A economia da colônia, iniciada com o puro extrativismo
de pau-brasil e o escambo entre os colonos e os índios,
gradualmente passou à produção local,
com os cultivos da cana-de-açúcar e do cacau.
O engenho de açúcar (manufatura do ciclo de
produção açucareiro) constituiu a peça
principal do mercantilismo português, organizadas
em grandes propriedades. Estas, como se chamou mais tarde,
eram latifúndios, caracterizados por terras extensas,
abundante mão-de-obra escrava, técnicas precárias
e baixa produtividade.
Para sustentar a produção de cana-de-açúcar,
os portugueses começaram, a partir de meados do século
XVI, a importar africanos como escravos. Eles eram pessoas
capturadas entre tribos das feitorias européias na
África (às vezes com a conivência de
chefes locais de tribos rivais) e atravessados no Atlântico
nos navios negreiros, em péssimas condições
de asseio e saúde. Ao chegarem à América,
essas pessoas eram comercializadas como mercadoria e obrigados
a trabalhar nas plantações e casas dos colonizadores.
Dentro das fazendas, viviam aprisionados em galpões
rústicos chamados de senzalas, e seus filhos também
eram escravizados, perpetuando a situação
pelas gerações seguintes.
Gilberto Freyre comenta:
«O Brasil nasceu e cresceu econômica e socialmente
com o açúcar, entre os dias venturosos do
pau-de-tinta e antes de as minas e o café o terem
ultrapassado. Efetivamente, o açúcar foi base
na formação da sociedade e na forma de família.
A casa de engenho foi modelo da fazenda de cacau, da fazenda
de café, da estância. Foi base de um complexo
sociocultural de vida».
Houve engenhos ainda nas capitanias de São Vicente
e do Rio de Janeiro, que cobriam cem léguas e couberam
ambas a Martim Afonso de Sousa. Este receberia o apoio de
João Ramalho e de seu sogro Tibiriçá.
No Rio, funcionava o engenho de Rodrigo de Freitas, nas
margens da lagoa que hoje leva seu nome. Ao entrar o século
XVII, o açúcar brasileiro era produto de importação
nos portos de Lisboa, Antuérpia, Amsterdã,
Roterdã, Hamburgo. Sua produção, muito
superior à das ilhas portuguesas no Atlântico,
supria quase toda a Europa. Gabriel Soares de Sousa, em
1548, comentava o luxo reinante na Bahia e o padre Fernão
Cardim exaltava suas capelas magníficas, os objetos
de prata, as lautas refeições em louça
da Índia, que servia de lastro nos navios: «Parecem
uns condes e gastam muito», reclamava o padre.
Em meados do século XVII, o açúcar
produzido nas Antilhas Holandesas começou a concorrer
fortemente na Europa com o açúcar do Brasil.
Os holandeses tinham aperfeiçoado a técnica,
com a experiência adquirida no Brasil, e contavam
com um desenvolvido esquema de transporte e distribuição
do açúcar em toda a Europa. Portugal foi obrigado
a recorrer à Inglaterra e assinar diversos tratados
que afetariam a economia da colônia. Em 1642, Portugal
concedeu à Inglaterra a posição de
"nação mais favorecida" e os comerciantes
ingleses passaram a ter maior acesso ao comércio
colonial. Em 1654 Portugal aumentou os direitos ingleses;
mas poderiam negociar diretamente vários produtos
do Brasil com Portugal e vice-versa, excetuando-se alguns
produtos como bacalhau, vinho, pau-brasil). Em 1661 a Inglaterra
se comprometeu a defender Portugal e suas colônias
em troca de dois milhões de cruzados, obtendo ainda
as possessões de Tânger e Bombaim. Em 1703
Portugal se comprometeu a admitir no reino os panos dos
lanifícios ingleses, e a Inglaterra, em troca, a
comprar vinhos portugueses. Data da época o famosíssimo
Tratado de Methuen, do nome de seu negociador inglês,
ou tratado dos Panos e Vinhos. Na época, satisfazia
os interesses dos grupos dominantes mas teria como conseqüência
a paralização da industrialização
em Portugal, canalizando para a Inglaterra o ouro que acabava
de ser descoberto no Brasil.
