Lencastre sobre os maus tratos dados aos
escravos no Brasil: «... Não lhe dando fardas
e outros nem ainda farinha», e comentando dos «cruéis
castigos, por dias e semanas inteiras, havendo alguns que
por anos se acham metidos em correntes, sendo mais cruéis
as senhoras em alguns casos para com as escravas, apontando-se
alguns que obram tanto os senhores como as senhoras com
tal crueldade como são pingar de lacre e marcar com
ferro ardente nos peitos e na cara, executando neles a mutilação
de membros. De Francisco Pereira de Araujo se diz que cortou
as orelhas a um, e pingou com lacre; outro veio do sertão,
a quem o senhor cortou as partes pudendas, entendeu com
uma sua negra; de outro, que se curou no hospital, se diz
que foi tão cruelmente açoitado do seu senhor
que lhe provocara especialmente o rigor da Justiça
Divina, pelo que é de razão». Diz ainda
de castigos que se fazem por suspensão de cordas
em árvores, para que os mosquitos os estejam picando
e desesperando, sobre os açoitarem e pingarem com
a mesma crueldade que fazem os demais...»
Houve muito alvoroço com a necessidade de mão-de-obra
nas Minas Gerais. Datado de 26 de março de 1700,
um Bando do Governador do Rio Artur de Sá e Menezes
proibiu que fossem transportados para as Minas escravos
de cana e mandioca, enquanto ao mesmo tempo a Câmara
se dirigia ao Conselho Ultramarino e pedia providências
para facilitar entrada de africanos. Conseguiu duas medidas:
a instituição de um tributo de 4$500 por cada
escravo tirado de engenhos e despachado para as Minas, (e
desde Carta Real de 10 de junho de 1699 havia direitos de
entrada de 3$500 por cada negro vindo da África para
o Rio de Janeiro) e a liberdade de comércio de negros
e do tráfico. A própria Coroa traficava: e
desde a Carta Régia de 16 de novembro de 1697 o preço
de cada negro vendido era 160$000; em 1718 o preço
tinha subido a 300$000, embora custo fosse de apenas 94$000.
A atividade do tráfico negreiro foi extremamente
lucrativa e perdurou até 1850, sendo oficialmente
extinguida nesse ano com a Lei Eusébio de Queirós.
O trabalho dos escravos
O Tronco, de Jean Baptiste Debret - Escravos sendo castigados
no tronco.Os índios que foram assimilados e escravizados
pelos colonos portugueses mostraram-se mais eficientes na
execução de tarefas a que já estavam
adaptados no seu modo de vida, como a extração
e o transporte de madeira, do que nas atividades agrícolas.
Esses trabalhadores eram superexplorados e muitos morriam
em decorrência dos castigos físicos aplicados
pelos portugueses. O uso de indígenas como escravos
perdurou até o século XVIII. Refira-se que
os escravos, de orígem africana, alforriados e libertos
frequentemente adquiriam seus próprios escravos passando
de escravos a escravagistas.
Diante das dificuldades encontradas no processo de escravização
dos indígenas, os portugueses encontram como alternativa
a utilização de escravos africanos, obtidos
através do tráfico negreiro. Os escravos africanos
poderiam ser designados pelos seus senhores para o desenvolvimento
dos mais diversos tipos de atividades,destacando-se as atividades
agrícolas, sendo a extração da cana-de-açúcar
a principal, a mineração e os serviços
domésticos.
A agressividade em relação aos indígenas
permeava a administração colonial e fração
considerável do clero consentia a escravidão
e a executava. O padre Antônio Vieira – diante
da redução de braços indígenas
para os trabalhos nas lavouras do Maranhão e Pará
– defendia o cumprimento de leis anteriores em favor
da liberdade dos índios, propugnando, numa informação
enviada à Coroa em 1678, a introdução
de escravos da África para suprir a escassez de mão–de–obra
indígena.
A atividade açucareira foi durante muito tempo o
pilar sobre o qual a economia colonial se sustentou. Foi
desenvolvida principalmente na Zona da Mata, no litoral
nordestino, que oferecia condições naturais
favoráveis ao cultivo da cana-de-açúcar,
produto que obtinha grande aceitação no mercado
europeu e que garantia alta lucratividade. Para o seu cultivo,
adotou-se o sistema de plantations, caracterizado pelo uso
de latifúndios monocultores. A extração
da cana necessitava de um grande contingente de mão-de-obra
e foi a partir dessa necessidade que uma grande quantidade
de africanos passou a trabalhar nos engenhos - propriedades
destinadas ao cultivo e produção de açúcar.
Na agricultura, muitos escravos foram utilizados também
no cultivo de tabaco, algodão e café, por
exemplo.
Já na mineração, atividade que começa
a ganhar grande importância na economia colonial durante
o século XVIII, muitos cativos foram utilizados na
exploração de metais preciosos, principalmente
o ouro, na região de Minas Gerais. Vale ressaltar
que com o desenvolvimento da mineração foram
desenvolvidas várias atividades secundárias
e dependentes dela, como a pecuária, das quais os
escravos também participaram.
Os escravos domésticos - como indica o próprio
nome - trabalhavam nas casas de seus senhores, realizando
serviços como cozinhar e costurar. Existiram ainda
casos de escravos que prestavam serviços remunerados
e deveriam pagar parcela de sua renda ao seu proprietário,
os chamados “escravos ao ganho”, além
de escravos que eram alugados pelos seus senhores para desenvolver
algum ofício (pedreiro, carpinteiro, cozinheiro,
etc.) a um terceiro, sendo assim “escravos de aluguel”.
Estes dois últimos tipos de escravos desenvolviam
suas tarefas geralmente nos espaços urbanos.
Escravo sendo castigado, em pintura de Jean Baptiste DebretO
escravo encontrava-se na posição de propriedade
de seu senhor, não possuindo assim qualquer direito.
Era o seu proprietário o responsável por garantir
os elementos básicos à sua sobrevivência,
como a alimentação e as suas vestimentas.
O cativo estava à disposição do seu
dono, que o superexplorava. Era vigiado pelos chamados capitães-do-mato,
que também capturavam os escravos fugidos e lhes
aplicava os mais diversos tipos de castigos, como o açoitamento,
o tronco, peia, entre outras punições, o que
contribuía para diminuir o tempo de vida dessa mão-de-obra.
Em síntese, executava o seu trabalho nas mais desumanas
das condições.
Por parte dos senhores, existia uma discriminação
com relação ao trabalho, já que o consideravam
como “coisa de negros”. Convém ressaltar
que houve casos de alforria, isto é, de escravos
que foram libertados. Essas libertações ocorriam
pelos mais variados motivos, desde vontade do senhor em
virtude da obediência e lealdade do escravo até
casos em que o cativo conseguia comprar a sua liberdade.
Vale ressaltar também que a escravidão foi
a base de sustentação da economia brasileira
até o final do Império.
Resistência à escravidão
Tanto os índios quanto os africanos promoveram formas
de resistência à escravidão, não
sendo assim passivos a ela.
Os índios resistiram desde o momento em que os colonos
portugueses tentam escravizá-los a força.
Os africanos e seus descendentes, por sua vez promoveram
várias formas de resistência à escravidão.
A mais conhecida de todas foi a criação dos
quilombos, uma espécie de "sociedade paralela"
formada por escravos que fugiam de seus senhores, sendo
o mais popular o Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas.
Existiram, porém, inúmeras outras formas de
se resistir à escravidão, como o suicídio,
assassinatos, rebeliões e revoltas organizadas contra
os senhores. Convém ressaltar que essas revoltas
são um dos fatores que contribuíram para a
abolição da escravatura. Diga-se que a escravatura
também era frequentemente praticada nos quilombos,
por exemplo, no Quilombo dos Palmares os cativos eram mantidos
como escravos e utilizados para o trabalho nas plantações.
No entanto, não era abolir a escravatura que algumas
destas revoltam tinham como objectivo. A revolta dos Malês
não só visava a libertação dos
escravos africanos como pretendia escravizar os brancos,
os mulatos e os não muçulmanos.
Abolição da Escravatura
Original da Lei Áurea no Museu da Imprensa, em Brasília
- Crédito de Ana Nascimento/ABr.A abolição
da escravatura foi processada de forma gradual e decorreu
de toda uma situação formada com a sucessão
do processo histórico, sendo ocasionada por uma série
de pressões exercidas tanto por fatores externos
quanto internos.