No nordeste brasileiro se encontrava a pecuária,
tão importante para o domínio do interior,
já que eram proibidos rebanhos de gado nas fazendas
litorâneas, cuja terra de massapê era ideal
para o açúcar. Estuda-se bem o açúcar
no item dedicado à invasão holandesa.
A conquista do sertão, povoado por diversos grupos
indígenas foi lenta e se deveu muito à pecuária
(o gado avançou ao longo dos vales dos rios) e, muito
mais tarde, às expedições dos Bandeirantes
que vinham prear índios para levar para São
Paulo. A esse respeito, consultar o extenso capítulo
sobre Entradas e Bandeiras.
Final do século XVII
No final do século XVII descobriu-se ouro nos ribeiros
das terras que pertenciam à capitania de São
Paulo e mais tarde ficaram conhecidas como Minas Gerais.
Descobriram-se depois, no final da década de 1720,
diamante e outras gemas preciosas. Esgotou-se o ouro abundante
nos ribeirões, que passou a ser mais penosamente
buscado em veios dentro da terra. Apareceram metais preciosos
em Goiás e no Mato Grosso, no século XVIII.
A Coroa cobrava, como tributo, um quinto de todo o minério
extraído, o que passou a ser conhecido como "o
quinto". Os desvios e o tráfico de ouro, no
entanto, eram freqüentes. Para coibi-los, a Coroa instituiu
toda uma burocracia e mecanimos de controle. Quando a soma
de impostos pagos não atingia uma cota mínima
estabelecida, os colonos deveriam entregar jóias
e bens pessoais até completar o valor estipulado
— episódios chamados de derramas.
O período que ficou conhecido como Ciclo do Ouro
iria permitir a criação de um mercado interno,
já que havia demanda por todo tipo de produtos para
o povoamento das Minas Gerais. Era preciso levar, Serra
da Mantiqueira acima, escravos e ferramentas, ou, rio São
Francisco abaixo, os rebanhos de gado para alimentar a verdadeira
multidão que para lá acorreu.
Assim, o eixo econômico e político se deslocou
para o centro-sul da colônia e o Rio de Janeiro tornou-se
sede administrativa, além de ser o porto por onde
as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos. A
cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como
"a rainha das províncias e o empório
das riquezas do mundo", e por séculos foi a
capital do Brasil.
Conflitos Coloniais
Amador Bueno é aclamado Rei do Brasil em 1641A época
colonial foi marcada por vários conflitos, tanto
entre portugueses e outros europeus, e europeus contra nativos,
como entre os próprios colonos. O maior deles, sem
dúvida, foi a Guerra contra os Holandeses (ou Guerras
Holandesas, de 1630 a 1647, na Bahia, Sergipe, Alagoas,
Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
A insatisfação com a administração
colonial provocou a Revolta de Amador Bueno em São
Paulo e, no Maranhão, a Revolta de Beckman. Os colonos
enchiam os navios que aportavam no Brasil, esvaziando o
reino, e foram apelidados "emboabas" porque andavam
calçados contra a maioria da população,
que andava descalça. Contra eles se levantaram os
paulistas, nas refregas do início do século
XVIII que ficariam conhecidas como Guerra dos Emboabas e
paulistas e ensanguentaram o rio que até hoje se
chama Rio das Mortes.
Em Pernambuco, a disputa política e econômica
entre mercadores e canavieiros, após a expulsão
dos holandeses, levou à Guerra dos Mascates. Os escravos
negros que fugiam das fazendas se refugiavam nas serras
do agreste nordestino e lá fundavam quilombos, dos
quais o mais importante foi o de Palmares, liderado por
Ganga Zumba e seu sobrinho Zumbi. A campanha para destruí-lo
foi a Guerra de Palmares (1693-1695).
No sul, a tentativa de escravizar indígenas levou
a confrontos com os missionários jesuítas,
organizados nas "reduções" (missões)
de catequese com os guaranis. As Guerras Guaraníticas
duraram, intermitentemente, de 1650 a 1757.
Já com o Ciclo do Ouro, a capitania de Minas Gerais
sofreu a Revolta de Filipe dos Santos e a Inconfidência
Mineira (1789), seguida pela Conjuração Baiana
em Salvador dez anos mais tarde.