Pode-se encontrar nos fatores internos a ação
de grupos abolicionistas compostos por inidivíduos
oriundos de diversas camadas da sociedade. Deve-se distinguir
entre aqueles que eram favoráveis ao fim da escravidão
os abolicionistas dos emancipacionistas, visto que estes
eram favoráveis a uma abolição lenta
e gradual dessa relação de trabalho, enquanto
aqueles defendiam o fim imediato do trabalho escravo. Além
da ação dos grupos abolicionistas, deve-se
destacar a atuação de resistência da
maior vítima do processo de escravidão, visto
que os escravos não eram passivos e resistiam à
dominação das mais diversas maneiras, como
fugas, revoltas, assassinatos, suicídios, entre outros
métodos.
Entre os fatores externos, pode-se destacar as pressões
exercidas pelo Império Britânico sobre o governo
brasileiro. A Inglaterra vivia naquele momento o auge do
fenômeno do qual foi berço - a Revolução
Industrial. O processo de industrialização
demandava a ampliação dos mercados consumidores
a fim de se obter a venda da crescente produção.
O Brasil era um dos grandes parceiros comerciais ingleses,
mas a relação de trabalho escravista não
garantia aos trabalhadores que dela foram alvos poder aquisitivo.
Além disso, o governo inglês já abolira
a escravidão em todos os seus territórios.
As elites latifundiárias das colônias inglesas
nas Antilhas sofreram perdas nesse processo a partir do
momento em que haviam ganhado mais um custo de produção
com o desenvolvimento de relações de trabalho
assalariadas e que perdiam espaço na concorrência
com a produção brasileira. Sentindo-se lesados,
esses latifundiários passaram a exercer pressão
sobre o parlamento inglês a fim de que a escravidão
fosse combatida de forma mais efetiva. Em 1845, o parlamento
inglês aprovou a chamada Lei Bill Aberdeen (em inglês,
Aberdeen Act), que concedia à Marinha Real Britânica
poderes de apreensão de qualquer navio envolvido
no tráfico negreiro em qualquer parte do mundo. Como
conseqüência da pressão inglesa, em 1850,
o tráfico negreiro é oficialmente extinto
com a Lei Eusébio de Queirós. Com o fim da
principal fonte de obtenção de escravos, o
preço destes elevou-se significativamente, uma vez
que ocorre uma diminuição na sua oferta. Já
em 1871, é promulgada a Lei do Ventre Livre, que
garante a liberdade aos filhos de escravos. Nove anos depois,
inicia-se uma campanha abolicionista estimulada por intelectuais
e políticos, como José do Patrocínio
e Joaquim Nabuco. O sistema escravista enfraquece-se mais
ainda com a Lei dos Sexagenários (1885), que liberta
todos os escravos com mais de 60 anos de idade.
No dia 13 de maio de 1888, a Lei Áurea é
assinada pela Princesa Isabel, extinguindo oficialmente
a escravidão no Brasil.
A abolição da escravidão, apesar de
garantir a liberdade, não alterou em nada as condições
socioeconômicas dos ex-escravos, que continuaram a
viver, de uma forma geral, na pobreza, sem escolaridade
e sofrendo com a discriminação. Não
impediu também que a superexploração
de mão-de-obra em regime de escravidão e o
tráfico de pessoas continuassem sendo praticados
até os dias atuais.
Convém ressaltar que, enquanto relação
social de trabalho predominante no território brasileiro,
a escravidão foi substituída pela mão-de-obra
imigrante assalariada.
A herança dos escravos
Tanto os indígenas quanto os escravos africanos
foram elementos essenciais para a formação
não somente da população, mas também
da cultura brasileira. A diversidade étnica verificada
no Brasil decorre do processo de miscigenação
entre colonos europeus, indígenas e africanos. A
cultura brasileira, por sua vez, apresenta fortes traços
tanto da cultura indígena quanto da cultura africana.
Desde a culinária, onde se verificam o vatapá,
o caruru e chegando até a língua portuguesa,
é impossível não perceber a influência
da cultura dos povos que foram escravizados no Brasil.
A feijoada brasileira, ao contrário do que é
amplamente difundido, não tem origem entre os escravos.